Desde que casei, essa é a primeira vez que vou ficar tanto tempo longe do Marido. Ele viajou há pouco mais de uma semana e eu já percebi que esses três meses de treinamento militar vão passar devagar. Eu já ando meio atordoada com a ausência dele.
A casa é nova e em um estado bem longe daquele que a gente (eu) já estava confortável. A cidade é diferente. Não deu tempo para a gente criar uma rotina. Não houve a chance de se criar uma dinâmica definida. Há muitos lugares que quero ir com ele e como não posso, a ansiedade se instala! Falar no telefone ajuda, mas a figura dele dentro de casa continua vazia. As tarefas não são mais divididas, os jantares são solitários, as comidas preferidas dele na geladeira estão intactas, as roupas sujas dele não se acumulam mais e uma lista dolorosa que reflete a ausência dele cresce a cada dia. Reviver isso tudo me faz perceber com muita surpresa (!!) que ando experimentando sintomas de uma forma de luto. Infelizmente esse é um lugar bem conhecido por mim.
A minha chateação por não ter ele por perto se manisfesta com muita irritabilidade e pitadas de agressividade. Andei desviando o foco e mirei nele, o objeto da minha saudade. Meio doido, meio confuso. Mas me alegro por finalmente conseguir elaborar os sentimentos e assim, me sentir melhor.
Inconscientemente eu resisto na hora de redefinir funções na casa nova para que ele continue sendo responsável e marque presença. Ando teimosa. Não quero fazer as coisas que ele faria caso estivesse aqui. Eu sei que posso descascar qualquer abacaxi e enfrentar qualquer pepino, só que agora eu não quero. Simples assim. Sinto que quero garantir o lugar dele aqui. Sinto que é quase que defendê-lo.
Na verdade, tenho o defendido dos meus próprios fantasmas. Ou quem sabe me defender? Tenho sido acometida por surtos de um medo apavorante que às vezes me faz cair no choro. Reviver a ausência de quem se ama dói. E como já tive o coração abruptamente arrancado do peito*, sinto medo quando qualquer sensação parecida me visita. Sinto uma antecipação da dor. Preciso me lembrar a todo instante que ele está vivinho da silva e que se eu quiser muito um abraço, doze horas de carro nos separam. E que dessa vez a ausência é temporária. Ele tem data para voltar para a minha realidade, não apenas para os meus sonhos.
É aí que eu páro, conto minhas benções, respiro fundo e tento racionalizar o emocional. Conversar com o super-racional-marido que tenho me ajuda imensamente a espantar as idéias assustadoras que invadem a minha cabeça. Ele me pega pela mão e coloca os meus pés no chão novamente. Escrever sobre isso aqui, surpreendentemente, também ajudou no processo de elaboração dos meus sentimentos. E quando eu sei do que se trata, eu consigo lidar melhor.
A mente do ser humano é um negócio meio doido. Bom, pelo menos a minha é.
Ex corde.
* A grande paixão da minha vida foi vítima fatal de um acidente de carro há alguns anos. Eu descobri o sabor amargo de ter que restruturar a vida como uma maneira de preencher os vazios deixado por ele. Permitir que ele perdesse as funções & lugares dentro de casa foi crucial para a minha sobrevivência, mas doloroso por constatar que ele já não estava mais comigo. E enquanto eu tentava curar as feridas, a dor não me permitiu sorrir por algum tempo. Quando eu digo que Marido me ensinou a sorrir de novo, não é força de expressão. Ele literalmente trouxe sorrisos para o meu rosto e alegrias para o meu coração. Obrigada, amor da minha vida! E volta logo, tá? ♥
Você consegue expressar suas emoções de maneira tão clara e com tanta sensibilidade que fica difícil não ficar com os olhos cheios e com o coração apertado.
Me fez chorar de “relembrar” momentos!!! Vontade de estar aí pertinho de vc…. ohh saudade!!! Te amo!!! BEijosss
Que tal vir para minha casinha? rsrsrs Iria adorar sua companhia novamente!
Amiga,você é um exemplo pra minha vida! Isso tudo é pequeno perto do que você já superou! O tempo vai passar rápido e logo logo o maridão estará aí de volta!!!! Te amo muito viu!?
Beijos
Binha, lágrimas rolaram dos meus olhos, lembro do teu ape em Niteroi, da rotina de vcs, afff. Força querida, és mais forte que imaginas e logo logo o maridão estará de volta. bjos
[...] Não é a prática homeopática que estou acostumada, mas quebra um galhão. Depois daquela avalanche emocional, eu reencontrei o meu equilíbrio com quatro gotinhas debaixo da língua algumas vezes ao [...]
Nossa, fiquei arrepiada de ler. Lembrei de tantas coisas, eu sei pela própria experiência o que é ficar longe dela pessoa amada por muito tempo. Meu marido e eu ficamos longe 15 meses, tá a gente se encontrou quatro vezes nesse tempo, mais não é a mesma coisa que morar no mesmo teto, acordar e sentir ele no lado da cama. Mas o melhor é quando a gente se re-encontrar numa visita o para morar novamente juntos. Ahh é uma delicia todas as coisas que acontecem de novo, para nós foi como ficar novamente recém-casados, fazer um monte de coisas juntos, caminhar de manos dadas, cozinhar para dois. Só espera um pouquinho e vai ver como todo volta a normalidade mas com um monte de novidades. Bjs e muita fortaleça.
[...] livros, o telefone toca. Era ele e eu já senti arrepios na espinha antes mesmo de atender por reviver sensações passadas. Mas ao contrário do que eu já antecipava, ele estava bem! E fui ouvindo ele contar [...]