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Comprei um material americano de educação domiciliar – homeschooling – para usar com a minha filha mais velha em casa nesse último ano pre-escolar em que a escola em si ainda não é obrigatória aqui. É um currículo baseado em literatura com uma lista maravilhosa de livros para leitura em voz alta que eu jamais saberia escolher sozinha por não ter crescido nos Estados Unidos. E ao seguir o roteiro do currículo, fui me dando conta que estava indo muito além das letras, números e contação de estórias.

“Perdão: Eu trato as pessoas como se elas nunca tivessem me machucado.”

Essa é a frase da semana que está no quadro branco e que repetimos juntos uma vez ao dia. Semana passada foi a obediência. Na retrasada, a honestidade. Uma virtude por semana durante um ano. Com definições simples dadas em exemplos práticos. Quando eu escolho tratar alguém como se essa pessoa nunca tivesse me machucado, eu estou perdoando. Até o meu filho de três anos entende o que isso quer dizer. E mesmo que o entendimento seja superficial nesse momento, uma semente foi plantada no coração deles.

Ensinar as virtudes com intenção e de maneira propositada é muito interessante do ponto de vista do adulto. A consistência solidifica. A responsabilidade vem à tona. Como posso estar chateada com o meu marido por algo que ele fez ontem se hoje ensino os meus filhos a tratar as pessoas como se elas nunca tivessem os machucado? A coerência precisa estar presente para que tudo faça sentido.

Eu me imaginava falando sobre obediência, honestidade e perdão com os meus filhos conforme as situações práticas da vida fossem exigindo. Nunca tinha pensado em sistematizar e trabalhar cada uma delas antecipadamente para encher o coração deles de virtudes. Mas agora vejo que faz sentido se antecipar para que eles se equipem na integridade de caráter com um arsenal de valores sólidos que possam ser usados em qualquer situação da vida deles, mesmo eu estando longe.

Você trabalha as virtudes do coração com os seus filhos?

Ex corde.

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Outro dia, a minha filha de quatro anos e meio me pediu para ler uma revistinha da Turma da Mônica com ela. Temos algumas revistinhas em casa em português que foram carinhosamente trazidas do Brasil pelos avós. E como eu cresci lendo a Turma da Mônica, achei um barato que ela demonstrou interesse. Embarcamos então na leitura. Até que então:

“- Mamãe, a Mônica tá com raiva? E por que o Cebolinha está rindo dela?”

“- A Mônica bateu nele, mamãe? Por quê?”

“- E porque ele implicou com ela?”

Estou no meio de um processo árduo para ensiná-la a processar a suas frustrações de uma maneira saudável, sem bater em ninguém, sem jogar ou quebrar nada. Repito várias vezes ao dia o que é certo e o que é errado. Escolho as palavras. Modero o tom da voz. Dou nome aos sentimentos (raiva, frustração, irritação, etc) para tentar ajudá-la a processá-los melhor. E ao ler a historinha, ela ficou confusa ao identificar os comportamentos claramente errados. ‘É isso mesmo, mamãe?’, ela me perguntava como se quisesse confirmar as constatações. E eu tive que dizer que sim, que ela estava vendo o Cebolinha implicar com a coleguinha pelo simples prazer de implicar; que ela estava vendo a Mônica ter crises de raiva e quebrar tudo pela frente incluindo a cara do coleguinha; e que ela estava vendo um colega rir da dor do outro colega. A experiência de ler a Turma da Mônica com a minha filha não foi legal.

Do ponto de vista da maternidade consciente e propositada que tento exercer com os meus filhos (para quem me segue ha algum tempo, tive um menino que está com 2 anos e meio), a Turma da Mônica não acrescenta. Pelo exposto acima, é claro que as historinhas do Maurício de Souza confundem ao desdizer o que eu repito incansavelmente todos os dias. Fiquei feliz ao constatar que a minha menina já sabe que bater no amigo não é certo. E que não é legal rir na cara do outro enquanto o outro claramente sofre. Mas não me sinto confortável em deixar que a Turma da Mônica conviva tão de perto assim dos meus pequenos. Talvez mais lá para frente – com eles maiores e valores mais consolidados –  eu tente novamente para trazer um pouco de brasileirice para os meus americaninhos. Mas por agora, preciso insistir naquilo que é certo ponto final sem nenhuma abertura para ideias que possam mesmo que em pensamento contribuir para algo que, ao meu ver, é negativo.

“Mãe, o que é dentuça?”

Nem vou entrar no assunto do quanto não quero que ela entenda que pode usar características físicas para ofender os outros. E toda vez que ela me pede para ler a Turma da Mônica, eu sigo inventando uma historia sem pé nem cabeça e me lembro que tenho que colocar os gibis numa caixa lá no fundo da garagem.

Ex corde.

 

 

*** Editado em 9 de agosto de 2018 – Veja abaixo ***

 

O meu post de 2012 “Como é ser casada com um militar americano?” gerou uma série de emails e comentários de dois anos para cá vindo de mulheres brasileiras que conheceram militares americanos pela internet e começaram a se relacionar à distância. A informação que chegou até a mim é que elas foram abordadas em sites de relacionamento e/ou em sites “de ajuda com o idioma”. Eles dizem que são militares americanos e que estão em uma posição de liderança em zona de guerra e que não podem viajar, mas falam em casamento, em ir ao Brasil e tudo mais para criar esperanças de um relacionamento amoroso de sucesso.

Aí vem a parte do golpe. Uns dizem que se a noiva/namorada pagar uma taxa, ele pode ser liberado da missão militar e viajar para encontrar com ela. Outros dizem que para viajar para o Brasil é preciso pagar uma taxa para pedir uma licença militar de emergência, mandam documentos ‘oficiais’ com papel timbrado. Dizem que precisam pagar alguém para ficar no lugar deles. Ou dizem que é a taxa cobrada pelo Exército. Vi também uns que querem pagar para registrar a noiva como militar. As desculpas para pedir dinheiro são quase ilimitadas. Nada disso é legítimo. Não existe taxa para pedir licença. Exército, Força Aérea, Fuzileiros Navais ou Marinha não mandam nada para ninguém que não é familiar imediato (amiga, namorada, noiva, etc). Militares americanos não precisam que ninguém preencha formulário nenhum. A quantidade de documento falsificado é enorme. Não caia no golpe. Não envie dinheiro pela internet para ninguém.

Se você tiver se envolvendo amorosamente com alguém pela internet e o sentimento for recíproco, ele vai encontrar uma forma e todo dinheiro do mundo para ir te encontrar.

E se você já ouviu ou viveu algo parecido, divide nos comentários abaixo. A informação é a arma mais poderosa que existe.

Ex corde.

Links em inglês sobre o golpe:

Página do Facebook

Exército americano avisa público sobre o golpe

Investigação do Comando Criminal do Exército

*** Editado em 9 de agosto de 2018 ***

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Tudo muito.

Tem sido 15 meses de muito. Em quantidade e em intensidade. Após uma mini pesquisa de campo (ha ha ha) hoje eu posso afirmar que a personalidade da minha filha transformou o que já é muito em algo maior que um bebê “normal” traz na vida de um casal. E o muito que ela traz é justo: tem muito de tudo. A alegria no coração é tão difícil de pôr em palavras quanto o desespero que bate ao lidar com uma menininha tão determinada e de personalidade tão tão forte. O desespero é porque a meta é fazer direito. Fazer de qualquer jeito é mole. Agora fazer a coisa certa sem perder a doçura e graciosidade no meio do caminho é algo que às vezes parece quase impossível. Mas eu sei que não é. Só que para mim vem com dor. Isso porque ela me apresentou para as minhas imperfeições de um jeito que eu nunca tinha sido apresentada antes. O sabor é amargo e é difícil de engolir. Mas para fazer direito não há atalhos. Nem delegação de função. É preciso enfrentar. Eu e o Marido vamos levando umas pauladas doloridas ao olhar para dentro e perceber o muito que precisamos mudar para ser os pais que ela merece ter. Nossos fantasmas andaram assombrando mas aos poucos vamos botando ordem na casa. A nossa caminhada é longa. Só que agora com uma alegria no coração que até então não conhecíamos. Com um propósito maior que já tem mais de 75 cm de altura, uma voz forte e opiniões seguras.

A saudade que tenho de escrever aqui também é muita. O oposto da quantidade de tempo que me sobra. Mas com as coisas um tanto mais organizadas eu espero voltar aqui mais vezes. Tenho muito o que atualizar!

Ex corde.

Nada mais apropriado para quebrar um jejum de posts falando de comida.  Mais gostoso ainda quando se trata de sobremesa!  Mas atenção: se você está querendo perder alguns quilos extras como eu (Hello, baby fat!), não continue lendo essa página porque o que vem a seguir não vai contribuir em nada. 

Ou se joga na sobremesa como eu me joguei and be happy :)

Pudim de pao americano _ Ex corde

O pudim de pão americano não me lembra nem um pouco o pudim de pão brasileiro.  Eu demorei a simpatizar com ele porque eu achava que não valia a pena as calorias de uma sobremesa feita de pão.  Mas como o Marido sempre pede o bread pudding em restaurantes (é uma das sobremesas favoritas dele), eu acabo provando sempre.  Foi assim que aprendi a gostar.  E gostei tanto que aprendi a fazer em casa.  Você tem pão velho aí?      

Pao Frances_Ex corde

Quer testar essa receita?  É só começar cortando o pão francês em cubos. 

Ingredientes Pudim de Pao_Ex corde

Leve uma panela ao fogo médio para fazer uma mistura para molhar o pão: derreta a manteiga, adicione o leite, o açúcar, a canela, a essência de baunilha e uvas uva passas.  Mexa até o açúcar se dissolver.  Apague o fogo e acrescente uma colher de sopa e meia de rum.

Bread Pudding_Ex corde

Despeje a mistura no pão francês cortado em cubos e deixe por uns 30 minutos até o líquido ser absorvido.  Em seguida, acrescente 4 ovos batidos.     

Bread Pudding  _ Ex corde

Transferir o pão para uma assadeira untada e levar ao forno por 40-50 minutos.

Bread Pudding ready to bake_ Excorde

Descobri que o tamanho da assadeira afeta o produto final.  Para fatias de pudim de pão mais altas com uma textura mais mole e molhada, uma assadeira quadrada de aproximadamente 20 cm (9 inches) é o mais indicado.  Para fatias mais finas com uma textura mais seca quase crocante, uma assadeira retangular de 22 x 30 cm (9 x 13 inches) deve ser usada.  Fica ao seu gosto!

Bread Pudding _  Excorde

Enquanto o pudim de pão estiver assando, é hora de fazer a calda de manteiga de rum!  É só misturar na panela em fogo baixo a manteiga, o açúcar e o creme de leite mexendo sempre até o açúcar se dissolver.  Cuidado para não deixar ferver porque senão a calda cristaliza e a textura muda.  Não fica bom.

Bread Pudding _ Excorde

Apague o fogo e acrescente o rum.  Essa belezura é que dá todo o toque especial nessa calda.  Que calda!  E a calda do pudim de pão americano é poderosa – pode transformar no melhor pudim que você já comeu ou no pior.  Eu usei um rum escuro que trouxemos da Jamaica, mas já li que dá para fazer com conhaque também .  Use o que você tiver à mão.

Pudim de pao americano_ Excorde 

E quando o pudim estiver dourado por cima, tire do forno, corte em fatias e sirva quente mesmo acompanhada da calda de manteiga de rum igualmente quente.  Uma bola de sorvete de baunilha vai ajudar a alcançar a perfeição.

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O negócio é bom demais, minha gente!

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Receita do Pudim de Pão Americano com Calda Quente de Manteiga de Rum

 

INGREDIENTES

Para o pudim

    7-8 xícaras de pão francês cortados em cubos

    • ¾ xícara de açúcar mascavo

    • 3 xícaras de leite

    • 4 colheres de sopa de manteiga

    • 1 colher de chá de canela em pó

    • 1 colher de chá de essência de baunilha

    • ⅔ xícara de uva passas

    • ¼ xícara de rum, dividido

    • 4 ovos batidos

Para a calda

    • ⅓ xícara de creme de leite

    • 1 xícara de açucar granulado

    • ½ xícara de manteiga

 

INSTRUÇÕES

  1. Para o pudim de pão, corte o pão francês em cubos e coloque numa vasilha grande.  Numa panela média sob fogo baixo, derreta o açúcar mascavo, leite, manteiga, canela, essência de baunilha, uva passas e uma colher de sopa e meia de rum.  Mexa constantemente até o açúcar dissolver.  Coloque a mistura junto com o pão cortado em cubos e deixe por 30 minutos.
  2. Aqueça o forno a 180 graus C.  Adicione 4 ovos batidos na mistura de pão e misture gentilmente.  O pão deve ficar completamente saturado com o ovo e a mistura de leite.  Transfira para uma assadeira untada e leve ao forno por 40 – 50 minutos até dourar.  Não deixe assar demais para que o pudim não fique seco.
  3. Para a calda, derreta a manteiga com o açúcar granulado e o creme de leite em uma panela em fogo baixo.  Não deixe ferver para que a calda não cristalize.  Quando todo o açúcar dissolver, retire a panela do fogo e acrescente 1½ colher de sopa de rum.  Cubra a fatia de pudim de pão com a calda quente antes de servir.

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Ex corde.

Uma saudade do agora

A vida mudou bastante com a chegada dela.  A demanda é enorme e em tempo integral sempre acompanhada de muito choro. Consigo ganhar um pouco mais de foco no meu trabalho de mãe ao lembrar que o chorôrô é parte normal do desenvolvimento infantil e, que por enquanto, é a única maneira dela se comunicar com a gente.  Mas ainda assim o ouvido dói.  A cabeça dói mais ainda por causa do déficit de sono (e olha que ela dorme bem a noite).  Tem ainda o cansaço da amamentação em livre demanda e o resultado é uma pessoa zumbificada – uma morta viva com olheiras roxas perambulando pela casa dia e noite.  E já percebeu que zumbi é um bicho descabelado que anda sempre com a mesma roupa suja?  Pois é, porque tomar banho era (é?) artigo luxuoso de primeira categoria.  É só pra quem pode!  E trocar de roupa pra quê se em 5 minutos ela vai golfar leite azedo em mim?  Ou os peitões vão vazar loucamente?  Mas você só percebe que o negócio tá ruim quando a sua mãe te vê no Facetime e a primeira coisa que ela fala é pedir para você pentear o cabelo.  Com tanta falta de sono + muito choro no juízo, a única coisa que eu consigo pensar é em como vou sobreviver.  Perceba que já passei do estado de pensar se vou sobreviver.  Jogar na parede?  Colocar no forno?  Deixar se esgoelar sozinha até cansar?  Não cheguei a tanto, mas aprendi a não julgar nenhuma mãe que toma alguma medida drástica.  O negócio é seríssimo!  Não é a toa que deixar nego sem dormir é um método de tortura. 

Aí no meio do caos ela dá um sorriso, fica no swing por mais de 15 minutos sem chorar, senta na cadeirinha de boa, dorme por horas sem interrupções, me dá uma trégua.  Eu consigo fazer xixi.  Ou almoçar com garfo e faca sentada a mesa.  Ou pentear o cabelo (oi, mãe!).  Ou escrever um post para o blog.  É quando tudo aquilo que verdadeiramente importa volta a fazer sentido na minha cabeça.  Hoje mesmo gastei toda a bateria do meu celular tirando fotos dela porque ela está mudando muito rápido e eu não quero esquecer de nada.  Me dei conta que ela não é mais aquela bebezinha de pele enrugada que mal abre o olho.  Ela já sustenta o pescoço sozinha e interage com os olhões abertos.  Aquilo que eu tinha nos meus braços há algumas semanas, eu já não tenho mais.  E o meu coração apertou.  Queria ouvir todos os barulhinhos (gori gori) que ela faz mais uma vez porque “e se ela nunca mais der aquela respirada funda gostosa após mamar?”  Minha filhotinha só tem dois meses de vida e eu já estou com saudades de quando ela era “pequenininha”?  Ela dormia tranquilamente no meu colo hoje mais cedo e eu registrava com a câmera do celular aquilo que eu queria lembrar lá na frente.  Foi aí que um sentimento que eu nunca tinha sentido antes me consumiu loucamente: uma estranha saudade do agora.

Essa coisa de maternidade é uma loucura mesmo!  

Ex corde.

Nasceu!

Ex corde Baby Girl 2

A chegada da nossa filhota foi antecipada, cheia de sustos e emoções.  Foi um trabalho de parto longo, complicado e dolorido para nós duas, mas que felizmente terminou tudo bem!  Tudo teria sido muito mais difícil sem o Marido ao meu lado respirando junto comigo a cada contração, segurando a minha mão e estando ao lado dela quando precisaram levá-la para longe de mim.  E até hoje ele está sendo incrível tornando toda essa fase de adaptação da vida com um recém nascido em casa mais gostosa!  E eu sei que assim será pela frente!   

E aquele amor incondicional que muitas mulheres sentem imediatamente após descobrirem o resultado positivo do teste de gravidez – e que não aconteceu comigo, surgiu como uma avalanche em frações de segundos após ela nascer tomando conta de mim.  Foi imediato.  Estranho.  Louco.  Delicioso.  A sensação é de que eu já a conheço a minha vida inteira e não apenas dezesseis dias.  Vai entender!

Então assim seguimos com as noites mal dormidas, com os dias preguiçosos onde aproveitamos a licença paternidade do Marido para aprender juntos o que cada expressão significa, o que ela gosta e não gosta e para nos apaixonarmos mais e mais por cada pedacinho dela.

Ex corde.