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Archive for junho \29\-05:00 2012

Uma das maneiras que o Texas é conhecido nos Estados Unidos é através do verão praticamente todo de três dígitos.  Explico.  Quando a medida de temperatura usada por aqui (Fahrenheit) atinge 100 graus, significa que o clima está indiscutivelmente quente demais.  Isso deve dar quase uns 38 graus Celcius, o que não assustaria tanto os brasileiros se não fosse o fato de ser apenas o ponto de partida do calor texano.  Essa semana fez 105° F, o que fez eu me sentir quase derretendo e que derreteu – literalmente – um pacote de gotas de chocolate que eu levava no carro.  Eis a prova abaixo depois de algumas horas na geladeira para solidificar.

Gotas de Chocolate Derretidas_Ex corde

O pior é que ainda falta muito para voltar para os amenos dois dígitos abaixo de 80° F.  Há quantos poucos dias o verão começou mesmo?

Ex corde

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Acabei de voltar do banheiro com um sorrisão no rosto.  Encontrei com o velhinho cor-de-rosa que frequenta a biblioteca todas as manhãs.  Ele senta naquelas cabines de estudos individualizadas com o jornal do dia, um rádio, fones de ouvido, papel e caneta.  Todo dia.  E ele escreve muito.  Não sei o quê, mas a folha fica cheia!  Ele tá sempre bem humorado.  Uma vez chegamos juntos no estacionamento.  E eu irritada – com o calor, com o sol, com o peso dos livros, com a vida, com tudo – acabei me irritando mais ainda por ter ficado atrás dele naquele caminho de cimento que leva até a porta da  biblioteca.  Pensei em ultrapassá-lo pelo meio da grama, mas desisti.  A minha impaciência ia ficar meio óbvia demais e até grosseira.  Fui lentamente seguindo o velhinho.  Ele andava meio encurvado, imaginei as possíveis dores de artrite inerentes ao envelhecimento humano.  Mas ele pisava firme com seu tênis preto.  Não deveria conhecer o tal do Parkinson.  Aí lembrei que ele tinha vindo dirigindo.  Olhei para trás e vi seu carro na vaga preferencial melhor estacionado que o meu.  A sua saúde física deve ser boa.  Ao chegar na entrada da biblioteca, ele abriu a porta e me deu passagem com um sorriso no rosto.

-  Que tal um velho de 89 anos abrindo a porta para você?, ele me disse.

A gentileza dele foi um tapa na minha cara.  Me senti envergonhada por me irritar demais simplesmente porque estava calor.  Ou porque ele estava andando devagar na minha frente me atrasando 5 minutos.  Onde estava a minha leveza de espírito?  O que será que aquele velhinho deve ter vivido naquelas quase nove décadas de vida e ainda assim não perdeu a sua espirituosidade?  Para ele frequentar a biblioteca da base, ele deve ser um militar aposentado.  Será que ele lutou na guerra do Vietnã?  O que será que seus olhos já devem ter visto?  Seria ele viúvo?  Ele passa as manhãs inteiras sozinho na biblioteca.  Seria ele solitário?  E por mais que a saúde seja boa, a idade traz limitações.  Só que ele não se limita e sai de casa todos os dias.  Putz, quantas vezes eu mesma já me limitei me entristecendo e me fechando na minha concha só por não ter as coisas do jeito que eu queria?  Ou no meu tempo?  Eu olho para o velhinho da biblioteca e me faço uma série de questionamentos.  Será que ele preferiria estar em outro lugar fazendo alguma outra coisa?  Talvez sim, mas ele não deixa de demonstrar interesse e um certo entusiasmo com o agora.  Com a sua careca rosinha, seu rosto enrugado, andar demorado e corpo encurvado ele me faz pensar na vida com mais energia.  No mínimo curioso!

E é inspirada pelo velhinho que eu não vou reclamar que esse blog tá muito chato com esse papo de biblioteca.  Eu ia.  É que as coisas na vida são assim mesmo.  Algumas vezes mais dinâmicas, mais rápidas e mais divertidas.  Outras vezes menos interessantes.  Um blog que reflete facetas da minha vida não poderia ser diferente.  Aí lembrei daquela historinha de que tem hora para plantar as sementes e que tem hora para colher os frutos.  Estou definitivamente plantando (no sentido figurado) cada etapa chata, porém necessária.  Aí quando desanimo um pouco, lembro do velhinho da biblioteca para me sentir mais energizada.  E por falar em plantar, preciso dividir aqui as fotos das minhas cenouras, do pé de tomates e das pimenteiras.  Estão tão grandes que dá até orgulho quando lembro que fui eu quem plantei as sementes!  E assim vou eu plantando e colhendo as sementes nessa vida.

Ex corde.

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Enquanto estávamos tomando café da manhã na rua outro dia, eu servi uma porção de frutas cortadas em cubos.  Sentei ao lado do Marido e, sem nem perguntar se ele queria, já fui levando um pedaço de abacaxi na direção de sua boca.  Ele adora essa fruta e eu simplesmente não pude antecipar a cara feia que ele fez antes de me dizer:

– You’ve ruined me.

Ele fez um esforço para engolir.  Daí em seguida completou dizendo que eu tinha o arruinado por ter criado o hábito de comer abacaxi fresco.  A culpa é toda minha que agora ele não consegue mais comer um abacaxi enlatado que antes ele comia numa boa.  Demos uma boa gargalhada.  Fui então provar o coitado do abacaxi.  Era extremamente doce, mas não o doce natural da fruta.  Quase uma calda açucarada com um quê artificial no sabor.  Peguei outro pedaço de fruta amarela que não consegui reconhecer qual era.  Provei.  Era o mesmo gosto do abacaxi.  Peguei um pedaço de fruta meio alaranjada que também não reconheci.  Provei.  Marido perguntou se era mamão.  Adivinha?  Tudo tinha o m-e-s-m-o gosto.  Mais gargalhadas com ele se recusando a provar. 

-  É amor, eu te arruinei mesmo!

Ex corde.  

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Lembrete

Eu estava quase chegando na base militar na segunda-feira quando um carro de polícia fechou a rua movimentada em que eu estava por pelo menos uns cinco minutos.  Um comboio de motos vinha pela via auxiliar e com a ajuda  da polícia assim conseguiu passagem sem precisar disputar espaço no trânsito.  Ao chegar na entrada da base, a quantidade de carros de polícia chamaram a minha atenção.  A movimentação atípica também se estendia para dentro dos portões.  Havia muita gente andando nos gramados, nas calçadas.  Vários grupos de militares uniformizados se aglomeravam em diversos pontos.  Cada poste de luz tinha uma bandeira americana.  Pude perceber que aquilo não era comum, já que agora eu venho aqui todos os dias.  Contei que descobri que a biblioteca da base militar era tudo que eu precisava?  Pois é, o ambiente é perfeito para estudar mesmo tendo crianças (aprende como faz,  SAPL) e aviões decolando & pousando o dia todo.  É que a biblioteca fica do outro lado da rua de uma pista de pouso não muito longe do prédio onde o treinamento de vôo dos pilotos acontece.  E na manhã de segunda havia muitos militares uniformizados no caminho até a entrada da biblioteca, que não é tão perto assim.  Tinha gente até na entrada da pista e as ruas adjacentes estavam bloqueadas com cones.  Definitivamente aquilo não era comum.  Então que ao longo do meu estudo, precisei de uma pausa para desanuviar a mente e fui atrás de saber o que estava acontecendo na base.  Foi quando descobri que o corpo de um militar morto no Afeganistão tinha chegado na pista aqui do outro lado da rua.  Os grupos de militares uniformizados se alinharam ao longo das ruas da base militar para prestar continência conforme o cortejo fúnebre ia passando – da saída do avião até a saída da base.  Uma homenagem grandiosa que conseguiu afetar a rotina da base a ponto de ser percebida por mim ao passar rapidamente a caminho da biblioteca.  Ao invés de deixar a cabeça mais leve, fiquei com ela cheia.

Vídeo em inglês, aqui.

Não vou falar sobre militarismos tampouco queria entrar naquele papo chato típico de email genérico de auto-ajuda sobre a importância de dar valor ao que temos e blá-blá-blá, até porque a insatisfação humana é mais forte que qualquer pensamento que siga esta linha – para uns mais e para outros menos dependendo da bagagem de vida de cada um.  Vou falar sobre uma constatação pessoal: me dar conta de que um caixão enrolado com a bandeira americana vindo da guerra saía de um avião militar há poucos metros de mim, me fez lembrar da bomba relógio que me acompanha.  É então impossível não revisitar sentimentos doloridos com situações que me lembram quão vulnerável estou na posição de mulher de militar americano.  Fico desconfortável, mas é incrível como tal incômodo carrega consigo algo verdadeiramente positivo.  Cheguei em casa e senti uma felicidade enorme ao encontrar o meu marido.  Dei o abraço mais forte que consegui só para ouvir o seu coração batendo perto de mim.  Às vezes me sinto uma boba por SUPERVALORIZAR coisas tão ordinárias assim, mas fazer o quê se eu só conseguia agradecer mentalmente aos céus por aqueles segundos agarrada com ele?  Fazer o que se a vontade de escrever sobre isso era enorme?     

Marshmellow Heart_Ex corde

Só gostaria de alcançar um estágio evolutivo em que não fosse preciso lembretes relacionados com morte para acionar o meu botão da valorização sincera de quem eu tenho na vida.  Deveria ser automático de fábrica. 

E que situações acionam o seu botão?    

Ex corde.

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