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Archive for julho \31\UTC 2012

Estressada? Eu?

Eu fui uma criança que aprendeu desde cedo a dizer não para Fanta Laranja, Fanta Uva e Crush.  Também não podia comer balinhas de morango, salgadinhos tipo Fandangos e às vezes nem biscoito recheado de chocolate.  É que eu cresci tendo reações alérgicas a conservantes (sulfitos) e corantes alimentícios artificiais.  A alergia começava se manifestar com um calorão no rosto.  Sentia tudo esquentar ao mesmo tempo que gradualmente a pele mudava de cor – um rosa avermelhado.  Daí o vermelhidão inicial ganhava o formato de placas preenchidas com a minha cor pálida natural.  Nas primeiras vezes em que isso aconteceu (e eu não sabia o que era), comecei a perceber que estava mais difícil respirar.  Uma ligação de emergência para o pediatra e lá vai eu sendo levada para uma farmácia tomar uma injeção (não lembro de que).  Após algumas crises ao observar a minha alimentação e tentar traçar uma causa-e-efeito, chegamos a conclusão que cores artificiais óbvias deprimiam o meu sistema respiratório.  O medo dos médicos era que evoluísse para um choque anafilático com edema de glote.  Carreguei por muitos anos uma bombinha broncodilatadora comigo.  Hoje não tenho mais essa alergia quando como coisas artificias, mas também confesso que quase não escolho produtos do gênero pela simples falta do hábito.

Até que ontem tive um flashback.

Um calorão esquentando o rosto começou do nada.  Orelhas queimando.  Pescoço cheio de placas vermelhas.  Dei uma respirada funda, mas não encontrei dificuldades para encher o pulmão.  Comecei a listar mentalmente o que tinha ingerido até aquele momento.  Café com leite, uma banana, um pêssego e água.  Poderia ser um revival da minha alergia?  Dei um tempo.  Meia hora depois e eu conseguia sentir meu rosto em chamas.  Passei a mão na testa e tomei um susto com a textura da pele.  Corri pro banheiro da biblioteca.  Eu estava simplesmente toda empolada.  Um rash absurdo tomou conta do meu rosto com patacas caroçudas avermelhadas everywhere.  Lavei o rosto com água fria para ver se baixava a temperatura.  Não lembro de ter ficado assim antes nem nas minhas piores crises alérgicas.  Como a respiração continuava tranquila e não havia nenhum alimento “perigoso” na minha lista, deixei quieto.  Voltei para a mesa pensando o que estava fora da minha rotina e que poderia ter ocasionado o ataques de bolotas.  Ahá.  Tinha usado um protetor solar novo pela primeira vez na manhã de ontem e concluí que minha pele não gostou muito dele.  Faz sentido, não faz?  Administrei o calorzão facial pelo resto do dia controlando o diâmetro médio das bolotas com as pontas dos dedos.  Voltei para casa no fim do dia parecendo um maracujá de gaveta e fui logo mostrando para o Marido porque eu não podia usar aquele protetor solar.

-  Tá estressada?, ele me perguntou.

-  Não tô me sentindo estressada, não.  Foi o protetor.

-  Tem certeza?

-  Hum rum.

Aí lembrei que o calorzão começou a subir enquanto eu revisava bioestatística, analisando gráficos com desvio padrão, intervalos de confidência, odds ratio, meta análises, análise de variâncias e covariâncias, chi-quadrado, cálculo de risco relativo, risco absoluto, NNT… E toda a parte de doenças infecciosas estava esperando para ser a próxima a ser revisada na pilha de anotações ao lado.

-  É, amor, tenho certeza que foi o protetor solar.     

Ex corde.       

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O bom e velho efeito placebo

Aqui nos EUA há pelo menos uns três tipos de heras bastante conhecidas por liberarem um óleo (urushiol) responsável por reações alérgicas ao entrar em contato com a pele.  O poison ivy é bem conhecido na costa leste americana enquanto poison oak e poison sumac são mais comuns na costa oeste.  Fui aos poucos me familiarizando com a existência dessas plantinhas e aprendendo a tomar cuidado, mas só compreendi verdadeiramente do que se trata quando trabalhava na farmácia.  O início da primavera é marcado pela enorme quantidade de pessoas correndo farmácia a dentro com braços e/ou pernas empelotadas, edemaciadas, inflamadas, com uma coceira e vermelhidão de dar dó.  [Só não perde para a multidão alérgica ao pólen que literalmente esgota Alaway e Zaditor das prateleiras.  A sazonalidade é mesmo extremamente previsível, não acha?]  Claro que não precisou muito para que eu tivesse a recomendação na ponta da língua – caladryl e compressa de água fria ou aquele produtinho ali com solução de alumínio.  Se o negócio tivesse infeccionado ou com sangue, corre para o hospital porque a reação alérgica é das brabas e um esteróide sistêmico que só é comprado com prescrição médica provavelmente vai ser necessário.

Tô contando isso tudo para contextualizar uma história que lembrei enquanto revisava o capítulo de formulações dermatológicas.  Aconteceu na primavera exatamente como descrito acima.  Uma senhora esbaforida adentrou a farmácia chorando e foi contando que estava cuidando do jardim de casa quando sentiu aquela coceira, vermelhidão e desconforto.  Ela achava que tinha tocado em algum pé de poison ivy e estava desenvolvendo uma reação alérgica.  Já tinha visto umas vinte pessoas só naquela semana com a mesma reclamação.  Depois de uma olhadinha rápida para conferir se não era preciso encaminhá-la para um hospital, pedi que ela me acompanhasse até o corredor de remedinhos vendidos sem receita, over the counter (ou ainda, OTC).  Para quem nunca teve a chance de entrar numa farmácia americana eu digo que a infinidade de formulações genéricas e de marcas de um mesmo produto é exaustiva só de olhar.  Mesmos os americanos se perdem com as muitas opções disponíveis e eu aprendi na prática que era mil vezes mais rápido largar tudo o que eu estava fazendo, passar pela portinha da farmácia, caminhar pelos corredores e me dirigir até a prateleira onde a recomendação se localiza.  Não adianta muito dizer corredor 3A, do lado direito, terceira prateleira de baixo para cima, um vidro rosa do lado das pomadas.  Contei nos dedos as raras vezes que isso funcionou.  Assim então levei aquela senhora até os vidros de Caladryl.  A pele dela estava visivelmente ficando mais vermelha e por isso o desespero dela aumentava.  Imagino a coceira dos infernos, mas acho que o choro dela estava escalonando mais rapidamente do que a a própria dermatite.  Aí o seguinte diálogo se desenrolou:

-  Tá aqui, senhora.

-  Caladryl?  Mas você não tá vendo que essa alergia está muito ruim? 

-  Sim. 

-  Não tem um remédio mais forte?

-  Este produto é a melhor recomendação OTC.  A senhora precisa ir para casa, lavar a área com água e sabão para remover qualquer resíduo da planta, aplicar o produto e se acalmar.

-  Já lavei várias vezes e não melhora.

-  Com o produto agindo na pele, a senhora vai se sentir melhor.

-  Mas você não tá entendendo a dor que estou sentindo.

-  Senhora, o Caladryl possui um analgésico justamente para tratar a dor.

– Eu preciso de um remédio mais forte!

Ela ignorou o que eu tinha acabado de dizer e seguiu desesperadamente para a prateleira do lado.  Olhou, olhou, olhou.  Pegou um vidro de uma formulação tópica em gel de um antihistamínico conhecido e me perguntou se aquilo ia fazer mal.  Bom, eu comecei dizendo que mal não ia fazer, mas que… Não consegui terminar a frase antes dela espremer metade do vidro nos seus braços e pernas ali no meio do corredor mesmo.

– AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! Parou de coçar!  Eu precisava mesmo de um remédio mais forte!  Estou me sentindo muito melhor agora!

Ela seguiu para pagar o produto no caixa mais calma e sem chorar.  E eu voltei para dentro da farmácia pensando como o velho e bom efeito placebo faz milagres!  Sim, porque o produto escolhido por ela ainda não conseguiu ter a sua eficácia comprovada para formulações tópicas.  

Ex corde. 

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5 Anos_Ex corde

❤❤❤❤❤

5 Anos de Casados_Ex corde

❤❤❤❤❤

Happy 5th Anniversary_Ex corde

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Wedding Anniversary_Ex corde

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O mais gostoso de tudo é olhar para esses anos e perceber que conseguimos elevar dias comuns à categoria de datas especiais – como a de ontem! 

Ex corde.

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Pipoca de microondas nunca mais!

Sou uma ávida comedora de pipoca.  Como sempre e por isso não deixo faltar nunca.  Até que outro dia, seduzida pela diferença de preço, eu trouxe para casa um pacote de milho para pipoca.  Usei uma panela comum com tampa de vidro para conseguir observar os milhos estourarem.  Munida com um pano de prato, lá fui eu toda desengonçada chacoalhar a panela para não deixar queimar.  E não é que deu certo?  A pipoca ficou melhor do que a de microondas.  Olhei para o saco de milho praticamente intacto e percebi como rende!  Precisei de um 1/4 de xícara apenas para fazer a mesma quantidade (ou até um pouco mais) que um pacote de microondas.  Uma caixinha (da marca que eu gosto) com três pacotes de pipoca de microondas custa $1.50 no lugar mais barato.  Tentei fazer uma matemática rápida de cabeça, mas lembrei que aquele pacote de quase um quilo de milho tinha custado noventa centavos apenas.  Me distraí com a obviedade da minha economia e desisti dos cálculos.  A panela de tampa de vidro virou então a fazedora oficial de pipoca da casa alternando entre a pipoca salgada e **Rufem os Tambores** a pipoca doce.  Um pouco de óleo, milho, açúcar mascavo, açúcar comum e sal dá nisso:

Pipoca doce de panela_Ex corde

Marido virou fã do sabor muito mais gostoso da pipoca de panela, mas estava achando aquele meu malabarismo com o pano de prato um tanto demais na hora de mexer o milho.  Improvisação não é um ponto forte na cultura local, sabe?  Daí ele sugeriu um upgrade: uma pipoqueira de verdade!  E eu acatei!  Ele comprou uma parecida com essa que é maior que a panelinha com tampa de vidro, ou seja, não preciso fazer vários rounds de pipoca.  Bônus!  E acredite se quiser, o sabor da pipoca consegue ser melhor do que a pipoca da panela comum que eu vinha usando.  Alguém também sente essa diferença?

Pipoca doce_Ex corde

Então, ultimamente estamos nos deliciando com uma pipoca duplamente mais saborosa que aquela de microondas. E por isso repito: pipoca de microondas nunca mais!  Até porque nenhuma marca de microondas consegue fazer uma pipoca doce assim, né?

Ex corde.

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