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Archive for agosto \23\UTC 2012

Depois de muito estudar, semana passada eu finalmente fiz o Naplex (North American Pharmacist Licensure Examination)O resultado saiu segunda-feira e olha só que belezura: PASSEI!  Todo mundo junto: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ :)    

Congratulations by Hubby_Ex corde

*  Rolou uma surpresa preparada pelo Maridão com direito até a faixa no meio da sala! ♥

E eu ainda estou processando o fato de que essa etapa gigante foi vencida por mim!  É que tive tantos obstáculos neste último ano que, por muitas vezes, a idéia de passar na prova nacional de licenciamento para farmacêuticos americanos me parecia algo quase utópico. 

Estudando na Biblioteca da Base Militar  * Estudando no melhor lugar ever: sala privativa & silenciosa da biblioteca da base militar.

Sabe aquelas fantasias que às vezes a gente idealiza tanto?  Tô tão perto de transformar uma delas em realidade que às vezes fica difícil de acreditar.  Obviamente que nada está acontecendo como um passe de mágica ou no estalar de dedos! 

More Study Notes_Ex corde  *  Estudar fazendo anotações é muito eficaz, mas dá um trabalhão! 

Tive (e ainda tenho) que ter muita dedicação, muito trabalho, muita paciência & persistência, muito foco, um saco enorme para os longos dias de horas ininterruptas de estudo, e claro, acreditar que vai valer a pena.   

Estudando na Biblioteca Publica   * Estudando na biblioteca pública que proporciona o pior ambiente de estudo que já vi.

Sempre soube que o negócio não ia ser fácil.  Qualquer farmacêutico estrangeiro fica desanimado ao se deparar com as instruções para exercer a profissão nos EUA.  Pô, qualquer pessoa não-farmacêutica cansa só de ler a longa lista requerida.  E eu não fui diferente, mas ao mesmo tempo também nunca consegui cogitar a possibilidade de não tentar. 

Estudando  * Estudando em casa enquanto o sol brilhava lá fora.  É depressivo, acredite!

Sempre soube das dificuldades desse processo, mas não sabia que isso tudo ia me trazer um conhecimento pessoal valioso.  Fui descobrindo, aos trancos & barrancos, que a minha profissão faz parte da minha identidade.  Claro que eu sempre tive uma noção de que parte de quem eu sou engloba a minha carreira profissional, mas eu só pude constatar como a falta do meu trabalho me afeta quando eu não pude mais trabalhar na minha área.  Curiosamente, a idéia de não ter que trabalhar era muito legal a princípio.  Tive a oportunidade de me adaptar na cultura local no meu tempo e eu pude fazer tudo aquilo que não conseguia antes por estar sempre ocupada demais com o trabalho.  Só que chegou uma hora que isso cansou e eu já estava muito bem adaptada, obrigada.  O meu processo profissional já estava em andamento quando todo o tempo livre do mundo para fazer o que eu quisesse caiu numa mesmice sem um objetivo concreto.  Foi quando eu passei a me dar conta do quanto a minha profissão é parte até da minha personalidade.  Meu paciente Marido levantou essa questão quando eu comecei a trabalhar para acumular as horas práticas requeridas pelo processo.  Ele teve o prazer de conviver por um ano com uma pessoa mais equilibrada ou, como dizem por aqui, a well-rounded person.  Ele percebeu o impacto que a minha profissão tem na minha sanidade, no meu humor, na maneira como eu me vejo, na minha relação comigo mesma e na minha relação com ele.  E é exatamente isso mesmo! 

Cafe e Canetas Coloridas_Ex corde  * Sendo motivada pelo café e muitas canetinhas coloridas (não me julguem, haha!). 

E se você tiver se perguntando o que falta para esse processo acabar, falta a parte legal da coisa.  Legal, de lei, legislação.  Como os estados americanos possuem leis diferentes, o processo de licenciamento é dividido em duas provas: conhecimentos clínicos (NAPLEX de nível nacional) e legislação farmacêutica (nível estadual).  Para exercer a profissão em diferentes estados americanos é necessário passar na prova de legislação referente ao estado em que o profissional deseja trabalhar.  Já comecei a folhear a legislação, mas estou usando a maior parte do meu tempo para dar uma organizada na vida.  O intensivão de estudos deixou todo o resto bagunçado e o blog abandonado!  Aos poucos vou me refazendo.  Guardei os meus livros e anotações com um sorriso enorme no rosto por saber que não precisarei mais deles.  

Anotacoes no espelho do banheiro_Ex corde  *  Espelho do banheiro repleto de anotações importantes! 

Comecei a retirar todas as minhas anotações de estudo que estavam coladas pela casa quando lembrei de registrar com fotos mais uma parte dessa trajetória.  O tempo apaga muitos detalhes da minha memória e eu acho bacana a idéia de rever um pouco do meu esforço alguns anos lá na frente.

Hugo e eu_Ex corde  *  Decorando o calendário de vacinações do CDC na companhia de Hugo :)

E as muitas fotos ao longo deste post são os vários registros em momentos diferentes de estudos ao longo dos últimos meses.  Registros mal feitos em um celular ferrado geralmente naquelas horas em que faltava concentração para continuar estudando ou quando a movimentação lá fora era mais interessante do que os meus livros.  Lembro exatamente do meu sentimento quando cada foto foi batida. Não consigo descrever ao certo como me sinto ao olhá-las novamente agora que sei que passei nessa prova, só sei que é uma sensação MUITO BOA!!

Sala Privada de Estudos na Biblioteca Publica_Ex corde  *  Estudando onde ninguém sabe como se comportar em uma biblioteca pública!

E os muitos emails e mensagens inspiradoras que eu recebi de amigos, familiares & conhecidos foram tão importantes que, naquela manhã, eu realmente estava me sentindo bem confiante.  Vocês são especiais demais!!

Study Notes  *  Noites a fio de estudo de segunda a segunda agora fazem parte do passado!

Para aquela torcida silenciosa de sempre, aqui vai o meu muito obrigada!   

E vamos que vamos que o negócio ainda não acabou =)   

Ex corde.

Sobre a prova de equivalência para farmacêuticos estrangeiros ~ Foreign Pharmacy Graduate Equivalency Examination (FPGEE).

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Finalmente consegui postar essas fotos.  Olha só que barato:

Pimentas Antes e Depois_Ex corde

Contei aqui de onde veio a motivação de plantar pimentas, já que do meu paladar não foi.  Parece que a minha ignorância em relação a elas não fez muita diferença, pois os pés de pimentas estão firmes & fortes mesmo com uma grande mudança do norte para o sul do país no meio do caminho. 

 Pimentas_Ex corde (3)
Plantá-las não foi difícil.  Acho que a paciência e a persistência para chegar até a pimenta em si é o que demanda mais trabalho.  Levou praticamente 365 dias para que a gente pudesse ver pimentas no pé.  Até então tudo era meio chato e a gente quase até esqueceu delas.  Até que o calor do Texas começou a mostrar a sua cara e eu passei a me preocupar com as pimentas – nada de muita exposição solar direta e bastante água porque ô lugar seco esse aqui!  Até que me dei conta de que elas são pimentas brasileiras e, por default, deveriam tolerar calor.  Arrisquei deixá-las no solzão.  E não é que deu certo?

Pimentas_Ex corde (12)   
*  Olha o manjericão ali atrás!

Elas cresceram loucamente depois que parei de me preocupar com o clima.  Os pés estão lindos, grandes, verdes e cheios de pimentas.  Dá até um orgulhinho bobo!  É que isso é uma amostra de que o esforço traz recompensas.  Lembro da queimadura química que ganhei na mão quando coletava sementes para plantar e hoje tenho essas mini-árvores no quintal cheias de frutas :)

Pimentas_Ex corde (10)      
E achei interessante acompanhar o processo todo, desde a parte chata onde parece que nada está acontecendo até a parte mais legal onde as pimentas começam a aparecer de dentro das flores.  Dá até para fazer analogias para a vida.  E se eu tivesse desistido quando meus dedos queimaram?

Pimentas_Ex corde (7)
Muitas coisas naturalmente demandam tempo para acontecer.  Não é só sentar e esperar, pois o tempo também precisa estar aliado com o nosso esforço pessoal.  Para algumas coisas um esforço maior diminui o tempo necessário.  Para outras, o tempo será uma constante, como as sementes de pimenta que precisaram passar por todos os estágios até chegar na hora de colher.

Pimentas_Ex corde (9) 
E a hora de colher é uma hora especial principalmente se o resultado for algo que vai fazer uma diferença na vida.  Claro que as pimentinhas são ilustrativas apenas, porque afinal de contas, nem de pimenta eu gosto!  Mas eu estou me referindo aos grandes desafios pessoais que a gente enfrenta de cara limpa, sofre ao longo do caminho, se esforça bastante e depois do tempo necessário, recebe a recompensa.  É ou não é uma hora especial? 

Pimentas_Ex corde (11) 
Curti a colheita das pimentas e assisti com um sorriso no rosto o Marido prepará-las no azeite de oliva.  Com o tempo o azeite vai ficar ardido, segundo ele!  E vou também exercitando na vida prática a paciência e persistência que aprendi com essas pimentinhas.  Digo isso porque confesso que o respeito pelo tempo natural das coisas não é algo instintivo em mim.  Quem sabe um dia eu não chego lá?     

E boa semana para quem passar por aqui!

Ex corde.

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Coisas que o calor faz

Filo com calor_Ex corde

Filó tem passado os dias de verão abraçando o vaso sanitário.  Imagino que o frescor da cerâmica geladinha em contato direto com a barriga deve aliviar um pouco.  Mas acho que só um pouco, porque a carinha dela não está esboçando muito ânimo.  É, o calor deixa a gente mole mesmo!

Ex corde.

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Minha mãe me ligou outro dia e me perguntou se eu estava acompanhando as Olimpíadas.  Eu respondi que só algumas modalidades como diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão, asma e DPOC.  Ela riu.  É que a minha rotina de estudos está pesada, mas tão pesada que eu ouso comparar com a preparação de um atletla olímpico.  Aí, no domingo à noite, com o Marido viajando a trabalho, eu pude espalhar minha pilha de exercícios na cama com a televisão ligada e sem hora para dormir.  A televisão era apenas para fazer companhia (quem mora sozinho sabe como aquele barulho dá uma sensação boa), mas não consegui deixar de assistir.  Estava transmitindo as Olimpíadas.  Acompanhei um pouco de ginástica olímpica e, como de praxe, fiquei embasbacada com a facilidade que elas giram no ar.  Talvez seja porque não sei dar nem estrelinha e a minha cambalhota nunca sai em linha reta.  Talvez seja porque elas são boas mesmo!  E lá estava eu arruinando a minha programação de estudos porque não consegui tirar o olho da televisão.

Me veio na cabeça a diferença das Olimpíadas vivenciada como uma expectadora no Brasil ou como uma expectadora nos EUA.  Tô acostumada com uma vibração maior e uma torcida mais fervorosa.  As medalhas olímpicas brasileiras parecem ter um sabor diferente.  Não estou dizendo que os americanos não torcem ou menosprezam as Olimpíadas.  Não é isso.  Mas com a quantidade de medalhas de ouro que eles ganham, não dá para comparar a alegria de quando a gente ganha uma medalha suada.  Será que os brasileiros também não teriam um comportamento mais de “eu sabia” se a gente ganhasse tantas medalhas olímpicas quanto os americanos?  E essa auto-estima americana elevada me chamou atenção nos comentários dos narradores da ginástica.  Uma atleta americana esperava a sua vez.  A emissora de televisão começou a fazer uma mini-retrospectiva da carreira dela e a danada é boa mesmo: muitas medalhas, muitos primeiros lugares, pontuações excelentes, desempenho invejável.  Passaram alguns vídeos (falo mais sobre isso abaixo) para envolver o telespectador e já estava lá eu torcendo por ela.  Mas as outras competidoras estavam indo bem também e pela pontuação acumulada até um certo momento, a briga seria feia.  Foi então que os comentários começaram.  “Ela é a melhor do mundo!”, “Ninguém salta melhor do que ela!”, “Indiscutivelmente o ouro é dela!” e mais outras frases que exemplificam aquele ar de já ganhei tão facilmente confundido com arrogância.  Fiquei me perguntando se os comentaristas estavam assistindo a mesma competição que eu, pois duas outras meninas (uma russa e outra romena) tinham conseguido pontuações excelentes.  Me chamem de chata, mas aquilo me incomodou.  Primeiro porque aquilo cria no atleta uma pressão maior do que a pressão natural que existe.  Desnecessário.  Segundo porque passa uma mensagem prepotente mesmo não sendo esse o caso.  Precisa?  Terceiro porque eles estavam ali ignorando completamente o fato da atleta ser sobretudo um ser humano que pode errar.  E adivinhem?  Ela caiu sentada depois do mortal duplo.  Fiquei com pena, pois tenho certeza de que muitos sonhos foram embora naquele segundo.  Mas achei que foi um acontecimento muitíssimo apropriado para comprovar que essa sensação de já ganhei pode não passar de uma sensação apenas.  Aí os comentários seguintes seguiram a linha do “Estou chocado!”, “Não, isso não aconteceu!”, “Inacreditável!”, “Mas ela é a melhor do mundo!”… Ela era, meu caro, até sentar no pudim.  Hoje ela leva para casa a medalha de prata, que por sinal eu cresci acreditando que era um negoção!  Mas na cultura americana, ela não ganhou o segundo lugar.  Ela perdeu o primeiro, sabe como é?

Apesar da negatividade do já ganhou e da ‘banalização’ das medalhas, eu curto muito assistir os vídeos de atletas olímpicos americanos veiculados minutos antes das competições.  Claro que existe a idéia do marketing por trás de cada vídeo para promover a marca patrocinadora, mas a mensagem pessoal do atleta é quase sempre muito positiva.  Os temas variam com as modalidades esportivas e os atletas falam sobre medos, dificuldades e superações.  É uma maneira de envolver aquele que assiste e fica quase impossível não torcer por ele ou por ela.  Abaixo tem um exemplo desses vídeos.  É uma menina do Texas que foi a primeira americana a se qualificar para as Olimpíadas na primeira vez que o boxe feminino passou a ser considerado um esporte olímpico.  Tem como não simpatizar com ela?   

Aí eu entro na parte que eu mais gosto nesse clima esportivo: superações.  A televisão continuava ligada no domingo à noite quando terminou de transmitir a ginástica para começar a mostrar o atletismo.  Adoro as diversas modalidades dentro do atletismo, a dinâmica das corridas, as expressões faciais dos atletas, a concentração antes da largada, os corpos definidos.  Até que um dos competidores me chamou atenção.  Ele tinha duas próteses de fibras de carbono ao invés de pernas.  Ué, será que estão passando as Paraolimpíadas?  Não, todos os outros atletas tinham duas pernas.  Aumentei o volume para ouvir atentamente o que estava sendo dito.  Oscar Pistorius nasceu com um problema congênito na fíbula e teve suas pernas amputadas do joelho para baixo quando ainda era um bebê.  Sempre usou próteses e sempre praticou esportes.  Tentou participar das Olimpíadas de 2008, mas precisou entrar com recursos para provar que suas próteses não lhe davam vantagens.  E ele conseguiu ser aceito para a Olimpíada de Londres.  Não consigo me referir a ele como deficiente.  O que é uma deficiência mesmo?  Só sei que voltei para os meus estudos carregando aquela lição de superação física e mental comigo.  Não poderia ter recebido um estímulo melhor.

E você, tá acompanhando as Olimpíadas? 

Ex corde.

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