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Archive for the ‘Comportamento’ Category

A vida mudou bastante com a chegada dela.  A demanda é enorme e em tempo integral sempre acompanhada de muito choro. Consigo ganhar um pouco mais de foco no meu trabalho de mãe ao lembrar que o chorôrô é parte normal do desenvolvimento infantil e, que por enquanto, é a única maneira dela se comunicar com a gente.  Mas ainda assim o ouvido dói.  A cabeça dói mais ainda por causa do déficit de sono (e olha que ela dorme bem a noite).  Tem ainda o cansaço da amamentação em livre demanda e o resultado é uma pessoa zumbificada – uma morta viva com olheiras roxas perambulando pela casa dia e noite.  E já percebeu que zumbi é um bicho descabelado que anda sempre com a mesma roupa suja?  Pois é, porque tomar banho era (é?) artigo luxuoso de primeira categoria.  É só pra quem pode!  E trocar de roupa pra quê se em 5 minutos ela vai golfar leite azedo em mim?  Ou os peitões vão vazar loucamente?  Mas você só percebe que o negócio tá ruim quando a sua mãe te vê no Facetime e a primeira coisa que ela fala é pedir para você pentear o cabelo.  Com tanta falta de sono + muito choro no juízo, a única coisa que eu consigo pensar é em como vou sobreviver.  Perceba que já passei do estado de pensar se vou sobreviver.  Jogar na parede?  Colocar no forno?  Deixar se esgoelar sozinha até cansar?  Não cheguei a tanto, mas aprendi a não julgar nenhuma mãe que toma alguma medida drástica.  O negócio é seríssimo!  Não é a toa que deixar nego sem dormir é um método de tortura. 

Aí no meio do caos ela dá um sorriso, fica no swing por mais de 15 minutos sem chorar, senta na cadeirinha de boa, dorme por horas sem interrupções, me dá uma trégua.  Eu consigo fazer xixi.  Ou almoçar com garfo e faca sentada a mesa.  Ou pentear o cabelo (oi, mãe!).  Ou escrever um post para o blog.  É quando tudo aquilo que verdadeiramente importa volta a fazer sentido na minha cabeça.  Hoje mesmo gastei toda a bateria do meu celular tirando fotos dela porque ela está mudando muito rápido e eu não quero esquecer de nada.  Me dei conta que ela não é mais aquela bebezinha de pele enrugada que mal abre o olho.  Ela já sustenta o pescoço sozinha e interage com os olhões abertos.  Aquilo que eu tinha nos meus braços há algumas semanas, eu já não tenho mais.  E o meu coração apertou.  Queria ouvir todos os barulhinhos (gori gori) que ela faz mais uma vez porque “e se ela nunca mais der aquela respirada funda gostosa após mamar?”  Minha filhotinha só tem dois meses de vida e eu já estou com saudades de quando ela era “pequenininha”?  Ela dormia tranquilamente no meu colo hoje mais cedo e eu registrava com a câmera do celular aquilo que eu queria lembrar lá na frente.  Foi aí que um sentimento que eu nunca tinha sentido antes me consumiu loucamente: uma estranha saudade do agora.

Essa coisa de maternidade é uma loucura mesmo!  

Ex corde.

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O lado B do Recomeço

Ando ausente e meio anti-social.  Mais uma prova pela frente tem me feito colocar todo o resto da minha vida no final da fila de prioridades.  Me sinto ausente de mim mesma vendo os dias e as semanas voarem numa rapidez absurda.  É como se o meu corpo acordasse todos os dias para estudar e só parasse na hora de dormir.  E como se a minha mente saísse de mim e observasse essa rotina diária.  Dá um nervoso quando penso que o que está passando é a vida e que diabos eu estou fazendo com ela?  Isso tudo vale mesmo a pena?  Depois de muito queimar os miolos, descobri que estou atrás daquilo que eu acho ser a única coisa de mim mesma que restou após tantas mudanças na vida.  Não tenho problemas com recomeços.  Nunca tive.  Se algo não está bom, não tenho medo de arriscar.  Encaro o novo de braços abertos, mergulho de cabeça, me permito experimentar, tentar mais uma vez.  E o lado bom disso tudo sempre foi muito claro para mim – é excitante, traz curiosidades e uma vontade de aprender mais e mais sobre ele.  É quando eu me transformo numa tela branca pronta para ser pintada seja lá do que for.  É um mecanismo de sobrevivência brilhante!  Na minha história pessoal, essa capacidade me permitiu experimentar coisas – e pessoas, lugares, jeitos – que eu jamais desconfiei gostar.  É quando a mudança interior passa a acontecer.  Não sou a pessoa que eu era antes.  Com certeza eu não permaneceria eu mesma ainda que continuasse morando na mesma rua que nasci fazendo exatamente as mesmas coisas que sempre fiz.  Mas a pessoa que eu poderia ter me transformado certamente não seria a pessoa que eu sou hoje por causa dos desafios específicos que eu aceitei enfrentar.  Perdoe-me por afirmar o óbvio.  E já me vi em muitas situações onde eu teria que absorver o novo, ou teria que desistir.  E como desistir não faz parte de mim, eu não tinha escolha.  Só que quando absorver o novo passa a ser uma constante, muitas confusões podem acontecer dentro da cabeça.  Aconteceu na minha.  É aí que o lado B dos recomeços pesa e exige um certo foco para não se perder nessa trajetória.

Há quase uma década que eu venho abraçando o novo com muita vontade.  Fui contabilizar: foram seis mudanças em dez anos.  Novos lugares, novos amigos, novos ares.  Não apenas uma nova casa, mas também uma nova cidade, um novo estado e até um novo país.  E mais mudanças dentro do novo país.  Novas atividades, novos ritmos de vida.  Tudo novo e diferente daquilo que eu fazia & tinha.  Muito mais coisas novas sendo absorvidas até chegar no ponto em que eu me vi tendo dificuldades de me reconhecer.  A idéia que eu tinha de mim mesma ficou presa no passado e não correspondia com o meu “eu” real.  Quem sou eu mesmo?  Um monte de coisas novas que não necessariamente refletem a minha personalidade?  O que eu gosto de fazer mesmo?  Faço isso e aquilo porque é o que tem disponível onde estou agora ou porque realmente eu gosto de fazê-los?  O que me diverte?  Ou estou fazendo apenas para me sentir parte da nova realidade?  As perguntas são respondidas com mais perguntas apontando claramente a confusão de idéias que tomaram conta de mim.  E os pensamentos turbulentos se manifestaram através de sentimentos não muito confortáveis.  E tudo isso porque eu estava receptiva aos acontecimentos ao meu redor.  Mas essa consequência não é um lugar legal para estar.

Marshmellow Heart_Ex corde

Depois de uma longa & honesta conversa comigo mesma que se transformou num falatório sem fim no ouvido do meu paciente Marido, acabei conseguindo responder às minhas próprias perguntas.  A minha disciplina quase obsessiva com os estudos para tirar a licença profissional é uma busca importantíssima de uma parte de mim mesma que sempre foi minha.  Percebi que preciso ter algo que sempre foi meu.  Algo que esteve presente em quem eu fui e que esteja presente em quem eu sou.  E no meu caso onde não existe nada mais, a minha profissão preenche essa lacuna.  Não, ela não me define, mas ela me traz um senso de pertencer a alguma coisa que equilibra todo o resto.  Afinal, tudo o que me cerca hoje é estrangeiro, é diferente, é de outra cultura, é de outra língua.  É algo que por mais que eu tente & queira, não vai conseguir voltar ao passado e fazer parte de mim como o todo.  Aquilo que foi integrado a mim a cada mudança faz parte do meu novo eu.  Faz sentido?  Talvez daqui há muitos anos isso faça parte do meu eu num contexto mais integral, caso eu não continue mudando, não sei dizer.  Mas por enquanto ainda existe uma sensação de não pertencimento e por isso a relevância de ter um referencial só meu.  Tive um A-HÁ moment onde as peças se encaixaram, tudo fez mais sentido e eu descobri o que falta para não perder completamente o meu senso de identidade pessoal após abraçar tantas mudanças.  E o melhor, sem odiar a idéia de ter que recomeçar mais uma vez se assim a vida se desenrolar frente aos meus olhos. 

Xiiii, trouxe o meu falatório até aqui… foi mal, e obrigada pelo “ouvido”.

Ex corde.

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O Dia dos Finados na cultura mexicana tem um perspectiva bem diferente da brasileira e morando tão pertinho do México fica quase impossível não aprender sobre as tradições mexicanas.  Acredita-se que os entes queridos que morreram vêm visitar amigos & familiares no dia 31 de outubro retornando para o além (!?) no dia 2 de novembro.  E por isso San Antonio vem celebrando El Dia dos los Muertos há alguns dias – aliás, hoje teve uma grande parade que aconteceu na tarde de sábado em downtown com muita música & comida.

El Dia de los Muertos_Ex corde

O colorido é o que mais chama a atenção nesta data!  Quanto mais cor, mais alegre e portanto, melhor!  Afinal de contas estão todos celebrando a vida.  A idéia parece controversa, mas os povos indígenas mexicanos festejam a data desde 1800 a.C. e o que existe hoje é uma mistura das crenças indígenas com os rituais religiosos (católicos).  Ao contrário do que muita gente pensa, El Dia de los Muertos não é a versão mexicana do Halloween.  É na verdade uma data integralmente religiosa para muitos.  Não é considerada um sacrilégio, não envolte cultos, não é vista como uma prática macabra e nem mórbida.  Não existe a utilização da imagem de fantasmas ou bruxas.  Os esqueletos e caveiras estão sempre presentes por simbolizar a promessa da ressurreição – jamais representando a morte em si.  A festividade do El Dia de los Muertos não é algo triste porque é entendida como um momento de reunir amigos & familiares para prestar homenagens para aqueles entes queridos que morreram.  Sempre com muita comida.  Não é a celebração da morte.  Não é sobre o medo, é sobre o amor.  É a oportunidade para relembrar as pessoas queridas que se foram e para refletir sobre a própria vida, a herança deixada pelos antepassados e sobre o significado e propósito da própria existência.

El Dia de los Muertos at San Fernando Cathedral_Ex corde

A influência mexicana é tão forte que os altares do El Dia dos los Muertos podem ser vistos em vários lugares, inclusive em praça pública na frente da catedral de San Antonio (foto acima).  As homenagens são pessoais e cada um é encorajado a fazer o seu próprio altar como uma maneira de elaborar melhor o luto.  Apesar da liberdade de criar o que quiser, existe uma série de simbolismos associados com o altar.  Veja alguns deles alguns abaixo.

Fotos: a pessoa falecida homenageada precisa ter a sua foto presente e isso é considerado a parte mais importante do altar.

Três cores importantes: roxo representando a dor, branco representando a esperança e o rosa respresentando a celebração.  Velas nessas cores são geralmente colocadas no altar.

Papel Picado: são papéis coloridos perforados com desenhos satirizando expressões das atividades cotidianas usados para decorar o altar.

Quatro velas: que são colocadas no topo do altar representando os quatro pontos cardinais da bússola.  Acredita-se que a vela ilumina o caminho dos mortos durante a visita deles.

Caveiras: três devem ser colocadas no segundo andar do altar representando a Santíssima Trindade.  Uma quarta caveira e de tamanho maior deve ser colocada bem ao centro do terceiro nível representando o Criador da Vida.

Copal (incenso de resina): são queimados para afastar os maus espíritos deixando o caminho livre para os espíritos das pessoas amadas se reencontrarem.

Pan de Muerto: é um pão levemente adocicado em formato de ossos humanos.

Alfeñiques: são caveiras feitas de açúcar decoradas de várias formas e cores.  Os nomes dos entes queridos são colocados na testa e as caveirinhas são distribuídas para as crianças.

Marigold: é o tipo de flor tradicional para decorar o altar.  Os locais usam as pétalas para fazer um caminho para guiar os espíritos até o banquete (comida).

Os altares ainda tem representação dos pertences pessoais das pessoas falecidas, como chapéus, roupas, além das bebidas e comidas favoritas delas.

El dia de los Muertos _Ex corde

Vários altares enfeitavam as galerias do El Mercado neste fim de semana mostrando como a cultura mexicana alcança até as escolas primárias.

El Dia de los Muertos_ Ex corde

Acima estão os mini-altares preparados em caixas de sapato pelas crianças numa manifestação bem interessante da tradição popular.  E abaixo algumas das histórias pessoais de cada ente querido.

El Dia de los Muertos em San Antonio_Ex corde

E Downtown San Antonio festejou a noite do 2 de novembro com muita alegria conforme as tradições mexicanas.

Celebracao El dia de los Muertos_ Ex corde

Celebracao El Dia de los muertos_ex corde

Ex corde.

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… segundo Plutão.  É que uma vez eu fiz um mapa astral e, de tudo que a moça me falou, não esqueci jamais de algo relacionado com Plutão representando a minha incrível capacidade de caminhar pelas sombras e ressurgir das cinzas.  Muito prazer, meu nome é Fênix!  Pô, ao invés daquilo me fazer acreditar que aquela avalanche que me engolia viva ia passar, eu passei a ter raiva.  Por que não fui passear em outro planeta com outra característica menos desafiadora?  Sério.

Aí nessa semana atribulada, foi inevitável não pensar em como parece que estou sendo constantemente testada.  A restrospectiva mental de uma vida mostrou merda desafio demais para uma curta existência!  Tem horas que eu me orgulho de ter sobrevivido com dignidade até aqui.  Tem outras horas que eu me pergunto quê diabos mais me falta acontecer, mas aí tapo os ouvidos porque sinceramente tenho medo da resposta.  Tenho meus surtos.  Minhas dúvidas filosóficas.  Minhas inseguranças.  Dou uma caída e sempre volto com força.  Seriam as forças de Plutão?

Foi então que hoje sentei para tentar terminar um post sobre um lugar legal que fui no domingo aqui em San Antonio.  O post está no rascunho desde domingo, e veja bem, amanhã é sexta.  A semana está quase acabando e obviamente não foi dessa vez que eu concluí o texto sobre o passeio.  E por quê?  Porque dessa vez a minha mente me carregou para a minha infância repleta de memórias meio borradas.  Aí sabe quando um pensamento puxa outro da maneira mais desconexa possível?  Eu lembrei que sempre quis ser daminha de honra e nunca era escolhida enquanto outras crianças já eram profissionais na arte de carregar as alianças.  Até que um dia eu fui convidada, quanta emoção!  Estava lembrando da igreja, do vestido bufante que usei e, claro, lembrei da noiva.  Click.  Me dei conta de que fui dama de honra num casamento católico que acabou em divórcio e depois de alguns anos a então-noiva descobriu ser portadora do vírus HIV.  Que sinal sombrio da minha cuzice, hein Plutão!  Se for para significar alguma coisa, me manda logo as coordenadas de superação porque eu tô ficando cansada dessa característica extraordinária.  E atenção: acabei de perceber que estou fazendo referências ao planeta mais significativo no meu mapa astral na atual conjuntura intergaláctica em que o próprio nem planeta é mais.  Sentiu o meu drama? 

E antes que alguém pergunte, sim, estou de TPM.

Ex corde. 

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