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Archive for the ‘Maternidade’ Category

Outro dia, a minha filha de quatro anos e meio me pediu para ler uma revistinha da Turma da Mônica com ela. Temos algumas revistinhas em casa em português que foram carinhosamente trazidas do Brasil pelos avós. E como eu cresci lendo a Turma da Mônica, achei um barato que ela demonstrou interesse. Embarcamos então na leitura. Até que então:

“- Mamãe, a Mônica tá com raiva? E por que o Cebolinha está rindo dela?”

“- A Mônica bateu nele, mamãe? Por quê?”

“- E porque ele implicou com ela?”

Estou no meio de um processo árduo para ensiná-la a processar a suas frustrações de uma maneira saudável, sem bater em ninguém, sem jogar ou quebrar nada. Repito várias vezes ao dia o que é certo e o que é errado. Escolho as palavras. Modero o tom da voz. Dou nome aos sentimentos (raiva, frustração, irritação, etc) para tentar ajudá-la a processá-los melhor. E ao ler a historinha, ela ficou confusa ao identificar os comportamentos claramente errados. ‘É isso mesmo, mamãe?’, ela me perguntava como se quisesse confirmar as constatações. E eu tive que dizer que sim, que ela estava vendo o Cebolinha implicar com a coleguinha pelo simples prazer de implicar; que ela estava vendo a Mônica ter crises de raiva e quebrar tudo pela frente incluindo a cara do coleguinha; e que ela estava vendo um colega rir da dor do outro colega. A experiência de ler a Turma da Mônica com a minha filha não foi legal.

Do ponto de vista da maternidade consciente e propositada que tento exercer com os meus filhos (para quem me segue ha algum tempo, tive um menino que está com 2 anos e meio), a Turma da Mônica não acrescenta. Pelo exposto acima, é claro que as historinhas do Maurício de Souza confundem ao desdizer o que eu repito incansavelmente todos os dias. Fiquei feliz ao constatar que a minha menina já sabe que bater no amigo não é certo. E que não é legal rir na cara do outro enquanto o outro claramente sofre. Mas não me sinto confortável em deixar que a Turma da Mônica conviva tão de perto assim dos meus pequenos. Talvez mais lá para frente – com eles maiores e valores mais consolidados –  eu tente novamente para trazer um pouco de brasileirice para os meus americaninhos. Mas por agora, preciso insistir naquilo que é certo ponto final sem nenhuma abertura para ideias que possam mesmo que em pensamento contribuir para algo que, ao meu ver, é negativo.

“Mãe, o que é dentuça?”

Nem vou entrar no assunto do quanto não quero que ela entenda que pode usar características físicas para ofender os outros. E toda vez que ela me pede para ler a Turma da Mônica, eu sigo inventando uma historia sem pé nem cabeça e me lembro que tenho que colocar os gibis numa caixa lá no fundo da garagem.

Ex corde.

 

 

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A vida mudou bastante com a chegada dela.  A demanda é enorme e em tempo integral sempre acompanhada de muito choro. Consigo ganhar um pouco mais de foco no meu trabalho de mãe ao lembrar que o chorôrô é parte normal do desenvolvimento infantil e, que por enquanto, é a única maneira dela se comunicar com a gente.  Mas ainda assim o ouvido dói.  A cabeça dói mais ainda por causa do déficit de sono (e olha que ela dorme bem a noite).  Tem ainda o cansaço da amamentação em livre demanda e o resultado é uma pessoa zumbificada – uma morta viva com olheiras roxas perambulando pela casa dia e noite.  E já percebeu que zumbi é um bicho descabelado que anda sempre com a mesma roupa suja?  Pois é, porque tomar banho era (é?) artigo luxuoso de primeira categoria.  É só pra quem pode!  E trocar de roupa pra quê se em 5 minutos ela vai golfar leite azedo em mim?  Ou os peitões vão vazar loucamente?  Mas você só percebe que o negócio tá ruim quando a sua mãe te vê no Facetime e a primeira coisa que ela fala é pedir para você pentear o cabelo.  Com tanta falta de sono + muito choro no juízo, a única coisa que eu consigo pensar é em como vou sobreviver.  Perceba que já passei do estado de pensar se vou sobreviver.  Jogar na parede?  Colocar no forno?  Deixar se esgoelar sozinha até cansar?  Não cheguei a tanto, mas aprendi a não julgar nenhuma mãe que toma alguma medida drástica.  O negócio é seríssimo!  Não é a toa que deixar nego sem dormir é um método de tortura. 

Aí no meio do caos ela dá um sorriso, fica no swing por mais de 15 minutos sem chorar, senta na cadeirinha de boa, dorme por horas sem interrupções, me dá uma trégua.  Eu consigo fazer xixi.  Ou almoçar com garfo e faca sentada a mesa.  Ou pentear o cabelo (oi, mãe!).  Ou escrever um post para o blog.  É quando tudo aquilo que verdadeiramente importa volta a fazer sentido na minha cabeça.  Hoje mesmo gastei toda a bateria do meu celular tirando fotos dela porque ela está mudando muito rápido e eu não quero esquecer de nada.  Me dei conta que ela não é mais aquela bebezinha de pele enrugada que mal abre o olho.  Ela já sustenta o pescoço sozinha e interage com os olhões abertos.  Aquilo que eu tinha nos meus braços há algumas semanas, eu já não tenho mais.  E o meu coração apertou.  Queria ouvir todos os barulhinhos (gori gori) que ela faz mais uma vez porque “e se ela nunca mais der aquela respirada funda gostosa após mamar?”  Minha filhotinha só tem dois meses de vida e eu já estou com saudades de quando ela era “pequenininha”?  Ela dormia tranquilamente no meu colo hoje mais cedo e eu registrava com a câmera do celular aquilo que eu queria lembrar lá na frente.  Foi aí que um sentimento que eu nunca tinha sentido antes me consumiu loucamente: uma estranha saudade do agora.

Essa coisa de maternidade é uma loucura mesmo!  

Ex corde.

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