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Archive for the ‘Na biblioteca’ Category

E se eu disser que estou tendo dificuldades de assimilar que eu cheguei ao final do processo?  Que acabou?  Que o resultado da prova de sábado significa que a próxima etapa é atualizar o currículo e correr atrás de emprego na minha profissão?  E que agora finalmente eu posso dizer que sou Farmacêutica?  E se eu disser que ao invés de ficar super alegre eu só conseguia chorar? Só conseguia pensar na dificuldade que foi chegar até aqui e chorar?  Você acredita?  O resultado saiu ontem no site no início da tarde e eu ainda estou processando a idéia. Fiquei sem saber muito bem como funcionar. Marido catou meu currículo antigo no computador dele e eu estou com o arquivo aberto aqui desde ontem esperando para ser atualizado. Esperando o quê exatamente eu não sei. Mas ao mesmo tempo já pesquisei por empregos e até achei uma vaga interessante. Cliquei no “APPLY NOW”, comecei a preencher os meus dados e paralisei. Porque eu não sei. Caramba, quis tanto chegar até aqui e agora tô amarelando?? Conversava sobre isso com o Marido e ele só sabia fazer sons com a boca mais ou menos assim: prrrráááááááá, pummmmm, trééééééééé. E se acabava de rir dizendo – em português perfeito – que eu estava peidando na farofa. Como não rir desse gringo que sabe mais português do que deveria? Como não rir de mim mesma nesse turbilhão de sentimentos?

MPJE_Ex corde

Sobre essa última prova.  Mesmo esquema adaptativo feito no computador.  Igual as outras três últimas.  Acho que nem sei mais fazer prova com papel, caneta, folha de respostas.  Um minuto e meio para cada questão.  Eram noventa no total, mas apenas 75 valiam pontos enquanto as outras eram questões de teste.  Só que a gente não tem como diferenciar qual vale ponto ou qual é teste.  Poucas questões foram diretas, apenas algumas que pediam prazos.  Quase todas as outras apresentavam cinco alternativas corretas e eu tinha que escolher a que melhor se encaixava na situação descrita.  Até as leis mais simples eram colocadas de um jeito que fazia eu coçar a cabeça.  É que a prova inteira força a interpretação da legislação dentro do julgamento profissional que é esperado de cada farmacêutico.  Ou seja, você pode até ter decorado todas as leis ao pé da letra que ainda assim vai precisar confiar nos seus instintos na hora de responder as questões da prova.  Com isso, é muito difícil sair com a sensação de que tudo estava sob controle, que fiz uma boa prova, que acertei uma quantidade boa de questões.  Até porque o nível de dificuldade da prova vai aumentando conforme o candidato vai acertando e vice versa.  Diz a lenda urbana que se você sai da prova sentindo que tomou noventa socos na cara e tem a cer-te-za de que se deu muito mal, é porque você passou!  Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo.

Estudando para o MPJE_Ex corde

* Uma das últimas fotos das milhares de sessões de estudo.

Todo o estudo e todas as horas dedicadas valeram a pena.  Não foi fácil em vários sentidos, não só apenas em ter que desenvolver uma capacidade autodidata para aprender o beabá da Farmácia Clínica na mesa da sala de casa.  Foi difícil aceitar que a minha vida iria estar quase suspensa nesse tempo.  Lidar com a frustração não é mole.  Cair, levantar e sacodir a poeira exige um certo talento.  Ou foco.  Ou os dois.  E um marido mais do que compreensível que sabe separar o seu verdadeiro “eu” daquele ser possuído nos momentos de fúria.  Thanks, baby!  E ainda olho para trás meio incrédula de que eu realmente cheguei até aqui.  Agora é só esperar o Conselho Estadual do Texas mandar a minha licença pelo correio!  Ah, mas como já vi que o pessoal do sul é mais devagar, acho que só deve chegar aqui no ano que vem!  Para quem ‘esperou’ tantos anos, agora vai ser fácil!  

E um muito obrigada para quem sempre torceu por mim silenciosamente ou com mensagens de encorajamento!  Thanks y’all :)

Ex corde.

FPGEE  Toefl  Estágio  Naplex

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Depois de muito estudar, semana passada eu finalmente fiz o Naplex (North American Pharmacist Licensure Examination)O resultado saiu segunda-feira e olha só que belezura: PASSEI!  Todo mundo junto: ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ :)    

Congratulations by Hubby_Ex corde

*  Rolou uma surpresa preparada pelo Maridão com direito até a faixa no meio da sala! ♥

E eu ainda estou processando o fato de que essa etapa gigante foi vencida por mim!  É que tive tantos obstáculos neste último ano que, por muitas vezes, a idéia de passar na prova nacional de licenciamento para farmacêuticos americanos me parecia algo quase utópico. 

Estudando na Biblioteca da Base Militar  * Estudando no melhor lugar ever: sala privativa & silenciosa da biblioteca da base militar.

Sabe aquelas fantasias que às vezes a gente idealiza tanto?  Tô tão perto de transformar uma delas em realidade que às vezes fica difícil de acreditar.  Obviamente que nada está acontecendo como um passe de mágica ou no estalar de dedos! 

More Study Notes_Ex corde  *  Estudar fazendo anotações é muito eficaz, mas dá um trabalhão! 

Tive (e ainda tenho) que ter muita dedicação, muito trabalho, muita paciência & persistência, muito foco, um saco enorme para os longos dias de horas ininterruptas de estudo, e claro, acreditar que vai valer a pena.   

Estudando na Biblioteca Publica   * Estudando na biblioteca pública que proporciona o pior ambiente de estudo que já vi.

Sempre soube que o negócio não ia ser fácil.  Qualquer farmacêutico estrangeiro fica desanimado ao se deparar com as instruções para exercer a profissão nos EUA.  Pô, qualquer pessoa não-farmacêutica cansa só de ler a longa lista requerida.  E eu não fui diferente, mas ao mesmo tempo também nunca consegui cogitar a possibilidade de não tentar. 

Estudando  * Estudando em casa enquanto o sol brilhava lá fora.  É depressivo, acredite!

Sempre soube das dificuldades desse processo, mas não sabia que isso tudo ia me trazer um conhecimento pessoal valioso.  Fui descobrindo, aos trancos & barrancos, que a minha profissão faz parte da minha identidade.  Claro que eu sempre tive uma noção de que parte de quem eu sou engloba a minha carreira profissional, mas eu só pude constatar como a falta do meu trabalho me afeta quando eu não pude mais trabalhar na minha área.  Curiosamente, a idéia de não ter que trabalhar era muito legal a princípio.  Tive a oportunidade de me adaptar na cultura local no meu tempo e eu pude fazer tudo aquilo que não conseguia antes por estar sempre ocupada demais com o trabalho.  Só que chegou uma hora que isso cansou e eu já estava muito bem adaptada, obrigada.  O meu processo profissional já estava em andamento quando todo o tempo livre do mundo para fazer o que eu quisesse caiu numa mesmice sem um objetivo concreto.  Foi quando eu passei a me dar conta do quanto a minha profissão é parte até da minha personalidade.  Meu paciente Marido levantou essa questão quando eu comecei a trabalhar para acumular as horas práticas requeridas pelo processo.  Ele teve o prazer de conviver por um ano com uma pessoa mais equilibrada ou, como dizem por aqui, a well-rounded person.  Ele percebeu o impacto que a minha profissão tem na minha sanidade, no meu humor, na maneira como eu me vejo, na minha relação comigo mesma e na minha relação com ele.  E é exatamente isso mesmo! 

Cafe e Canetas Coloridas_Ex corde  * Sendo motivada pelo café e muitas canetinhas coloridas (não me julguem, haha!). 

E se você tiver se perguntando o que falta para esse processo acabar, falta a parte legal da coisa.  Legal, de lei, legislação.  Como os estados americanos possuem leis diferentes, o processo de licenciamento é dividido em duas provas: conhecimentos clínicos (NAPLEX de nível nacional) e legislação farmacêutica (nível estadual).  Para exercer a profissão em diferentes estados americanos é necessário passar na prova de legislação referente ao estado em que o profissional deseja trabalhar.  Já comecei a folhear a legislação, mas estou usando a maior parte do meu tempo para dar uma organizada na vida.  O intensivão de estudos deixou todo o resto bagunçado e o blog abandonado!  Aos poucos vou me refazendo.  Guardei os meus livros e anotações com um sorriso enorme no rosto por saber que não precisarei mais deles.  

Anotacoes no espelho do banheiro_Ex corde  *  Espelho do banheiro repleto de anotações importantes! 

Comecei a retirar todas as minhas anotações de estudo que estavam coladas pela casa quando lembrei de registrar com fotos mais uma parte dessa trajetória.  O tempo apaga muitos detalhes da minha memória e eu acho bacana a idéia de rever um pouco do meu esforço alguns anos lá na frente.

Hugo e eu_Ex corde  *  Decorando o calendário de vacinações do CDC na companhia de Hugo :)

E as muitas fotos ao longo deste post são os vários registros em momentos diferentes de estudos ao longo dos últimos meses.  Registros mal feitos em um celular ferrado geralmente naquelas horas em que faltava concentração para continuar estudando ou quando a movimentação lá fora era mais interessante do que os meus livros.  Lembro exatamente do meu sentimento quando cada foto foi batida. Não consigo descrever ao certo como me sinto ao olhá-las novamente agora que sei que passei nessa prova, só sei que é uma sensação MUITO BOA!!

Sala Privada de Estudos na Biblioteca Publica_Ex corde  *  Estudando onde ninguém sabe como se comportar em uma biblioteca pública!

E os muitos emails e mensagens inspiradoras que eu recebi de amigos, familiares & conhecidos foram tão importantes que, naquela manhã, eu realmente estava me sentindo bem confiante.  Vocês são especiais demais!!

Study Notes  *  Noites a fio de estudo de segunda a segunda agora fazem parte do passado!

Para aquela torcida silenciosa de sempre, aqui vai o meu muito obrigada!   

E vamos que vamos que o negócio ainda não acabou =)   

Ex corde.

Sobre a prova de equivalência para farmacêuticos estrangeiros ~ Foreign Pharmacy Graduate Equivalency Examination (FPGEE).

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Estressada? Eu?

Eu fui uma criança que aprendeu desde cedo a dizer não para Fanta Laranja, Fanta Uva e Crush.  Também não podia comer balinhas de morango, salgadinhos tipo Fandangos e às vezes nem biscoito recheado de chocolate.  É que eu cresci tendo reações alérgicas a conservantes (sulfitos) e corantes alimentícios artificiais.  A alergia começava se manifestar com um calorão no rosto.  Sentia tudo esquentar ao mesmo tempo que gradualmente a pele mudava de cor – um rosa avermelhado.  Daí o vermelhidão inicial ganhava o formato de placas preenchidas com a minha cor pálida natural.  Nas primeiras vezes em que isso aconteceu (e eu não sabia o que era), comecei a perceber que estava mais difícil respirar.  Uma ligação de emergência para o pediatra e lá vai eu sendo levada para uma farmácia tomar uma injeção (não lembro de que).  Após algumas crises ao observar a minha alimentação e tentar traçar uma causa-e-efeito, chegamos a conclusão que cores artificiais óbvias deprimiam o meu sistema respiratório.  O medo dos médicos era que evoluísse para um choque anafilático com edema de glote.  Carreguei por muitos anos uma bombinha broncodilatadora comigo.  Hoje não tenho mais essa alergia quando como coisas artificias, mas também confesso que quase não escolho produtos do gênero pela simples falta do hábito.

Até que ontem tive um flashback.

Um calorão esquentando o rosto começou do nada.  Orelhas queimando.  Pescoço cheio de placas vermelhas.  Dei uma respirada funda, mas não encontrei dificuldades para encher o pulmão.  Comecei a listar mentalmente o que tinha ingerido até aquele momento.  Café com leite, uma banana, um pêssego e água.  Poderia ser um revival da minha alergia?  Dei um tempo.  Meia hora depois e eu conseguia sentir meu rosto em chamas.  Passei a mão na testa e tomei um susto com a textura da pele.  Corri pro banheiro da biblioteca.  Eu estava simplesmente toda empolada.  Um rash absurdo tomou conta do meu rosto com patacas caroçudas avermelhadas everywhere.  Lavei o rosto com água fria para ver se baixava a temperatura.  Não lembro de ter ficado assim antes nem nas minhas piores crises alérgicas.  Como a respiração continuava tranquila e não havia nenhum alimento “perigoso” na minha lista, deixei quieto.  Voltei para a mesa pensando o que estava fora da minha rotina e que poderia ter ocasionado o ataques de bolotas.  Ahá.  Tinha usado um protetor solar novo pela primeira vez na manhã de ontem e concluí que minha pele não gostou muito dele.  Faz sentido, não faz?  Administrei o calorzão facial pelo resto do dia controlando o diâmetro médio das bolotas com as pontas dos dedos.  Voltei para casa no fim do dia parecendo um maracujá de gaveta e fui logo mostrando para o Marido porque eu não podia usar aquele protetor solar.

-  Tá estressada?, ele me perguntou.

-  Não tô me sentindo estressada, não.  Foi o protetor.

-  Tem certeza?

-  Hum rum.

Aí lembrei que o calorzão começou a subir enquanto eu revisava bioestatística, analisando gráficos com desvio padrão, intervalos de confidência, odds ratio, meta análises, análise de variâncias e covariâncias, chi-quadrado, cálculo de risco relativo, risco absoluto, NNT… E toda a parte de doenças infecciosas estava esperando para ser a próxima a ser revisada na pilha de anotações ao lado.

-  É, amor, tenho certeza que foi o protetor solar.     

Ex corde.       

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Acabei de voltar do banheiro com um sorrisão no rosto.  Encontrei com o velhinho cor-de-rosa que frequenta a biblioteca todas as manhãs.  Ele senta naquelas cabines de estudos individualizadas com o jornal do dia, um rádio, fones de ouvido, papel e caneta.  Todo dia.  E ele escreve muito.  Não sei o quê, mas a folha fica cheia!  Ele tá sempre bem humorado.  Uma vez chegamos juntos no estacionamento.  E eu irritada – com o calor, com o sol, com o peso dos livros, com a vida, com tudo – acabei me irritando mais ainda por ter ficado atrás dele naquele caminho de cimento que leva até a porta da  biblioteca.  Pensei em ultrapassá-lo pelo meio da grama, mas desisti.  A minha impaciência ia ficar meio óbvia demais e até grosseira.  Fui lentamente seguindo o velhinho.  Ele andava meio encurvado, imaginei as possíveis dores de artrite inerentes ao envelhecimento humano.  Mas ele pisava firme com seu tênis preto.  Não deveria conhecer o tal do Parkinson.  Aí lembrei que ele tinha vindo dirigindo.  Olhei para trás e vi seu carro na vaga preferencial melhor estacionado que o meu.  A sua saúde física deve ser boa.  Ao chegar na entrada da biblioteca, ele abriu a porta e me deu passagem com um sorriso no rosto.

-  Que tal um velho de 89 anos abrindo a porta para você?, ele me disse.

A gentileza dele foi um tapa na minha cara.  Me senti envergonhada por me irritar demais simplesmente porque estava calor.  Ou porque ele estava andando devagar na minha frente me atrasando 5 minutos.  Onde estava a minha leveza de espírito?  O que será que aquele velhinho deve ter vivido naquelas quase nove décadas de vida e ainda assim não perdeu a sua espirituosidade?  Para ele frequentar a biblioteca da base, ele deve ser um militar aposentado.  Será que ele lutou na guerra do Vietnã?  O que será que seus olhos já devem ter visto?  Seria ele viúvo?  Ele passa as manhãs inteiras sozinho na biblioteca.  Seria ele solitário?  E por mais que a saúde seja boa, a idade traz limitações.  Só que ele não se limita e sai de casa todos os dias.  Putz, quantas vezes eu mesma já me limitei me entristecendo e me fechando na minha concha só por não ter as coisas do jeito que eu queria?  Ou no meu tempo?  Eu olho para o velhinho da biblioteca e me faço uma série de questionamentos.  Será que ele preferiria estar em outro lugar fazendo alguma outra coisa?  Talvez sim, mas ele não deixa de demonstrar interesse e um certo entusiasmo com o agora.  Com a sua careca rosinha, seu rosto enrugado, andar demorado e corpo encurvado ele me faz pensar na vida com mais energia.  No mínimo curioso!

E é inspirada pelo velhinho que eu não vou reclamar que esse blog tá muito chato com esse papo de biblioteca.  Eu ia.  É que as coisas na vida são assim mesmo.  Algumas vezes mais dinâmicas, mais rápidas e mais divertidas.  Outras vezes menos interessantes.  Um blog que reflete facetas da minha vida não poderia ser diferente.  Aí lembrei daquela historinha de que tem hora para plantar as sementes e que tem hora para colher os frutos.  Estou definitivamente plantando (no sentido figurado) cada etapa chata, porém necessária.  Aí quando desanimo um pouco, lembro do velhinho da biblioteca para me sentir mais energizada.  E por falar em plantar, preciso dividir aqui as fotos das minhas cenouras, do pé de tomates e das pimenteiras.  Estão tão grandes que dá até orgulho quando lembro que fui eu quem plantei as sementes!  E assim vou eu plantando e colhendo as sementes nessa vida.

Ex corde.

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Lembrete

Eu estava quase chegando na base militar na segunda-feira quando um carro de polícia fechou a rua movimentada em que eu estava por pelo menos uns cinco minutos.  Um comboio de motos vinha pela via auxiliar e com a ajuda  da polícia assim conseguiu passagem sem precisar disputar espaço no trânsito.  Ao chegar na entrada da base, a quantidade de carros de polícia chamaram a minha atenção.  A movimentação atípica também se estendia para dentro dos portões.  Havia muita gente andando nos gramados, nas calçadas.  Vários grupos de militares uniformizados se aglomeravam em diversos pontos.  Cada poste de luz tinha uma bandeira americana.  Pude perceber que aquilo não era comum, já que agora eu venho aqui todos os dias.  Contei que descobri que a biblioteca da base militar era tudo que eu precisava?  Pois é, o ambiente é perfeito para estudar mesmo tendo crianças (aprende como faz,  SAPL) e aviões decolando & pousando o dia todo.  É que a biblioteca fica do outro lado da rua de uma pista de pouso não muito longe do prédio onde o treinamento de vôo dos pilotos acontece.  E na manhã de segunda havia muitos militares uniformizados no caminho até a entrada da biblioteca, que não é tão perto assim.  Tinha gente até na entrada da pista e as ruas adjacentes estavam bloqueadas com cones.  Definitivamente aquilo não era comum.  Então que ao longo do meu estudo, precisei de uma pausa para desanuviar a mente e fui atrás de saber o que estava acontecendo na base.  Foi quando descobri que o corpo de um militar morto no Afeganistão tinha chegado na pista aqui do outro lado da rua.  Os grupos de militares uniformizados se alinharam ao longo das ruas da base militar para prestar continência conforme o cortejo fúnebre ia passando – da saída do avião até a saída da base.  Uma homenagem grandiosa que conseguiu afetar a rotina da base a ponto de ser percebida por mim ao passar rapidamente a caminho da biblioteca.  Ao invés de deixar a cabeça mais leve, fiquei com ela cheia.

Vídeo em inglês, aqui.

Não vou falar sobre militarismos tampouco queria entrar naquele papo chato típico de email genérico de auto-ajuda sobre a importância de dar valor ao que temos e blá-blá-blá, até porque a insatisfação humana é mais forte que qualquer pensamento que siga esta linha – para uns mais e para outros menos dependendo da bagagem de vida de cada um.  Vou falar sobre uma constatação pessoal: me dar conta de que um caixão enrolado com a bandeira americana vindo da guerra saía de um avião militar há poucos metros de mim, me fez lembrar da bomba relógio que me acompanha.  É então impossível não revisitar sentimentos doloridos com situações que me lembram quão vulnerável estou na posição de mulher de militar americano.  Fico desconfortável, mas é incrível como tal incômodo carrega consigo algo verdadeiramente positivo.  Cheguei em casa e senti uma felicidade enorme ao encontrar o meu marido.  Dei o abraço mais forte que consegui só para ouvir o seu coração batendo perto de mim.  Às vezes me sinto uma boba por SUPERVALORIZAR coisas tão ordinárias assim, mas fazer o quê se eu só conseguia agradecer mentalmente aos céus por aqueles segundos agarrada com ele?  Fazer o que se a vontade de escrever sobre isso era enorme?     

Marshmellow Heart_Ex corde

Só gostaria de alcançar um estágio evolutivo em que não fosse preciso lembretes relacionados com morte para acionar o meu botão da valorização sincera de quem eu tenho na vida.  Deveria ser automático de fábrica. 

E que situações acionam o seu botão?    

Ex corde.

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Férias na Biblioteca

As férias escolares das crianças americanas começaram há pouco tempo, mas o impacto na vida até de quem não tem filhos já é visível.  O melhor lugar para chegar a tal conlcusão?  Biblioteca pública do bairro onde nem a sala silenciosa blindada com paredes e portas de vidro se salva.  Um par de menininhos gêmeos idênticos decidiu usar a barra de ferro da porta de estudo silencioso como balanço.  Os dois juntos se penduraram e começaram a pegar impulso para frente e para trás.  A porta abria e fechava.  Porque a mesa com giz de cera e milhões de desenhos para colorir não é mais divertido do que a barra de ferro da porta de vidro de uma sala cheia de adultos lutando por um lugar quieto para estudar.  Não.  E nem a seleção de livros infantis.  E nem a mocinha contando histórias para crianças.  Abrir e fechar a porta pendurado na barra de ferro é muito mais legal.  Todos na sala se mostraram incomodados, mas ninguém fez nada além de se olhar para confirmar a insatisfação geral.  E a porta abria e fechava.  Até que a minha irritação atingiu o nível #10 e eu cronometrei o abrir & fechar da porta para levantar quando eles estivessem dentro da sala.  Segurei a porta, olhei bem sério para aqueles dois irritantes fofuchos e perguntei com a voz firme: “CADÊ A MÃE DE VOCÊS?”  Imediatamente os dois pares de olhos se esbugalharam na minha frente ao mesmo tempo que as quatro mãozinhas soltaram a barra de ferro.  No mesmo segundo apareceu a mãe que, não pediu desculpas, não repreendeu os gêmeos e muito menos explicou que aquilo ali não era balanço.  Claro que em fração de minutos eles estavam de volta pendurados na porta e sem a mãe por perto.  Com uma cara nada amigável, me dirigi até eles, mandei os dois sairem de lá e tranquei a porta por dentro.  Acabei com a brincadeira, mas criei um motivo para os dois começarem a chorar super alto.  Bem na porta.  Quase chorei junto com eles – do outro lado do vidro – tentando ler o mesmo parágrafo há vinte minutos.  Em vão.  Tem como não odiar as férias escolares?

Free Range Kids

* Fonte da Imagem

Ex corde.          

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Ao entrar na biblioteca pública, eu coloco meu celular no silencioso.  Não é nem naquele modo que a vibração é tão alto quanto um toque; meu celular só acende uma luz quando alguém me liga.  E caso essa luz acenda, eu vou lá para fora (= rua) atendê-lo.  Não fico falando baixinho porque eu sei que incomoda.  Eu tomo cuidados especiais para não fazer barulhos desnecessários.  Sempre levo um lanchinho e se seja-lá-o-que-eu-for-comer tiver um embalagem que faça barulho, eu desembalo em casa antes de ir.  Não levo nada crocante demais para comer assim ninguém tem que ouvir as minhas mastigadas.  Eu não viro páginas violentamente, eu não jogo as canetas na mesa, eu não arrasto cadeira, eu não batuco, não cantarolo e evito dar aquelas respiradas profundas com muita frequência.  Eu bebo água cuidadosamente para não fazer GLUP, GLUP bem alto.  Não explico para mim mesma a matéria em voz alta.  Me irrito com o barulho do teclado do meu computador, mas ainda não inventaram uma maneira silenciosa de digitar então não tem jeito.

A minha experiência como frequentadora de bibliotecas me faz concluir que sou um bicho em extinção porque raramente encontro alguém que se comporte assim.  Não sei se estou sendo exagerada, mas não consigo conceber a idéia do celular tocar musiquinhas irritantes bem alto entre prateleiras de livros com várias pessoas estudando nas mesas em volta.  Mais difícil de entrar na minha cabeça ainda é o indivíduo de gosto duvidoso para toques de celular atender a p**ra da ligação e começar a conversar como se estivesse na sala da sua casa.  Acho uma completa falta de respeito.  E eu sou daquelas que faz xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii pedindo silêncio.  Ó céus, queria ser mais focada e menos distraída para não me incomodar com coisas desse tipo.  Eu teria menos rugas no rosto!

Ainda tem outra coisa que me incomoda em bibliotecas públicas americanas: a quantidade de crianças!  É muito bacuri gritando, correndo, falando alto, cho-ran-do, berrando ao mesmo tempo.  Até onde eu sei, biblioteca é um local de estudo, de leitura e de pesquisa, sabe?  Por isso existem áreas designadas para tal, mas alguns pais insistem em levar seus pequenos para onde adultos tentam se concentrar.  Não entendo.  Deixei de ir na biblioteca perto de casa por causa da falta de estrutura para estudos individuais.  Há duas salas silenciosas designadas para tal, mas que contam com paredes de vidro com vista para o parquinho infantil.  Não há vidro temperado que bloqueie a gritaria.  E a movimentação que distrai?  Será que eu sou tão facilmente distraída assim?  E as mesas para estudos ficam distribuídas ao longo da área de circulação.  Como não perceber cada vez que a porta da biblioteca abre?  Será que o engenheiro e/ou arquiteto pensaram nisso ao projetar aquele prédio novo e super moderno?  Desisti de lá.  

Aí essa semana encontrei uma biblioteca que me faz um pouco mais feliz.  É mais longe de casa, mas a área infantil completamente separada da área adulta faz valer a pena os 15 minutos a mais.  Não há salas individuais, mas as mesas para estudos são posicionadas lá no fundo da biblioteca longe da área de circulação.  Não é o ideal, mas funciona.  Só que ainda assim a raça humana consegue se superar: hoje um rapaz sentou na área semi-privada de estudos individuais com um bebê no carrinho; outro dia um senhor emitia sons estranhíssimos e altíssimos enquanto lia seu livro; tem uma senhora que trabalha a biblioteca que fala como se estivesse com um alto falante e invariavelmente tem sempre alguém atendendo a porcaria do celular.  Coloco o meu phone de ouvido, aumento o som da Sinfonia N₀40 de Wolfgang Amadeus Mozart e tento alcançar a minha concentração perdida.  Às vezes funciona.

Agora pergunto, será que estou exigindo um comportamento excepcional para os frequentadores de uma biblioteca?  Seria eu uma pessoa super cri-cri?  Ou a galera tá se perdendo no quesito bom senso?

Ex corde.

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