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Archive for the ‘Na Farmácia’ Category

E se eu disser que estou tendo dificuldades de assimilar que eu cheguei ao final do processo?  Que acabou?  Que o resultado da prova de sábado significa que a próxima etapa é atualizar o currículo e correr atrás de emprego na minha profissão?  E que agora finalmente eu posso dizer que sou Farmacêutica?  E se eu disser que ao invés de ficar super alegre eu só conseguia chorar? Só conseguia pensar na dificuldade que foi chegar até aqui e chorar?  Você acredita?  O resultado saiu ontem no site no início da tarde e eu ainda estou processando a idéia. Fiquei sem saber muito bem como funcionar. Marido catou meu currículo antigo no computador dele e eu estou com o arquivo aberto aqui desde ontem esperando para ser atualizado. Esperando o quê exatamente eu não sei. Mas ao mesmo tempo já pesquisei por empregos e até achei uma vaga interessante. Cliquei no “APPLY NOW”, comecei a preencher os meus dados e paralisei. Porque eu não sei. Caramba, quis tanto chegar até aqui e agora tô amarelando?? Conversava sobre isso com o Marido e ele só sabia fazer sons com a boca mais ou menos assim: prrrráááááááá, pummmmm, trééééééééé. E se acabava de rir dizendo – em português perfeito – que eu estava peidando na farofa. Como não rir desse gringo que sabe mais português do que deveria? Como não rir de mim mesma nesse turbilhão de sentimentos?

MPJE_Ex corde

Sobre essa última prova.  Mesmo esquema adaptativo feito no computador.  Igual as outras três últimas.  Acho que nem sei mais fazer prova com papel, caneta, folha de respostas.  Um minuto e meio para cada questão.  Eram noventa no total, mas apenas 75 valiam pontos enquanto as outras eram questões de teste.  Só que a gente não tem como diferenciar qual vale ponto ou qual é teste.  Poucas questões foram diretas, apenas algumas que pediam prazos.  Quase todas as outras apresentavam cinco alternativas corretas e eu tinha que escolher a que melhor se encaixava na situação descrita.  Até as leis mais simples eram colocadas de um jeito que fazia eu coçar a cabeça.  É que a prova inteira força a interpretação da legislação dentro do julgamento profissional que é esperado de cada farmacêutico.  Ou seja, você pode até ter decorado todas as leis ao pé da letra que ainda assim vai precisar confiar nos seus instintos na hora de responder as questões da prova.  Com isso, é muito difícil sair com a sensação de que tudo estava sob controle, que fiz uma boa prova, que acertei uma quantidade boa de questões.  Até porque o nível de dificuldade da prova vai aumentando conforme o candidato vai acertando e vice versa.  Diz a lenda urbana que se você sai da prova sentindo que tomou noventa socos na cara e tem a cer-te-za de que se deu muito mal, é porque você passou!  Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo.

Estudando para o MPJE_Ex corde

* Uma das últimas fotos das milhares de sessões de estudo.

Todo o estudo e todas as horas dedicadas valeram a pena.  Não foi fácil em vários sentidos, não só apenas em ter que desenvolver uma capacidade autodidata para aprender o beabá da Farmácia Clínica na mesa da sala de casa.  Foi difícil aceitar que a minha vida iria estar quase suspensa nesse tempo.  Lidar com a frustração não é mole.  Cair, levantar e sacodir a poeira exige um certo talento.  Ou foco.  Ou os dois.  E um marido mais do que compreensível que sabe separar o seu verdadeiro “eu” daquele ser possuído nos momentos de fúria.  Thanks, baby!  E ainda olho para trás meio incrédula de que eu realmente cheguei até aqui.  Agora é só esperar o Conselho Estadual do Texas mandar a minha licença pelo correio!  Ah, mas como já vi que o pessoal do sul é mais devagar, acho que só deve chegar aqui no ano que vem!  Para quem ‘esperou’ tantos anos, agora vai ser fácil!  

E um muito obrigada para quem sempre torceu por mim silenciosamente ou com mensagens de encorajamento!  Thanks y’all :)

Ex corde.

FPGEE  Toefl  Estágio  Naplex

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O bom e velho efeito placebo

Aqui nos EUA há pelo menos uns três tipos de heras bastante conhecidas por liberarem um óleo (urushiol) responsável por reações alérgicas ao entrar em contato com a pele.  O poison ivy é bem conhecido na costa leste americana enquanto poison oak e poison sumac são mais comuns na costa oeste.  Fui aos poucos me familiarizando com a existência dessas plantinhas e aprendendo a tomar cuidado, mas só compreendi verdadeiramente do que se trata quando trabalhava na farmácia.  O início da primavera é marcado pela enorme quantidade de pessoas correndo farmácia a dentro com braços e/ou pernas empelotadas, edemaciadas, inflamadas, com uma coceira e vermelhidão de dar dó.  [Só não perde para a multidão alérgica ao pólen que literalmente esgota Alaway e Zaditor das prateleiras.  A sazonalidade é mesmo extremamente previsível, não acha?]  Claro que não precisou muito para que eu tivesse a recomendação na ponta da língua – caladryl e compressa de água fria ou aquele produtinho ali com solução de alumínio.  Se o negócio tivesse infeccionado ou com sangue, corre para o hospital porque a reação alérgica é das brabas e um esteróide sistêmico que só é comprado com prescrição médica provavelmente vai ser necessário.

Tô contando isso tudo para contextualizar uma história que lembrei enquanto revisava o capítulo de formulações dermatológicas.  Aconteceu na primavera exatamente como descrito acima.  Uma senhora esbaforida adentrou a farmácia chorando e foi contando que estava cuidando do jardim de casa quando sentiu aquela coceira, vermelhidão e desconforto.  Ela achava que tinha tocado em algum pé de poison ivy e estava desenvolvendo uma reação alérgica.  Já tinha visto umas vinte pessoas só naquela semana com a mesma reclamação.  Depois de uma olhadinha rápida para conferir se não era preciso encaminhá-la para um hospital, pedi que ela me acompanhasse até o corredor de remedinhos vendidos sem receita, over the counter (ou ainda, OTC).  Para quem nunca teve a chance de entrar numa farmácia americana eu digo que a infinidade de formulações genéricas e de marcas de um mesmo produto é exaustiva só de olhar.  Mesmos os americanos se perdem com as muitas opções disponíveis e eu aprendi na prática que era mil vezes mais rápido largar tudo o que eu estava fazendo, passar pela portinha da farmácia, caminhar pelos corredores e me dirigir até a prateleira onde a recomendação se localiza.  Não adianta muito dizer corredor 3A, do lado direito, terceira prateleira de baixo para cima, um vidro rosa do lado das pomadas.  Contei nos dedos as raras vezes que isso funcionou.  Assim então levei aquela senhora até os vidros de Caladryl.  A pele dela estava visivelmente ficando mais vermelha e por isso o desespero dela aumentava.  Imagino a coceira dos infernos, mas acho que o choro dela estava escalonando mais rapidamente do que a a própria dermatite.  Aí o seguinte diálogo se desenrolou:

-  Tá aqui, senhora.

-  Caladryl?  Mas você não tá vendo que essa alergia está muito ruim? 

-  Sim. 

-  Não tem um remédio mais forte?

-  Este produto é a melhor recomendação OTC.  A senhora precisa ir para casa, lavar a área com água e sabão para remover qualquer resíduo da planta, aplicar o produto e se acalmar.

-  Já lavei várias vezes e não melhora.

-  Com o produto agindo na pele, a senhora vai se sentir melhor.

-  Mas você não tá entendendo a dor que estou sentindo.

-  Senhora, o Caladryl possui um analgésico justamente para tratar a dor.

– Eu preciso de um remédio mais forte!

Ela ignorou o que eu tinha acabado de dizer e seguiu desesperadamente para a prateleira do lado.  Olhou, olhou, olhou.  Pegou um vidro de uma formulação tópica em gel de um antihistamínico conhecido e me perguntou se aquilo ia fazer mal.  Bom, eu comecei dizendo que mal não ia fazer, mas que… Não consegui terminar a frase antes dela espremer metade do vidro nos seus braços e pernas ali no meio do corredor mesmo.

– AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! Parou de coçar!  Eu precisava mesmo de um remédio mais forte!  Estou me sentindo muito melhor agora!

Ela seguiu para pagar o produto no caixa mais calma e sem chorar.  E eu voltei para dentro da farmácia pensando como o velho e bom efeito placebo faz milagres!  Sim, porque o produto escolhido por ela ainda não conseguiu ter a sua eficácia comprovada para formulações tópicas.  

Ex corde. 

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Não vejo a prática da homeopatia como algo comum por aqui. * 

No Brasil, eu não precisava desviar do meu trajeto diário para encontrar uma farmácia homeopática – tinha pelo menos umas duas perto da minha casa.  Além disso, lembro que muitas farmácias de manipulação brasileiras também trabalham com homeopatia, facilitando muito o acesso aos pílulas de açúcar remedinhos de Hahnemann.  Não era preciso estar em uma área da cidade com uma população mais alternativa.  Eu sempre via as farmácias homeopáticas & manipulação como algo comum. 

Em terras americanas, eu não vejo a situação do mesmo jeito.  É  preciso compartilhar uma visão de mundo holística para descobrir onde as famacinhas se encontram.  Elas não estão integradas a uma prática comum, na verdade, elas são consideradas ramificações de uma medicina alternativa.  Nem preciso dizer que o mesmo se aplica para os médicos homeopatas, não é mesmo? 

Enquanto vou escrevendo agora, vou me dando conta que nunca vi uma farmácia de manipulação por onde já andei aqui nos EUA.  Sei que eu encontraria uma caso procurasse, mas é exatamente aí o ponto que eu levanto.  É preciso querer encontrar uma já que elas não estão tão inseridas na cultura como algo comum.  Por outro lado, as drogarias comerciais geralmente fazem manipulações simples.  Mas é quase sempre assim: as receitas médicas dermatológicas que pedem manipulações ultra simples de cremes recebem narizes torcidos dos farmacêuticos-chefe.  Já presenciei muitos técnicos de farmácia dizendo que a drogaria não tinha o medicamento em estoque só para não ter que manipular o remédio.  Apesar de morrer de dó no coração, eu entendia a situação.  A drogaria comercial americana funciona em um ritmo extremamente rápido sem a menor chance de comparação com uma drogaria brasileira.  A performance dos funcionários é medida através de número de receitas vendidas, o que não é nenhuma novidade nesse mundo capitalista de cão!  Então a manipulação na drogaria em que eu trabalhava se resumia na misturinha de hidrocortisona com um creme base e dissolução de cápsulas de omeprazol em solução de bicarbonato de sódio para crianças.  Só.  Para quê perder tempo manipulando?

Esse blá-blá-blá todo foi apenas para situar o meu caro leitor na realidade em que eu me encontro.  É mais fácil encontrar leite de arroz, farinha sem glúten, substituto de chocolate (carob), manteiga de semente de girassol, leite sem lactose, quinoa de todas as cores, ovos de galinhas que correm soltas no quintal e carne de vaca que come grama o dia inteiro do que encontrar um remedinho manipulado. 

Então agora * rufem os tambores * imagine a minha felicidade ao encontrar uma gama de florais homeopáticos na lojinha natureba perto de casa!

Florais de Bach_Ex corde

Comprei um de cada! Hahah, mentira!  Tentei lembrar das minhas receitas prescritas pelo meu querido tio-médico homeopata e resgatei da memória alguns elementos apenas.  Mas como esses florais não são manipulados especificamente para cada pessoa, eles vem com um guia explicando qual serve para o quê.  Entende?  E eles já vem embaladinhos, prontinhos com um conta gotas fofo!  Não é a prática homeopática que estou acostumada, mas quebra um galhão.  Depois daquela avalanche emocional no mês passado, eu reencontrei o meu equilíbrio com quatro gotinhas debaixo da língua algumas vezes ao dia.

Para  mim é um santo remédio!

Ex corde. 

* Os meus parâmetros para chegar a essa conclusão se baseiam em como a homeopatia é difundida no Brasil através da minha experiência pessoal.  E é assim que eu desenvolvo esse post.  Sinta-se à vontade para dividir uma experiência diferente nos comentários, se for o seu caso!

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httpwww.flickr.comphotostambako3119372622

Foto tirada daqui.

De acordo com o National Institutes of Health (NIH), um órgão americano do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, eu não consumo cálcio suficiente. A minha descoberta começou quando eu estudava tratamentos farmacológicos para osteoporose, osteopenia e osteomalácias.  A professora-Farmacêutica-Clínica-que-saca-muito-de-remédio desenvolvia o assunto com categoria até eu ter um mini-ataque de pânico e pausar a aula com apenas dez minutos.  Levantei e fui pegar um copo de leite para beber.

Porque enquanto ela ia falando, eu fui recapitulando mentalmente o meu consumo diário de cálcio.  Apesar de gostar muito de todos os derivados do leite, inclusive leite puro, eu tenho cer-te-za de que, na média, eu não alcanço a quantidade recomendada diária.  Meu café com leite matinal é sagrado; um iogurte ou um queijinho por dia é certo.  Mas veja bem, um OU outro.  É difícil eu comer mais de três porções por dia.  Chocada.

Foi então que eu lembrei que tomo um multivitamínico diário que CONTÉM cálcio.  Tô bem, eu pensei.  Pausei a aula novamente e fui atrás do pote de vitaminas para checar a quantidade de cálcio por comprimido.  Just in case.  Mas não acreditei no que vi: apenas 200 mg de cálcio, um quinto da minha necessidade diária!!  Voltei para a aula arrasada.  E ao longo da explicação dela, entendi que cálcio é um elemento volumoso e seria impraticável incluir tantos miligramas num único comprimido de MULTIvitamínico.  Seria algo quase contra as leis da física, pense em passar um elefante pelo buraco da agulha.  Pois é, os músculos do esôfago não são tão elásticos assim.

Analisei mais um pouco a minha alimentação e me senti um pouco melhor porque acho que eu me alimento saudavelmente, de um modo geral.  Consegui continuar a aula.  

Daí ela avançou um pouco mais e afirmou com toda segurança que a partir dos 30 anos de idade começa a fase inicial de perda de densidade óssea.  Pára tudo!!!  Além de não estar ingerindo o suficiente, ainda estou perdendo??  Pausei a aula de novo e fui comprar um potão cheio de comprimidos de cálcio. 

Haha, brincadeira! 

Quer dizer, mais ou menos.  Comprei o suplemento de cálcio alguns dias depois de concluir essa aula. Fui atrás do cálcio com vitamina D, pois estudos mostraram que o cálcio é melhor absorvido assim.  E além disso, há evidências de que a suplementação de cálcio sozinho (sem a vitamina D) causa problemas cardiovasculares.  Então procurei um suplemento que já vinha com os dois em um só comprimido!  Ah, e se você estiver pensando em começar a suplementação, lembra na hora de comprar que o cálcio na forma de citrato é mais legal porque não requer uma refeição; já o cálcio na forma de carbonato só pode ser tomado junto da comida.  

Sabe qual a moral da história?  Aproveitar a tenra idade para acumular densidade óssea para a gente não ficar com um saldo negativo no futuro.  A gente acumula até os 30 anos.  Depois, começa a perder gradativamente podendo chegar até 5% de perda por ano após dez anos de menopausa.  A perda de densidade óssea é inevitável com a chegada da idade madura (leia menopausa se você for mulher).  Mas se o organismo estiver bem alimentado de cálcio, a perda de densidade óssea não vai causar transtornos na vida prática.  Ou seja, dificilmente você irá desenvolver osteoporose.

Homens em geral não perdem tanta densidade óssea como as mulheres.  Mas quando um paciente do sexo masculino apresenta um quadro de osteoporose, normalmente é em grau elevado!  Então é importante que seu marido, namorado, irmão e/ou pai também consuma suficiente cálcio por dia. 

Agora as suas chances de desenvolver osteoporose aumentam se você fumar, tiver mais de trinta, beber mais de dois drinks alcóolicos por dia e não consumir quantidades suficientes de cálcio.  A equação já começa no negativo, sabe?  E infelizmente alguns remédios de uso crônico também aumentam a perda de densidade óssa, como anti-inflamatórios esteroidias (prednisone, por exemplo), alguns diuréticos, anticonvulsivos e remedinhos para diminuir a acidez estomacal.

E o serviço de Atenção Farmacêutica termina por aqui, pessoal!  Mas antes, me tira uma dúvida: você consome pelo menos 1000 mg de cálcio por dia?

Ex corde.

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Cheguei para trabalhar e a primeira coisa que os técnicos me disseram quando me viram foi:

 “Hoje é o seu último dia!”

Deu um negócio na garganta.  Parei, respirei, pensei e concluí que era mesmo.  Mas como assim eu não me preparei emocionalmente para isso?  Fui entrando na farmácia e mudando de assunto.  Eles riram.  Um das técnicas estava com o horário da semana que vem nas mãos onde o meu nome não fazia mais parte.  “Pode incluir meu nome aí, por favor?”, eu repetia.  Ela ria meio nervosa. E eu repetia com a esperança de que aquilo que eu falava em voz alta fosse acontecer!  Eu não entendo esse sentimento que me invadiu já que eu estava literalmente contando as horas para que o meu estágio acabasse.  Queria muito que uma coisa acontecesse, mas quando essa coisa realmente acontece eu fico com a sensação de que não quero mais aquilo.  Sabe?

Na verdade, as horas obrigatórias ainda não acabaram – ainda estão faltando em torno de 70 horas.  Mas eu fui transferida para uma outra farmácia da mesma rede onde eu já venho trabalhando alguns dias na semana alternados na minha farmacinha.  Aí aconteceu que a gerente perdeu uma ‘briga’ administrativa com o gerente da outra farmácia e eu não pude continuar onde sempre estive.  Por isso a técnica não pode mais me colocar no horário e a partir da semana que vem eu vou estar todos os dias da semana na outra farmácia que eu mal conheço as pessoas e não tenho tempo nem de coçar a ponta do nariz.  Não tô muito contente com essa troca não.  Na minha farmacinha a gente se gosta, se curte e mantém uma relação bem amigável além do volume de trabalho ser pelo menos 4 vezes menor.  Agora que estou na boca dos leões, tenho que dançar o samba do crioulo doido e fazer de conta que estou tirando de letra uma farmácia 24 horas com um drive-thru à tiracolo com uma fila permanente de carros dobrando a esquina.  O estresse é grande, o meu joelho não aguenta mais 10 horas seguidas em pé e o Marido já tá de saco cheio de me ver chegar em casa quase meia noite quando é dia de Centreville.  Agora vou voltar para casa tardão todo santo dia até finalizar o restante das horas.  Haja Red Bull! 

Tenho c-e-r-t-e-z-a de que não vou sentir falta do trabalho em si, mas já sei que vou sentir falta daqueles que me receberam de braços abertos na farmacinha e que me deixaram chamá-la de minha.  Deles eu já sinto falta.  Meu coração apertou quando descobri que segunda-feira foi meu último shift com o Ron e eu nem me toquei que era a última vez que eu estava trabalhando com ele.  O mesmo aconteceu com a Ms. Ngo.  Mas pensando bem, acho que foi melhor assim!  Ontem foi difícil olhar para cada funcionário da loja e ouvir eles me perguntarem se era realmente o meu último dia lá.  O curioso é que não gosto do trabalho da farmácia, não rola um brilho nos olhos nem satisfação pessoal ao exercer a minha atual função, mas adoro cada um que conheci enquanto estive lá.  E acho que eles também gostam de mim.  Até recebi um cartão fofo que veio fechadinho até chegar em casa.  Não queria ler, mas li e chorei junto com meus dois joelhos inchados como dois melões de tanto ficar em pé trabalhando naquela farmacinha.

 

Mas tô chegando à conclusão de que tudo vem acontecendo melhor do que a encomenda, pois posso até dizer que nem existiu uma despedida.  Sei que da outra farmácia mal vai rolar um “tchau” ou “muito obrigado”, o que é bom.  Não sou boa com despedidas, não mesmo!     

Ex corde.     

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Numa terra onde tudo é vivido por temporadas e as estações do ano comandam a vida das pessoas, não é surpresa para ninguém (pelo menos por aqui) que a temporada da gripe já chegou.  Fez calor e muito sol no feriado do Dia do Trabalho, até eu acordar no dia seguinte para trabalhar e ver o termômetro na janela marcando 19* graus.  Metodicamente assim: pá!, acabou o verão e pum!, no dia seguinte já tá friozinho.  É a tal da ‘sazonalidade’ da coisa, entende?  Mas voltando para a temporada da gripe, com ela chegaram as flu shots na farmácia.      

Uma vacina contra a gripe é produzida todo ano englobando as cepas dos vírus mais comuns da temporada da gripe do ano anterior.  E a desta temporada ainda inclui a H1N1.  A minha farmácia começou a vacinação há algumas semanas e eu estou podendo colocar em prática o meu treinamento!  Tô achando super divertido passar o dia dando agulhadas e as voltas com os vidrinhos de Fluvirin, rs!  Mas o mais legal disso tudo é poder ter chegado até aqui.  Para ser um ‘imunizador’, é preciso ter uma licença que só é emitida através do treinamento.  Além de aprender a dar injeções, os profissionais de saúde ainda precisam refrescar a memória a cada dois anos sobre as técnicas de primeiro socorro como a ressucitação cardio-respiratória.  Tudo sob os olhos da  American Pharmacists Association (Apha) e euzinha tô nesse meio.  Adoro!  Saí do trabalho toda orgulhosa de mim mesma e das agulhadas de hoje.

Alguém vai tomar a vacina aí?

Ex corde.

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Fun Facts

SITUAÇÃO 1

O rapaz que acabou de começar a trabalhar na farmácia (e ainda está em treinamento!) atendeu o telefone, não conseguiu resolver a situação e passou para mim.  Então eu me vejo falando com uma senhora chinesa (!?) onde o seguinte diálogo se desenrolou.  Ou enrolou, sei lá.

 –  Senhora, eu preciso do seu sobrenome e nome para procurar seu profile no sistema.
–  Xinxangxiassimtudojuntoebemrápido.
–  A senhora poderia soletrar o seu nome e sobrenome d-e-v-a-g-a-r, por favor?

E aí ela foi dando novos nomes para as letras do alfabeto.  Percebi que foi exatamente aí que o rapaz novo desistiu e me passou o telefone.  Boa sorte para acertar o que ela queria dizer, pois o sotaque era dos brabos.  Mas depois uns 5 minutos de relógio eu consegui.

–   Qual o nome do remédio que a senhora precisa?
–  Eu tenho o número da receita médica.  808405.
–  Obrigada, senhora.  Um momento. (…)  Senhora, o sistema não reconhece esse número como válido.  Você por gentileza poderia repetir para que eu possa verificar novamente o número?
–  808405.
–  É, exatamente este número.  Mas ele não corresponde a nenhuma receita médica válida no sistema. 
–  808405.  Ela repetia com a voz cada vez mais alta e impaciente.
–  Senhora, esse número não é válido.  A senhora pode me dizer o nome do remédio que a senhora precisa?
–  Eu não sei o nome do remédio.  Só tenho o número 808405.
–  Senhora, esse número não é válido.  A senhora sabe para o que é o remédio?
–  808405.
  Ela repetia quase gritando.
–  Senhora, o computador não reconhece esse número…

Até eu ser interrompida a gritos:

–  808405!  808405!  SUA ESTÚPIDA!  SUA ESTÚPIDA!  SUA ESTÚPIDA!

Clic.  E a senhora desliga o telefone na minha cara.

***

Ex corde.

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