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Archive for the ‘Saúde’ Category

Não vejo a prática da homeopatia como algo comum por aqui. * 

No Brasil, eu não precisava desviar do meu trajeto diário para encontrar uma farmácia homeopática – tinha pelo menos umas duas perto da minha casa.  Além disso, lembro que muitas farmácias de manipulação brasileiras também trabalham com homeopatia, facilitando muito o acesso aos pílulas de açúcar remedinhos de Hahnemann.  Não era preciso estar em uma área da cidade com uma população mais alternativa.  Eu sempre via as farmácias homeopáticas & manipulação como algo comum. 

Em terras americanas, eu não vejo a situação do mesmo jeito.  É  preciso compartilhar uma visão de mundo holística para descobrir onde as famacinhas se encontram.  Elas não estão integradas a uma prática comum, na verdade, elas são consideradas ramificações de uma medicina alternativa.  Nem preciso dizer que o mesmo se aplica para os médicos homeopatas, não é mesmo? 

Enquanto vou escrevendo agora, vou me dando conta que nunca vi uma farmácia de manipulação por onde já andei aqui nos EUA.  Sei que eu encontraria uma caso procurasse, mas é exatamente aí o ponto que eu levanto.  É preciso querer encontrar uma já que elas não estão tão inseridas na cultura como algo comum.  Por outro lado, as drogarias comerciais geralmente fazem manipulações simples.  Mas é quase sempre assim: as receitas médicas dermatológicas que pedem manipulações ultra simples de cremes recebem narizes torcidos dos farmacêuticos-chefe.  Já presenciei muitos técnicos de farmácia dizendo que a drogaria não tinha o medicamento em estoque só para não ter que manipular o remédio.  Apesar de morrer de dó no coração, eu entendia a situação.  A drogaria comercial americana funciona em um ritmo extremamente rápido sem a menor chance de comparação com uma drogaria brasileira.  A performance dos funcionários é medida através de número de receitas vendidas, o que não é nenhuma novidade nesse mundo capitalista de cão!  Então a manipulação na drogaria em que eu trabalhava se resumia na misturinha de hidrocortisona com um creme base e dissolução de cápsulas de omeprazol em solução de bicarbonato de sódio para crianças.  Só.  Para quê perder tempo manipulando?

Esse blá-blá-blá todo foi apenas para situar o meu caro leitor na realidade em que eu me encontro.  É mais fácil encontrar leite de arroz, farinha sem glúten, substituto de chocolate (carob), manteiga de semente de girassol, leite sem lactose, quinoa de todas as cores, ovos de galinhas que correm soltas no quintal e carne de vaca que come grama o dia inteiro do que encontrar um remedinho manipulado. 

Então agora * rufem os tambores * imagine a minha felicidade ao encontrar uma gama de florais homeopáticos na lojinha natureba perto de casa!

Florais de Bach_Ex corde

Comprei um de cada! Hahah, mentira!  Tentei lembrar das minhas receitas prescritas pelo meu querido tio-médico homeopata e resgatei da memória alguns elementos apenas.  Mas como esses florais não são manipulados especificamente para cada pessoa, eles vem com um guia explicando qual serve para o quê.  Entende?  E eles já vem embaladinhos, prontinhos com um conta gotas fofo!  Não é a prática homeopática que estou acostumada, mas quebra um galhão.  Depois daquela avalanche emocional no mês passado, eu reencontrei o meu equilíbrio com quatro gotinhas debaixo da língua algumas vezes ao dia.

Para  mim é um santo remédio!

Ex corde. 

* Os meus parâmetros para chegar a essa conclusão se baseiam em como a homeopatia é difundida no Brasil através da minha experiência pessoal.  E é assim que eu desenvolvo esse post.  Sinta-se à vontade para dividir uma experiência diferente nos comentários, se for o seu caso!

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Quando a Filomena, com a sua cara achatada, conseguiu arranhar o própio olho e transformar o arranhão numa infecção de córnea, eu me arrependi amargamente de não ter feito o plano de saúde para os gatos antes.  Gastamos muito dinheiro com as indas e vindas no veterinário comum só para descobrir que gastaríamos mais ainda com uma oftamologista de animais.  Eu nem sabia que existia essa especialidade.  E com a sua precisão, ela salvou a visão da pobre Filó e esvaziou os nossos bolsos.

Antes desse fato, eu batia o pé dizendo que não havia a menor necessidade para um plano de saúde para a gata.  Eu tinha pânico de virar aquelas pessoas que perdem a noção e tratam loucamente seus bichinhos de estimação como gente de verdade, sabe?  Mas eu também tinha uma coisa certa na minha cabeça: se eu decidi tê-la em casa, era preciso cuidar dela.  E a realidade nos Estados Unidos era diferente da realidade do Brasil.  Não que veterinário no Brasil seja barato, veja bem que não é isso que eu quero dizer.  Mas o meu querido Dr. Paulo Bernardo era mais que um veterinário!  Eram descontos, parcelamentos camaradas, telefonemas e visitas domiciliadas para parto de emergência de gatinhos sem me cobrar um centavo.  Aqui não é exatamente assim.

Eu dei o braço a torcer e decidi fazer o plano de saúde para a Filomena.  E quando adotamos o Hugo, ele também ganhou o seu plano.  Agora meus gatos recebem correspondência pelo correio duas vezes por ano para lembrar dos exames preventivos semi-anuais.  É mole?

Plano de Saude

Ex corde.

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A Fisioterapia e o Joelho

Quase um mês depois da artroscopia e entrando na terceira semana de fisioterapia, eu posso dizer que a recuperação de uma patela deslocada é chata!!  Não me entenda mal, pois tenho evoluído literalmente a olhos vistos!  Estou andando menos empenada, mais ágil e sem dores/desconfortos.  Só que ainda assim o processo continua sendo chato e devagar. 

Na primeira sessão de fisioterapia eu mal consegui dobrar ou esticar o joelho.  Era um negócio meio travado bem no meio do caminho!  O ângulo máximo que eu conseguia alcançar era de 83 graus.  Com as sessões seguintes, gelo e exercícios, eu evoluí para 100 graus, 114 graus e hoje alcancei a marca dos 127 graus.  Ainda não é o ideal, mas tenho evoluído as poucos e isso por si só já é ótimo!

A clínica de fisioterapia é muito boa!  Há técnicos que me orientam nos exercícios iniciais de aquecimento como bicicleta, extensão e agachamentos; mas há também fisioterapeutas com nível de doutorado com a mão na massa!  A cada sessão, eu recebo estímulos manuais para que a minha rótula volte a ter mobilidade além de uma mini-aula de anatomonia e fisiologia.  Adoro!  As sessões duram em torno de 1h e meia e eu saio de lá cansada como se tivesse malhado!  O mais legal de tudo é que o meu plano de saúde cobre tudinho!

Minha meta agora é conseguir subir escadas de uma vez só (ao invés de um degrau a cada vez) e para isso eu preciso fazer com que o meu quadríceps volte a reagir aos meus estímulos.  Preciso de muito exercício de fortalecimento!  Ainda quero muito tirar todo o inchaço, pois os fluídos que ainda se acumulam no meu joelho dificultam a mobilidade.  Aos poucos eu volto com a rotina de exercícios em casa também para ver se acelero a recuperação.     

Certas coisas acontecem e me fazem pensar.  Jamais vou olhar uma pessoa com dificuldades de caminhar como olhava antes.  O mundo todo é tão mais difícil quando a gente não pode exercer funções banais como, por exemplo, subir e descer escadas.  Você já parou para pensar nisso antes?  Porque euzinha nunca tinha pensado até então…  E os mais idosos que tem uma mente afiada e pensamentos a mil com um corpo que não acompanha?  Sei lá, a vida já é difícil quando somos saudáveis, imagina quando há limitações?  E imagina como tudo piora quando em cima das limitações ainda existem os olhares e comentários alheios?  Sim, porque eu recebi muito olhar torto de pessoas estranhas nas ruas porque eu simplesmente estava mancando.  Falta sensibilidade para atos de gentileza nesse mundo!

Enfim, essa história toda do meu joelho me fez refletir em vários aspectos.  Uma deficiência física, uma limitação temporária ou permanente não mudam o que uma pessoa realmente é.  A lição para mim é olhar através do físico e enxergar aquilo que realmente tem valor.

Agora preciso ir para fazer uma compressa de gelo!

Ex corde.

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A cirurgia aconteceu hoje de manhã como parte da solução do problema do meu joelho.  O procedimento é considerado simples: basicamente 3 furinhos, uma mini câmera, um tubo de solução salina e um instrumento para cortar um pedaço do tendão e diminuir a pressão que ele vem causando na minha patela.

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É uma cirurgia, mas não precisa fazer cortes grandes e nem abrir nada.  E por isso, até outro dia eu achava que seria uma anestesia local.  Engano meu!  Não tive espaço para negociar e assim, acabei tomando uma  bomba que me apagou completamente.  Já percebi que americanos não toleram desconfortos ou dor e fazem de TUDO para não sentirem NADA.  Não é que eu goste de sentir dor, mas eu tenho uma certa tolerância e sempre tenho a tendência a aguentar ao máximo para evitar remédios pesados.  Parece que essa minha mentalidade não funciona por aqui.    

Entrei no centro cirúrgico andando e conversando com a enfermeira.  O papo continuou com o anestesista enquanto ele buscava a minha veia e preparava o meu soro.  Ele colocou uma dose de Diazepam em seguida para me relaxar.  “Peraê, eu não tô tensa, não quero o diazep…” Tarde demais, o troço já tava correndo no meu sangue!  “E é assim que a gente faz aqui”, ele me disseDepois recebi uma dose de Demerol, um opióde sintético com alto poder de analgesia.  Ele é comparável à morfina, diferindo basicamente no rápido início da ação e curta duração.  Ou seja, remédio brabo com enorme potencial de causar dependência!  Nessa hora eu já estava tontinha vendo o teto girar.  Não lembro mais de nada do que conversava, mas sei que outro remédio forte vinha à caminho: o Propofol.  Essa droga é um agente hipnótico usado na indução e manutenção da anestesia.  Ele foi o sedativo que me mandou passear fora do meu corpo.  (A overdose de propofol foi responsável pela morte do Michael Jackson, alguém lembra disso?)

Tive a sensação de que o tempo passou muito rápido, pois quando abri o olho tudo já tinha terminado.  O que eu preciso confessar que foi ÓTIMO! Mas em contrapartida, eu estava MUITO grogue!  Foi a primeira vez na vida que me senti tão doidona assim e descobri que o meu inconsciente fala inglês!!  Tentei falar com meu pai no telefone, mas eu não lembrava das palavras em português.  Loucura!  E o curioso é que eu tinha consciência de que tava literalmente drogada.  Eu sentia dificuldade de falar e lembro que eu não lembrava de absolutamente nada.  Amnésia!  Lembro da enfermeira rir de mim porque eu já tinha perguntado quatro vezes quais remédios eles tinham me dado.  Eu simplesmente esquecia.  Quando desliguei o telefone com meu pai, devolvi o telefone para o Marido, dei uma viradinha na cama e pedi para o Marido ligar para o meu pai porque eu queria contar para ele que a cirurgia tinha terminado.  Haha, muito doida!!

Agora estou em casa, me sentindo bem, com o pé para cima, com gelo no joelho, sem remédio e praticamente sem dor.  O efeito da bomba passou relativamente rápido e eu decidi não tomar o Tramadol, que o médico me receitou 3 vezes ao dia, caso eu não tenha dor.  Não preciso de mais um analgésico opióide.  Na verdade, ainda tô me perguntando se todos aqueles remédios eram realmente necessários.  Não sei ao certo como é feito no Brasil, mas tenho a impressão de que a gente (brasileiro) não acha que vai morrer caso sinta algum desconforto.  A sensação que tenho por aqui é que os americanos não querem ver nada, lembrar de nada, sentir nada.  Absolutamente nada.  O que tem um lado é bom, é verdade, mas se levado ao extremo não fica tão bom assim por causa da quantidade de medicamentos.  Sei lá, não gostei da sensação causada pelos remédios fortes.  Todo o meu conhecimento farmacológico se volta contra mim, pois não saber nada seria muito melhor nessas horas, não seria?

Ex corde.

A Fisioterapia e o Joelho

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