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Posts Tagged ‘American Way of Life’

Ontem foi Halloween.  E eu cheguei de viagem exatamente na hora que as crianças se preparavam para sair na rua para pedir doces.  A entrada do meu condomínio estava caótica.  A fila de carros virava o quarteirão bloqueando o cruzamento.  Confusão.  Estresse. Carros atravessados. Impaciência. Calor.  (Faz calor no Texas nessa época do ano, é mole?)  Talvez a confusão fosse por conta de uma festa de Halloween no condomínio, não sei ao certo. Só sei que tudo estava um caos.  Crianças fantasiadas pipocavam de todos os lugares com seus baldinhos na mão.  Os vizinhos estavam na frente das suas casas observando a movimentação.  Com tantos carros estacionados na minha rua (inclusive na frente da minha casa), o taxista teve que embicar na minha garagem.  Saí empurrando a minha mala até a porta da frente de casa.  O vizinho do lado me cumprimentou.  Senti um alívio enorme quando ele me viu chegando de viagem.  Já que eu estava viajando, não teria como eu estar preparada para o Halloween – era só o que eu queria que estivesse passando na cabeça dele!  

E é aí que está um dos motivos que me incomodam no Halloween.  Rola uma expectativa de que todo mundo tem que curtir essa festa.  E como envolve criancinhas pedindo doces, é claro que você vai participar da celebração.  Crianças fofas fantasiadas, pô!  Como assim você vai ter coragem de não dar doces para elas?  Aí vem a culpa. 

Entrei em casa correndo.  Estava dando um pouco de atenção para os gatos quando a minha campainha tocou.  Eram seis horas da tarde.  Hugo tomou um susto e saiu correndo.  Eu não tinha nenhum doce para dar.  Minha casa não está decorada para o Halloween e ainda assim a campainha começou a ser tocada!  Respirei fundo.  Arrastei a mala para o quarto, troquei de roupa, peguei minha bolsa e apaguei todas as luzes de dentro e de fora da casa.  Corri para a garagem enquanto a minha campainha continuava a ser tocada.  Entrei no carro e dei ré com muito cuidado para não atropelar nenhuma criança.  Estava a caminho da casa de uma amiga.  Todo ano eu saio de casa no dia 31 de outubro porque me sinto super mal em ignorar a campainha.  Fazer de conta que eu não estou em casa me soa meio mal educado, já que eu sei que eu estou em casa.  Eu queria mesmo era ter uma vassoura de bruxa para sair voando! 

Talvez eu não curta Halloween porque eu não curto nada relacionado com monstros, fantasmas, zombies, caveiras, máscaras ensanguentadas & afins.  Dentro daqueles que não me assustam, estão aqueles outros de extremo mal gosto.  E nenhum dos dois me agradam!  Outra coisa trash é o fato da televisão americana começar a exibir filmes de terror no início de outubro.  E eu não vou nem mencionar os exageros na quantidade de tranqueira made in China que começa a ser vendida com mais de um mês de antecedência.  Li em algum lugar aqui, que a estimativa de gastos dos americanos no Halloween desse ano é de 6.9 bilhões de dólares.  Dois bilhões são gastos só com doces, muitos desses que vão parar na lata do lixo.  Já ouvi mães dizendo que jogam fora grande parte dos doces que as crianças ganham na noite do dia 31.  E sabe por que?  Elas ganham baldes, sacos e sacolas cheios de MUITO doce.  E por doce, leia-se chocolates, balas, bombons, pastilhas, e tudo mais carregado de açucar.  E se seu filho estiver lutando contra a balança?  Ou for diabético?  Ahhh, não tenho interesse em participar disso e muito menos em ver meu dinheiro ser jogado fora.

Apesar de já ter ouvido inúmeras pessoas afirmarem não gostar de Halloween por ser uma homenagem satânica (?), eu não faço nenhuma co-relação da minha opinião pessoal com religião.  Acredito que há fatores culturais envolvidos nessa questão.  Eu já me fantasiei várias vezes e curto uma festinha com tema de Halloween.  O que eu não consigo engolir é a ‘grandiosidade’ da festa nos Estados Unidos e a expectativa de que todos participem dela decorando as casas, distribuindo doces e vestindo fantasias.  Talvez eu mude de idéia em um futuro com filhos.  Ou talvez fique mais irritada ainda, haha! Posso virar uma mãe assim, ou assim, ou ainda assim. Vai saber…

Cá entre nós, eu não saio contando para as pessoas por aqui que eu não curto Halloween porque a festa parece popular demais para alguém ir contra.  Mas enquanto escrevia esse post, encontrei várias outras pessoas no Google que não gostam do Halloween por diferentes motivos.  Artigos em inglês aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e uma foto que retrata bem o assunto aqui.  Nada mal saber que muitas outras pessoas também não curtem o Halloween.

Ex corde.

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Sabe aquelas coisas que são ruins com elas, mas pior sem as benditas?  Pois é, esse é o meu sentimento em relação ao serviço postal americano (United States Postal Service – USPS).  Não dá para viver sem ele tendo literalmente todos os membros da minha família longe.  E longe mesmo.  O ruim é me dar conta de que quase nunca fui a uma agência deles sem sofrer mini-ataques de frustração, raiva, ansiedade ou todas as alternativas juntas.

Antes de mudar, o correio mais perto de mim era composto por um quadro de funcionários que parecia sofrer de constipação grupal crônica.  Sabe aquela cara tensa?  Aquela coisa de querer resolver o problema logo para poder correr pro banheiro?  E sabe aquela insatisfação depois de fazer força no trono e nada?  É assim que eu defino o tratamento dado por t-o-d-o-s daquela agência de correio.  Eu sei que atendimento ao público em um país tão misturado culturalmente é um desafio, mas ainda sim é importante manter um padrão de tratamento no mínimo suportável.  Não era o caso.

Para ilustrar, vou contar só uma das muitas (muitas mesmo!) historinhas:

Uma vez, ao ser abordada sobre mais ou menos quantos dias a minha encomenda levaria para chegar em solo brasileiro, a mulher enfezada que me atendia me disse com desdém que o serviço de correio de países pobres como o Brasil não são confiáveis.  Na ocasião, eu só fiz perguntar se ela tinha alguma experiência pessoal com o nosso correio e se ela já tinha ido ao Brasil.  Não & Não foram as respostas que vieram seguidos de um silêncio.  Daí ela parou, respirou fundo, mudou o tom de voz e com muito cuidado perguntou se eu era brasileira.  Ela ficou sem graça porque não conseguiu prever a minha nacionalidade antes do comentário infeliz.  Tentou desconversar dizendo que eu não tinha sotaque e tal.  Ah, sai pra lá!  Até onde eu sei, o correio brasileiro é caro pra chuchu, mas ele não pode carregar nas costas a culpa da lentidão da Alfândega Brasileira nos pacotes internacionais.  O pobre do correio funciona, pô!

Foi então que alguns anos depois, eu mudei de cidade & estado e claro que um dos primeiros lugares que aprendi como chegar foi a agência do correio mais perto de casa.  Apesar do caminho não ser muito conveniente, eu estava gostando da agência grande e das filas rápidas.  Mas a lua de mel durou apenas um mês e meio.  Quarenta e cinco dias. 

Acha uma posição confortável aí porque a história é longa.

Mandei uma encomenda para o Marido que nunca teve o status atualizado no site do correio.  Dez dias se passaram e eu não conseguia rastreá-la.  A encomenda deveria levar 2-3 dias para chegar e estava claro que algo tinha acontecido.  Ao chegar na agência, fui atendida pelo mesmo funcionário que tinha recebido a minha caixa.  Quando eu expliquei o que me levava até lá, ele disse que lembrava de mim.  Ele me perguntou quanto tinha sido o valor da encomenda e quando eu respondi, ele me mostrou a etiqueta comprovante de pagamento que deveria ter sido colada na minha caixa.  Eu comecei a ter dores de barriga.  Ele completou dizendo que no dia que eu deixei a caixa, ele pensou até em ir atrás de mim lá fora já que a caixa tinha “desaparecido” do balcão.  Eu comecei a suar frio ao ouvir a palavra disappeared saindo da boca dele.  Como assim, criatura?  Ele ainda me perguntou se eu não tinha levado a caixa de volta para casa.  Nessa hora eu já estava literalmente vermelha de raiva.  All flushed!  E ele na maior calma me despachou para casa, pois ele não poderia fazer nada somente com o papel do número de rastreamento.  Ele queria o recibo.  Tudo bem, eu entendo que o recibo é importante.  Mas eu queria saber qual era o procedimento nessas situações e insisti que ele me explicasse o que aconteceria quando eu retornasse lá com o bendito papel.  Ele se mostrou claramente incomodado pela minha pergunta e me respondeu com um tom de voz bem impaciente que levaria o caso ao gerente.  “Você pode chamar o gerente para mim agora, por favor?”, eu retruquei.

O gerente não apareceu, mas fez o atendente entrar e sair a cada minuto para me perguntar detalhes sobre a situação.  Ele pegou o número de rastreamento para finalmente tentar entender o que estava acontecendo.  Nada.  O gerente me aparece então numa janelinha ao lado me dando as instruções para ligar para a central de atendimento dos correios, dar o número do CEP do destino da minha encomenda, descobrir qual era a agência do correio que a caixa deveria ser mandada, descobrir o número de telefone deles, ligar para perguntar se por acaso a minha caixa não estava perdida por lá.  Ele estava me pedindo para fazer o trabalho DELE de tentar localizar a encomenda, sentiram o drama?  Quando argumentei sobre a impossibilidade da caixa sequer ter sido enviada pela falta de selo/carimbo/adesivo/etiqueta que comprova o pagamento, ele contra argumentou que é improvável, mas não impossível.  Okay. 

Obviamente a encomenda não estava lá e quando eu comuniquei o gerente, ele me disse que ia ligar ele mesmo para confirmar a tal informação.  Sério?  Para quê então desperdiçar o meu tempo já que não dá para confiar no que eu digo?

Ninguém sabia do paradeiro da caixa e nem conseguia explicar o que tinha acontecido.  O sistema de rastreamento só mostrava que aquela agência do correio tinha recebido a encomenda, nada mais.  Eu não consigo entender como a encomenda “desapareceu” do balcão do atendente antes mesmo dele ter tido a oportunidade de colar a etiqueta que comprova o pagamento.  Pedi do gerente para assistir os vídeos das câmeras de segurança que existem atrás do balcão de atendimento.  Segundo ele, as câmeras não funcionam.  Quando eu levantei a possibilidade da minha encomenda ter sido roubada, o gerente demonstrou preocupação apesar de defender seus funcionários.  Seria leviandade da minha parte acusar alguém de roubo, pois eu não tenho nenhuma prova concreta para acusar ninguém.  Mas quem me prova o contrário?

Perguntei o que deveria fazer para registrar uma queixa oficial.  Precisava ainda de uma explicação por escrito para encaminhar para a companhia de celular para evitar custos extras.  Uma parte de uma transação que estamos fazendo com eles estava na caixa e portanto, tudo será atrasado por culpa dos correios.  Foi quando descobri que teria que ligar para a central de atendimento novamente e assim o fiz, ali mesmo na janelinha ao lado do balcão.  Uma outra atendente teve a coragem de me dizer que eu não podia falar no telefone ali e me mandou sair da agência.  Isso aconteceu exatamente quando a pessoa do outro lado da linha não estava conseguindo entender as instruções do gerente (que eram equivocadas) e pediu para falar com ele.  A atendente se calou.  Eu definitivamente não queria estar naquela situação.  Ao invés dos funcionários do correio me ajudarem a resolver um problema criado por eles, eles fizeram parecer como se eu estivesse pedindo um favor.  Quando pedi do funcionário que tinha me atendido inicialmente para me dar a etiqueta comprovante da minha postagem que deveria estar na caixa, ele se negou.  Eu paguei por aquilo e ainda assim ele não quis me dar – claro, ele sabe que aquilo era o atestado da incompetência dele! 

Quase uma hora depois, me deram um formulário para preencher pedindo o reembolso da postagem.  Mas como eu não tinha pago pelo seguro, nada do que estava dentro da caixa vai ser reembolsado.  Tá, eu sei que imprevistos acontecem durante o transporte de encomendas e por isso a existência dos seguros, mas será que eu também sou obrigada a pagar extra para me proteger de funcionários do correio que simplesmente não fazem o seu trabalho corretamente?  É triste, mas a resposta é sim.

Então crianças, fica a dica: jamais envie nada pelo USPS sem seguro.  Peça ainda uma assinatura mandatória no recebimento da encomenda e confirmação de entrega.  Porque o correio do Brasil pode demorar facilmente até três meses (!) para entregar uma encomenda, mas eu nunca tive nenhuma experiência mágica de desaparecimento súbito de caixas com eles.

País pobre e nada confiável, sei!

Ex corde.

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Foto do Google Images.

A prática do cupom de descontos é algo extremamente comum nos Estados Unidos e não posso negar que a idéia é interessante!  Se você não sabe muito bem do que se trata, aqui eu explico melhor como os cupons funcionam!  Acontece que como tudo na vida em excesso não é saudável, alguns americanos tem levado o uso dos cupons ao extremo.  Absurdamente.

O canal de televisão TLC tem um programa que fala exatamente sobre pessoas que levam essa prática ao extremo.  A princípio, eu achei muito bacana um meio de comunicação de massa chamar atenção para o excesso, mas o tiro saiu pela culatra.  O formato do show poderia ser como aquela série onde a acumulação compulsiva é abordada como um distúrbio psicológico, há uma intervenção e inicia-se uma tentativa de tratamento.  Mas não, o programa sobre cuponzeiros exalta, engrandece, enaltece e parabeniza as pessoas dodóis que respiram cupons vinte e quatro horas por dia.  Olha só uma amostra aqui.   

Alguém já viu esse programa de televisão?  Ontem eu assisti uma mulher atormentar a vida da família dela na busca de cupons de supermercado.  A filha declarou abertamente o quanto odeia a incessante busca por cupons, já que a mãe não dá conta de recortar tanto papelzinho sozinha e recruta a menina de 10 anos para a tarefa.  Aquela senhora gasta uma média de 35-40 horas por semana colecionando cupons.  É um trabalho de tempo integral! 

Foto do Google Images.

Ela mostrou suas pastas metodicamente organizadas por categorias e contou como faz para acumular tantos cupons: ela gasta horas nos sites das empresas buscando cupons que possam ser impressos em casa; ela compra 20-30 jornais diariamente para recortar vários do mesmo cupom; ela sabe decorado a programação de ofertas dos supermercados locais para usar os cupons combinados com as promoções, só para citar algumas maneiras.  Será que ela também cata cupons no lixo?

extreme-couponing-dumpster1 Foto tirada do Extreme Couponing
O programa de ontem então continuou mostrando o estoque de produtos que ela mantém em casa.  É aí que o lado doente da coisa fica mais evidente, já que uma despensa capaz de manter uma família por três anos não é algo dentro da “normalidade”.  Até os produtos enlatados e engarrafados tem data de validade.  Quanto tempo leva para a sua família consumir quinhentas jarras de molho de macarrão?  E trezentos vidros de mostarda?  E duzentos e quarenta e sete (247!) vidros de desodorante? Os números são ridículos, pois não consigo entender como uma família de três pessoas consome isso tudo antes de estragar. 

Uma ida ao supermercado e shampoo para o resto da vida.  Foto Google Images.

Isso é a garagem de uma casa, tirada daqui.

Outra garagem.  Fonte aqui.

Sério?  Foto daqui.

Quase morri roxa de raiva quando a cuponzeira dizia que ela era inteligente por levar as coisas para casa de graça, que ela jamais pagaria por uma conta de supermercado inteira, que os cupons eram a vida dela!  Sério?  E nesse episódio, as câmeras acompanharam ela no supermercado. 

* Google Images Extreme Couponing
Quando a conta inicial de mais de 800 dólares baixou para menos de $50, a cuponzeira literalmente chorou de felicidade.  Eu figurativamente chorei de vergonha alheia.  E o canal de televisão ainda enobrece a causa permitindo que outras mulheres sigam os passos dela, já que semanalmente várias outras mulheres dividem a mesma loucura maratona de cupons na tv.  Como azeite de oliva é melhor para a minha saúde, troquei para o canal de culinária!

Mas aquilo ficou na minha cabeça e vim pesquisar sobre o assunto na internet.  Li alguém falando sobre um episódio em que a mulher tinha tantos produtos em casa que não tinha mais onde guardar.  As paredes dos quartos (inclusive o quarto dos filhos pequenos), sala e até banheiros eram cheios de prateleiras recheadas de produtos até o teto. Se isso não é doente, eu não sei o que é então.  Li ainda sobre a prática que essas pessoas tem de combinar os cupons com ofertas do tipo “pague um e leve outro de graça” e depois vender os produtos que eles conseguiram free em sites como eBay e Craigslist.  Achei que o objetivo inicial dos cupons era dar uma forcinha nas compras do mês e não virar uma fonte de renda.  Tem muita coisa errada nessa história!  

Respondendo a minha pergunta de quase três anos atrás, eu nem tenho uma pastinha de cupons.  A gente recebia um livrinho só de cupons do Washington Post todo domingo e a grande maioria dos cupons eram para comida/produtos processados que eu não uso.  Percebi que cupons para coisa de qualidade são raros, não só para alimentos, mas como para produtos de limpeza também.  E eu não vou fazer como a vizinha da minha amiga Jô que não permite a filha ter um sabor/marca de iogurte favorito já que ela só compra aqueles que ela tem um cupom $0.50 de desconto.  Ah não, há várias outras maneiras de economizar. 

Outro dia comentei sobre um aspecto da cultura americana que eu achava muito válido de copiar.  Hoje mostro um hábito que simplesmente me dá arrepios.

Ex corde.

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just_say_no

Há uma série de comportamentos na cultura americana que me irritam profundamente, há outros tanto que eu não entendo a razão de ser e tem um bocado que eu já incorporei na minha vida.  Uns viram um hábito mais facilmente, outros exigem uma quebra de paradigmas culturais, digamos assim.

Dizer não é algo que os americanos fazem sem muito esforço (invejinha!) e que requer um pouco de suor & sangue dessa brasileira que vos escreve.

Vou trabalhar com generalizações a partir de agora.  E como sei que toda generalização é burra, o meu texto vai ser meio discutível.  Fique à vontade para discutir nos comentários, se assim quiser.

Brasileiros não são criados para interagir socialmente de uma maneira objetiva.  Há todo um protocolo cheio de nove horas e seria possível até redigir um dicionário de expressões no estilo “quando alguém falar isso, elas querem dizer isso”.  Sentimentos como culpa e ressentimento caminham livremente nesse universo.  Dificilmente um brasileiro vai ignorar a palavra – culpa – ao soltar um NÃO para um amigo e/ou familiar.  É natural para a cultura local.  Se a objetividade não é exercitada desde criança, é difícil mesmo não se sentir mal ao ser objetivo. 

Eu confesso que engrosso a lista dos que tem dificuldade de dizer não.  Mas viver numa cultura mais direta tem me ajudado a mudar a minha maneira de pensar e de agir.  E sabe por quê?  Porque a vida é simplificada.  Confesso [2] que no início me chocava com a frieza toda a vez que alguém dizia não.  Mas geralmente não há milindres e nem sentimentos machucados porque as pessoas são “treinadas” para serem objetivas.  Já vi várias situações em que alguém diz não e a pessoa que recebeu fica de boa.  E o mais curioso é ver a liberdade de dizer não sem nem precisar explicar porque.  E o outro não pergunta porque.  Ninguém quer saber porque.  Simples.  Não dá, não dá!

Em termos práticos, é uma maravilha!  Quando minha amiga ofereceu um almoço de despedida para  a gente alguns dias antes da mudança, trabalhamos com o número EXATO de pessoas que iriam almoçar com a gente.  Nada foi comprado demais, nenhum desperdício de comida e nenhuma ansiedade esperando a Mariazinha que disse que vinha, mas nunca apareceu.  O curioso é que da mesma maneira que o não é não, o sim é sim!  Quando um americano diz que sim, pode contar com ele.  Todas as vezes que chamava os vizinhos para almoçar ao meio-dia, a campainha da minha casa tocava ao meio-dia em ponto.  Por mais ridículo que eu achasse, isso sem dúvida facilita a vida.  (A pontualidade é assunto para outro post.) 

Mais uma situação que reflete as diferentes culturas: o Google americano traz na busca de resultados vários artigos encorajando a prática do não com as crianças, como dizer não positivamente e, acima de tudo, respeitosamente.  A grande maioria é voltada para auxiliar os pais na formação dos filhos e como é aceitável dizer não.  It’s okay to say no.  Quando é a vez do Google brasileiro, os inúmeros artigos com idéias mirabolantes de desculpas esfarrapadas para dizer não me fizeram pensar no assunto.  Os artigos que não sugeriam mentiras para dizer não passavam invariavelmente no campo da culpa, ressentimento, mágoa.  Até que ponto esse aspecto da nosso cultura é saudável?       

Eu gosto da sensação de liberdade que um não traz.  É honesto.  Eu não me sinto obrigada, não preciso passar por cima de mim, não preciso apertar a minha agenda para encaixar mais um compromisso, e o melhor de tudo é que nada disso vem acompanhado por drama.  Quem recebe o não, não transfere a sua frustração e/ou sensação de rejeição levando para o lado pessoal.  Até porque sei que às vezes um não é tão mal recebido que dá vontade de chorar com a fraca interpretação.  Já passei por situações em que tive muita dificuldade para explicar para um brasileiro que o meu “não” não era uma ofensa pessoal contra a outra pessoa, sabe?  Vou vendo que a cultura em que estou inserida vem influenciando bastante a maneira como eu lido com o dizer não.  E você, como você lida com o não?  Você sabe dizer não ou ainda é uma arte?

E para aquele brasileiro que mora no Brasil e não tem problemas em dizer não?  Divide aqui comigo como você faz… =) 

Ex corde.

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Depois de encontrar Coca-Cola mexicana para vender na Home Depot (loja de materiais de construção & afins), eu parei para pensar no auê que a versão Hecho en Mexico causa nessa parte do país.

Coca-Cola do Mexico_Ex corde

Já ouvi várias pessoas jurarem de pé junto de que ela é melhor que a Coca-Cola americana e pagam mais caro por ela feliz da vida.  O motivo?  Dizem que a versão latina é feita com açucar de verdade ao invés de glicose de milho (high fructose corn syrup) e por isso, é mais saborosa.  Já ouvi também que é porque ela é produzida em garrafas de vidro, preservando mais o sabor.  A Coca-Cola americana só é vendida em garrafas plásticas ou latas, por isso a diferença.  Talvez seja uma combinação dos dois.

O spokesman da Coca-Cola Company afirmou que a bebida é adoçada diferentemente através do planeta de acordo com a disponibilidade  e custo de matéria-prima.  Mas ainda assim, os testes e pesquisas da empresa garantem que não há variação perceptível no sabor.

E por que tanto alvoroço?, eu me pergunto.  Encontrei até um artigo no New York Times falando exatamente sobre isso.  Artigo aqui, em inglês.

Como eu não tomo refrigerante há muitos anos, não saberia diferenciar sabores.  Daí então a curiosidade, alguém conhece a Coca-Cola mexicana?  Porque até então eu nunca soube da existência dela e nem dos seus fãs. 

Alguém já provou?  Tem tanta diferença mesmo?

Ex corde.

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A gente morava em uma townhome na área metropolitana de Washington DC.  A casa tinha apenas um pedacinho de grama na frente que levava 15 minutos para molhar com a mangueira.  Atrás era um pátio com um deck de madeira.  O resto de área verde era tudo área comum do condomínio.  É como se fosse vida de apartamento, sabe?

Agora temos um quintalZÃO enorme todo gramado.  Antes de entrar em desespero pensando a trabalheira que seria molhar a grama toda, descobri que a casa nova tem um sistema de irrigação.

Eu disputo a janela com o Hugo toda vez que o sprinkler system começa a funcionar.  Não sei quem tá curtindo mais, ele ou eu.  Só que eu saio na vantagem porque posso sair de casa e ver os caninhos espirrarem água de perto.  Ele não.

Sprinkler System_Ex corde (2)

A área a ser molhada é dividida por zonas e o sistema inteligente de irrigação alterna onde molhar fazendo tudo por partes.  Daí quando todas as zonas foram molhadas, o sistema recomeça para uma segunda molhadinha, zona por zona.  Todo o quintal é molhado, toda a frente da casa, todo o lado, em cima e em baixo, tudo.  É uma maravilha!

Sprinkler System_Ex corde (6)

Sei que esse sistema é bem comum aqui nos Estados Unidos e já vi em vários lugares, mas para mim ter um em casa é novidade!  Eu ainda estou me acostumando com os caninhos que se escondem debaixo da terra.  Acho o maior barato quando eles saem todos cobertos de grama e começam a jorrar água numa pressão louca.  A água vai longe!  E é mais legal ainda vê-los se esconder na terra depois de terminar o trabalho.

Sprinkler System_Ex corde

*  Minha grama parece mais um monte de palha seca!  Quanto calor faz nesse lugar!

Há diferentes tipos de caninhos, uns que ficam paradinhos e outros que giram de um lado para o outro.  Esses últimos parecem ter uma potência maior.  A gente controla quanto tempo cada zona vai funcionar e quantas vezes os ciclos se repetem em um painel de controle instalado na garagem.  Estou achando  essa tecnologia uma invenção muito bem bolada! 

O único problema é que San Antonio está racionando água e a prefeitura proibe o uso dos caninhos diariamente.  E nesse calor desértico, só me resta apelar para a boa e velha mangueira para não deixar a grama morrer seca!

Mangueira_Ex corde

Ex corde

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Já tá virando quase uma tradição: todo feriadão da independência americana a gente tenta assistir os fogos de artifícios em um lugar diferente!  E como este ano não vai ser diferente, vamos pegar a estrada daqui há poucos rumo à praia em Maryland (estado vizinho).  Tô igual pinto no lixo porque a praia é o meu lugar favorito para ver os fogos!! 

E sabe o que mais? Eu adoro esse feriado!  É quando o verãozão tá aí, sol, calor, gentes felizes, piscinas abertas, crianças de férias, pessoas nas ruas, frutas frescas, bebida gelada, chinelo no pé… Tem um quê diferente no ar!  E sem falar na preparação para o 4 de julho.  As lojas se transformam num mar azul, vermelho e branco com uma parafernália inacreditável.  Eu acho divertidíssimo ver as idéias (algumas horrendas) que saem da cabeça deles!  

E tem ainda o outro lado da celebração –  o lado do reconhecimento da história do país.  Me chame de cafona, mas eu acho bacanérrimo a genuína demonstração de orgulho de um típico americano quando o assunto é a pátria deles.  E olha que eu nunca fui muito fã do patriotismo, mas morar nos EUA tem feito com que eu exercite esse lado.  A minha vida aqui é diferente da vida que eu tinha no Brasil e as circunstâncias de hoje proporcionam uma reflexão maior no significado dos símbolos.  Uma bandeira carrega história e eles aprendem desde cedo a se orgulhar da trajetória do país, mesmo que ela alterne entre a vitória e fracasso em muitos momentos.  Acho legal quando o sentimento não cega aquele que o sente, se é que você me entende!

E não posso esquecer que esse ano eu comemoro o meu primeiro 4 de julho como cidadã americana!  A sensação que dá é que agora eu faço parte da festa, ao invés de ser apenas uma expectadora.

Volto na terça-feira com fotos dos fogos na praia!

Happy 4th of July!

Ex corde.

 

4 de julho 2009 na Florida

4 de julho 2010 Virginia

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