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Posts Tagged ‘Comportamento’

O Dia da Mulher quase não é lembrado por aqui.  Não há anúncios de lojas, não há vendedores de rosas nos sinais, não há cartões e nem nada parecido aproveitando a ocasião e nunca ouvi ninguém me parabenizando pelo meu dia.  E eu acho muito bom não ter mais que lidar com a hipocrisia alheia no dia 8 de março de cada ano. 

Não me entenda mal: acho a celebração das conquistas femininas no âmbito social, econômico e político muito interessante.  Acho digno existir uma consciência que exalta o respeito pela luta das mulheres de exigir igualdade entre os sexos, poder votar e poder exercer cargos públicos.  Bato palmas para aquelas que queimaram sutiãs em praças públicas para protestar, pois se não fosse a reindivicação de muitas talvez a minha realidade ainda fosse o destino incontestável de dona de casa, mãe de uma penca de filhos que passa o dia com o umbigo o fogão – não por escolha, mas por não existir outra opção.

Só que rola um pseudo respeito que, além de ser tão exarcebado na cultura brasileira no dia 8 de março, ainda reflete comportamentos extremamente incoerentes.  Enquanto mulheres forem violentadas e ainda existir pessoas atribuindo parcela de responsabilidade para uma saia ou um decote dizendo que elas pediram para ser estupradas, eu me sinto enojada com um “Feliz Dia das Mulheres”.  Feliz?  Tem certeza?  Acho uma tristeza ter que sempre pensar duas vezes que tipo de roupa colocar para ter certeza de que não vou correr o risco de ser atacada por algum tarado pelo simples fato de eu ser mulher.  Não estou pirando não.  Quando tinha uns 13 anos, eu falava no orelhão (daqueles que tem vários telefones em um mesmo poste) na frente da padaria numa esquina movimentada na Moreira César em Niterói quando um homem que usava o orelhão na frente do meu, colocou o pinto duro para fora.  Eu só vi porque baixei a cabeça enquanto falava.  Fiquei nervosa, comecei a tremer sem entender direito a situação.  Fiquei na dúvida se aquilo era para mim mesmo, mas como eu era a única pessoa a usar o orelhão (além do tarado) decidi não pagar para ver e cortei a conversa imediatamente.  Não gritei e não chamei atenção, apenas corri para dentro do prédio do outro lado da rua.  Não sei o que mais poderia ter acontecido se eu continuasse batendo papo naquele telefone público naquela tarde.  Algumas outras mulheres vivem situações com um desfecho um tanto mais complexo do que o que eu vivi, mas a sensação de impotência e desrespeito é lugar comum em qualquer ato de violência, seja ela física, moral, psicológica e/ou emocional.  Tenho medo até hoje.  E a parte pior disso é que quase toda mulher tem uma história de horror para contar que tenta enterrar no fundo da memória por se sentir humilhada, envergonhada e fragilizada. 

Quem disse que mulher gosta de receber cantada no meio da rua?  Quem distribui por aí autorização para estranhos falarem/olharem com conotação sexual sobre alguma parte do seu corpo?  A menina ainda criança cresce sendo ensinada a ignorar para evitar o pior.  O que estamos ensinando para as meninas?  A internalizar a violência como algo normal?  É, isso mesmo já que o medo fala mais alto.  Não é novidade que a reação de uma mulher pode transformá-la, ou em alvo de chacota ou a agressão verbal alcança um nível maior.  Sem falar nas chances de violência física e até morte.  E as passadas de mão que uma mulher que usa transporte público tem que aturar? Se isso não é violência, eu não sei bem o que é então.  Isso é realidade diária de muita mulher (eu incluída aí até mudar para cá).  Tem noção, seu moço?   

Tem ainda os mil lugares comuns que são TÃO comuns que muita gente nem percebe mais como desrespeito.  Uma amiga me contou que tinha que ouvir comentários incômodos do ex-namorado quando ela não fazia a unha toda semana.  Ter que lidar com isso?  E o respeito pela vontade de não fazer a unha onde fica?  Uma outra amiga me confessou uma vez que o namorado não permite que ela beba nada alcóolico, porque isso não é um comportamento de uma “moça de família”.  E o respeito pelas escolhas dela?  Não vou nem aprofundar nas pessoas que vêem mulheres sexualmente ativas como promíscuas.  Que ano é hoje, gente?  Ser simpática é dar mole.  E se levarmos a questão para o lado racial, tenho certeza que o desrespeito pela moreninha de cabelo crespo aumenta exponencialmente.  Se esses “pequenos” desrespeitos não são vistos como tal, a violência tende a crescer.  Tem mulheres morrendo diariamente como resultado dessa violência das maneiras mais estúpidas possíveis, como rejeitar um pretendente ou terminar um namoro.  As agressões fatais muitas vezes não tem explicações, seja a morte por espancamento ou por um tiro de revólver.  É assustador. 

O desrespeito pelo corpo da mulher é claro onde quer que vá no Brasil.  As propagandas de cerveja não se cansam de propagar o uso sexual do corpo feminimo e as outras inúmeras propagandas de altíssima conotação sexual desnecessária que passam livremente na televisão?  Não sou moralista, mas fiquei chocada na última vez que fui no Brasil.  A mensagem passada é de que o corpo da mulher muitas vezes nem é mais propriedade dela.  A violência tá dentro de casa – oito mulheres são assassinadas todos os dias vítimas da violência doméstica no Brasil.  Tá achando exagero, então clica aqui.  É desrespeito por cima de desrespeito que paira no ar.  E como o ar que a gente respira é tão normal na nossa vida, a gente nem sente mais a presença dele.  A não ser que ele nos falte.  Saca?  Daí depois muita gente se choca com notícias de crimes bárbaros.  Estuprar mulheres como presente de aniversário?  Aqueles homens cresceram vendo o desrespeito contra a mulher nas mais diversas manifestações.  Esperar o quê?  Consciência e respeito? Políticos e pessoas influentes fazendo parte de estupro coletivo?  E não venha me dizer que quem “somente” acha a mulher culpada por provocar o homem está numa situação diferente daquele que pratica o ato em si – o desrespeito violenta a mulher igualmente e pode deixar sequelas profundas por uma vida inteira. 

Os Estados Unidos é um país que está muitíssimo longe de um modelo de sociedade perfeita, igualitária onde todos são respeitados.  Mas a grande diferença é que eu não preciso fazer cara de agradecida ao ouvir os parabéns pelo meu dia (hoje) vindo da boca de muitos que são os primeiros a desrespeitar as mulheres – direta ou indiretamente. 

Ex corde.

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Adorável Rotina

Arrisco dizer que finalmente estou entrando em algo parecido com uma rotina.  Há diversas coisinhas irritantes para serem feitas diariamente seguindo o mesmo ritmo sempre.  Os dias de semana já tem cara de dias úteis enquanto os finais de semana começam a esboçar alguma inutilidade.  O galão de leite dura uma semana e as verduras não estragam mais na geladeira porque a rotina me dá a chance de progamar.  Isso sem falar na estabilidade dos gastos extras e das contas mensais.  Já sei quanto esperar da conta de luz e de água, veja só que avanço! Falo de coisas mundanas sem graça e sem glamour, eu sei, mas que me dão uma sensação de tranquilidade na vida.  Tudo parece caminhar no eixo, apesar daquele outro tanto de coisas que ainda estão fora do lugar.  Mas quem disse que tudo um dia vai estar do jeito que eu gostaria?  É quando eu percebo o quanto adoro ter as manias pentelhas do Marido me pertubando, como ter uma pilha de roupas para lavar reflete uma vida ativa, louças limpas na lava-louças para guardar lembram as comidinhas gostosas das refeições divididas com ele e a quantidade de material que venho estudando me dizem como sou sortuda de poder usar o meu tempo para mim.  Fazer todo dia tudo sempre igual é confortante e acho que finalmente estou recuperando essa sensação boa de ter uma abominável rotina para chamar de minha.  E você também curte a sua?

Ex corde. 

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Chá da Tarde

Chazinho_Ex corde

O prazer de tomar um chá começa pelo barulhinho da chaleira fervendo a água. A escolha do sabor depende do momento. E quando a infusão acontece é que vou decidindo se quero um sabor mais suave ou mais acentuado. Adoro ver a água mudando de cor e o cheiro que o chá começa a exalar. Um chazinho no meio da tarde é confortante, principalmente num dia frio e nublado como hoje.  É uma companhia amiga que além de tudo não engorda!  Porque se não fosse o chá, eu certamente estaria mastigando alguma porcaria super calórica ;)

Ex corde. 

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E ele está de volta!

Sabe aqueles casais que fazem coraçõezinhos com juras de amor eterno na toalha de papel da mesa do restaurante?  Pois é.  A gente acha super cafona quando são outras pessoas que fazem. 

Love_Ex corde

Mas quando é a gente que faz depois de três meses separados, é lindo!  Hihi!

Welcome back home, honey!

Ex corde.

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Black Friday

Passamos na frente da Target quando voltávamos da casa dos amigos na quinta à noite e eu fiquei boba com o que vi.  Pedi para o Marido dar a volta e dirigir bem devagarzinho na frente para eu tirar fotos da fila que se formava às 8 horas da noite na porta da loja. 

Black Friday_Ex corde

Eu ainda não americanizei o suficiente para praticar o esporte nacional desse país: ir às compras.  E o climax do consumismo exagerado se dá exatamente hoje durante a Black Friday onde as lojas oferecem descontos malucos com horários de funcionamento mais loucos ainda madrugada a dentro.  

Black Friday_Ex orde

O cara da estação de rádio que tocava no carro fez um comentário que foi muita coincidência: “Você provavelmente precisa de tratamento médico caso esteja nesse exato momento sentado na fila de alguma loja esperando para comprar.” 

Nós caímos na gargalhada a caminho de casa concordando com ele!

Ex corde.

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Troca de placas

Três meses e quatro dias depois, eu finalmente aceitei trocar a placa do meu carro.  Para desespero do meu querido marido, eu já vinha rodando com a placa do outro estado vencida consciente que poderia levar uma multa.  Concordo com ele que a minha birra era extremamente irracional, mas eu não estava preparada internamente para oficializar essa mudança.  

Mas curiosamente hoje eu troquei as placas como quem coloca o lixo para fora, sabe, como se fosse mais uma tarefa doméstica diária a ser feita.  Não precisei de um ritual de preparação psicológica para realizar a tal simbólica troca.  Quanto avanço no estado emocional dessa pessoa que vos escreve!

Eu às vezes me surpreendo comigo mesma em como sou cheia de simbolismos.  Parei para pensar sobre isso quando terminei de parafusar a placa do Texas no carro e me vi com a placa antiga nas mãos.  Aquela não era só mais uma placa vencida empoeirada – ela carregava poeira de várias caminhos que eu literalmente andei e …  Caraca, me vi assustadoramente apegada a uma placa de carro!  É isso mesmo?  E Freud explica?!?

Respirei fundo e olhei para as outras placas de carro antigas que Marido orgulhosamente tem penduradas nas paredes da garagem.  Vi placas da Bélgica, Itália e mais outras placas antigas européias que nem sei de onde são (antes da UE) que contam um pouco da história por onde ele já viveu.  Quer saber, deixa eu arrumar logo um cantinho para essa placa velha porque, afinal de contas, eu também faço parte desse mural de historinhas!

Ex corde.

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Um sorriso que incomoda

Fui abordada duas vezes na semana retrasada pelo mesmo motivo: meu sorriso.  A primeira vez foi quando comprava papel ofício para a impressora e a mocinha do caixa disse que eu era a pessoa mais feliz que ela atendia naquele dia.  A segunda vez foi quando almoçava com o grupo após uma trilha e um senhor do restaurante perguntou o motivo do meu sorriso.  Achei muita coincidência.  Comecei a pensar se tinha algo no meu comportamento que estava fora do normal.  Tudo dentro dos conformes.  Nada extraordinário.

Foi quando então lembrei de uma situação que aconteceu no ano passado no trabalho onde uma senhora me perguntou agressivamente por que eu sorria para ela.  Não esqueço do olhar reprovador que ela lançou para mim.  Mas não me intimidei e disse que o meu sorriso não tinha nada a ver com o fato dela estar se sentindo incomodada.  Pedi educadamente que ela o ignorasse, já que eu não ia deixar de sorrir.

Talvez as pessoas não estão acostumadas com um sorriso gratuito e acreditam que há de existir um motivo muito forte para alguém sair distribuindo sorrisos por aí.  Eu poderia listar uma centena de pequenos motivos, mas tenho certeza de que os incomodados me achariam uma chata e me dariam às costas antes mesmo que eu terminasse a primeira dezena.  A minha postura então é apenas de continuar sorrindo e responder a pergunta com outra pergunta:  e por quê não sorrir?  Eu sempre recebo um sorriso de volta. 

O sorriso que a princípio incomoda curiosamente passa a ser contagiante.   

Ex corde.

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