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Posts Tagged ‘Curiosidades’

Que comida americana não é nada saudável tá todo mundo careca de saber.  Agora o fato de muitos americanos desconhecerem a forma in natura de vários alimentos é algo que eu ainda recebo com uma certa surpresa. 

Dá para acreditar que nem todo americano é familiarizado com um abacaxi de verdade?  Saber como descascá-lo então é um algo quase de outro mundo.  Tô falando de abacaxi porque lembrei do rapaz que ganhou o troféu abacaxi em uma brincadeira que rolou na festinha temática de luau que fomos outro dia.  E a cara do coitado era quase desesperadora no maior estilo “que diabos eu faço com isso?”.  Para quem não sabe, abacaxi descascado e fatiado vem enlatado aqui.  

Mas nem vou muito longe, porque tenho mais um exemplo dentro de casa.  Uma vez meu marido não reconheceu um legume que eu trouxe do mercado.  A expressão curiosa repleta de interrogações era para a beterraba.  Ele já tinha comido antes a versão que já vem dentro de uma lata, mas nunca tinha visto uma na sua forma natural.  Quando provou a beterraba cozida, ele não conseguiu esconder a cara de AHÁ! ao descobrir o verdadeiro sabor dela.  Eu descobri depois que a beterraba enlatada é menos adocicada e muito mais azedinha quase como se fosse picles, bem diferente do sabor quando é cozida em casa.  Outra situação que mostrou claramente as nossas diferenças culturais aconteceu quando a gente assistia um programa de culinária na televisão.  Algumas americanos pessoas não conseguiram distinguir o sabor dos ingredientes usados em um molho e juravam que tinha sido feito com manga.  O ingrediente usado, na verdade, era o mamão.  A cara de choque de todos eles foi piorando quando um mamão-fruta-de-verdade foi partido ao meio para comprovar o que tinha acabado de ser dito.  E para reinforçar, meu marido me pergunta super intrigado se o mamão re-al-men-te tem aquela cor alaranjada tão viva.  O atestado assinado e carimbado dessa grande diferença cultural está aí. 

O curioso é que se fosse há alguns anos, euzinha mergulhada na minha arrogância estaria chamando mentalmente todo mundo (marido incluído) de ignorante.  Anos atrás eu não protagonizava o papel principal do outro lado da moeda.  Eu mesma só fui ver uma framboesa fresca pessoalmente na vida adulta.  Imagina a minha cara de bocó ao descobrir que elas tem sementes?  Só descobri o verdadeiro sabor de um morango maduro depois que mudei para cá e devo ter feito a mesma cara que meu marido fez ao provar a beterraba.  E eu nunca tinha comido cerejas nem cogumelos que não fossem daqueles em conserva dentro de potes de vidro.  Não posso achar estranho alguém só ter comido abacaxi enlatado.  Posso?  Como posso esperar que alguém de outra parte do planeta conheça as mesmas coisas  do mesmo jeito que eu se o contrário não é verdadeiro?  Quando a gente calça o sapato dos outros, rapidinho as opiniões mudam. 

E viva as diferenças!

Ex corde.

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 JobSearch

Nas minhas andanças atrás de uma oportunidade de trabalho, aprendi que ninguém prepara curriculum vitae por aqui.  O que é pedido é o resumé, uma versão mais resumida que fornece mínimas informações pessoais. 

O resumé, apesar de resumido, deve apresentar a descrição das atividades já realizadas em empregos antigos.  Quer dizer, deve não, mas se tiver a descrição, melhor. 

E para quê imprimir?  Todos os contatos são feitos pela internet.  Sim, todos.  Eu tentei entregar pessoalmente alguns resumés impressos e ninguém aceita nada, pois tudo é resolvido através dos escritórios gerais.  E como entrar em contato com o departamento de Recursos Humanos deles?  Email.  E as respostas também vem via email.

Domínio de uma língua estrangeira não é esperado, mas se existir, é bônus!  Especialmente o espanhol. 

Dizer que é estrangeiro não ajuda em nada, ou melhor, só atrapalha.  Isso porque muitos estrangeiros tentam vistos de trabalho através de um empregador, o que envolve advogados, imigração e $$$.  Causa transtorno e muitos nem se dão o trabalho de ler o resumé até o final se a palavrinha foreign estiver lá na frente.  

E para fechar a minha listinha de observações, gente mal educada e sem noção existe em qualquer lugar do mundo independente da raça, cultura ou idioma falado.  Seguindo a mesma linha, por favor & obrigado são universais. 

Apesar de diferente, somos iguais, não?

 

Ex corde.

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O zimbabuense e eu

Eu estava na academia outro dia quando um rapaz do Zimbabue puxou papo comigo.  Conversamos por uns 10 minutos e foi uma viagem histórica, cultural e econômica pelo mundo.  Ele mora aqui nos EUA há quase dez anos e hoje dá aula na Georgetown University.  Ele já foi no Brasil e deu uma mini-aula de história brasileira da época da colonização, escravos, África e afins.  Falou da economia do Brasil num contexto local e no panorama  internacional.  Enquanto ele falava, eu dividia a minha atenção entre tentar entender o forte sotaque dele e achar o máximo o contato com pessoas com backgrounds diferentes. 

Isso é a América  –  uma terra de imigrantes!    

 

Ex corde.

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É mesmo?

“Dirigir e escrever mensagens de texto no celular é mais perigoso do que dirigir sob a influência de álcool.”

Todos os dias eu ligo a televisão enquanto faço outras coisas para ouvir o jornal e me manter informada.  Hoje, ainda há pouco, ouvi essa notícia.  À princípio não parece verdade, mas se você já tentou escrever uma mensagem de texto ao mesmo tempo que dirige vai perceber que o negócio é complicado.  Como a grande maioria aqui dirige carros automáticos, fica um pouco mais fácil.  Mas ainda assim é meio perigoso.  Ou melhor, mais perigoso até do que beber e dirigir!  Não é à toa que alguns estados estão proibindo isso.  Se um policial perceber que o motorista está tentando tal façanha, multa na certa!   Agora o que torna tudo mais interessante é que cada estado tem suas leis diferentes e por aqui onde eu moro, você sai de um estado e entra em outro sem nem perceber…  Toda atenção é pouca!

 

Ex corde.

 

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Acabei de receber uma ligação do Padre João.  Ele ligou para dizer que estava com saudades e queria saber sobre a viagem.  Batemos um papo de uns 15 minutos e eu desliguei com uma energia tão boa!

Foi aí que lembrei de um post que eu tinha escrito sobre ele, mas que ainda não tinha colocado aqui.  Não me pergunte porque, pois não sei o motivo.

Quer conhecer o Padre João?  Continua lendo aí embaixo.

****

Imagine um senhor já de idade com uma pele branquinha quase cor de rosa, pequeninos olhos azuis e cabelos brancos fininhos.  Poderia ser o Padre João.

Nós o conhecemos há quase dois anos, quando o Marido fez uma pesquisa no google sobre “missas em português”.  Não, o Marido não era tão católico assim.  Ele estava apenas obedecendo o padrinho de batismo & casamento, que colocava suas duplas funções em prática.  Ou seria funções quadriplicadas?  Talvez sim, pois dividimos o mesmo padrinho.  Bom, a verdade é que às vezes  fico me perguntando se o padrinho tinha idéia da diferença que essa descoberta iria fazer.

Era um domingo de manhã quando o google mostrou  a missa em português que começava em uma hora, não muito longe de casa.  Foi difícil de acreditar.  Quais as probabilidades disso realmente acontecer?  Achar uma missa em português num país estranho  através de uma pesquisa completamente aleatória na internet?  Ainda mais num lugar perto de casa e que ainda daria tempo para a gente assisitir naquele mesmo dia?  Num país tão grande quanto o Brasil, eu sinceramente não estava esperando que tal coisa fosse acontecer.  Meia hora depois da descoberta a gente ja estava a caminho.

Descobrimos que a missa acontecia numa capela que tinha em sua volta várias lápides espalhadas no gramado verde e espaçoso.  Nada assustador, e para falar a verdade, achei a capelinha muito charmosa!   Quando entramos, o pequeno coral cantava em português de Portugal.  A missa começu e o padre começou a falar em português do Brasil.   O sorrisinho no canto da minha boca não negou a minha alegria de ouvir aquele sotaque. Sotaque carioca, se der para acreditar.

A missa era bem tradicional e as pessoas se vestiam beeeem formal.  Eu analisava tudo e o Marido estava adorando a idéia de poder praticar o português, mas estava perdidinho com o português de Portugal.  Confesso que eu também me perdia às vezes.  Mas o ponto alto da missa foi a hora do sermão.  Foi nessa hora que eu fiquei com a pulga atrás da orelha com o padre e querendo saber mais sobre ele.

Não lembro o contexto, não lembro a passagem, não lembro muito bem.  Mas não esqueço nunca daquele padre simpático falando sobre a origem da vida e do universo citando o Big Bang.  Perai, até onde eu sei a igreja tem outra versão.  Mas era isso mesmo, o querido Padre João cativa, agrega e encanta com uma sabedoria invejável.

No final da missa, ele saiu pela sacristia e estava na porta da capela esperando todos sairem para ele cumprimentar um por um e desejar um bom domingo.

Ele estava muito curioso para saber quem nós éramos, de onde estávamos vindo e como chegamos até lá.  Foi ali que descobrimos como o Padre João gosta de conversar.  Rapidamente ele já nos apresentou para outros brasileiros numa tentativa bem sucedida de agregar.  Descobrimos também que ele nasceu e cresceu na Bélgica.  O sotaque de carioca foi adquirido nos 20 anos que ele morou em Paraty, no estado do Rio, trabalhando como padre.

Eu tenho uma história de altos e baixos com a religião católica.  Em parte por causa da minha fé, em outra parte por causa de padres completamente desconectados com a vida real.  Na minha opinião, o padre faz TODA a diferença na missa.  E assim tem sido com o Padre João.

Viramos amigos.  Amigos de vir almoçar aqui em casa, ele adora uma picanha mal passada e feijoada.  Amigos de tomar uma cerveja com o Marido.  A relação dele com o Marido é ainda mais próxima, pois ele descobriu que o Marido já morou na Bélgica e conhecia coisas, lugares e até a própria lingua materna dele.  Vira e mexe o Padre João conversa em flemish (holandês falado na Bélgica) com o Marido e eu não entendo patavinas.  Além disso, o Padre João é conectado no mundo da internet e o Marido tem o ajudado bastante a configurar os seus novos brinquedinhos wireless.  Viramos amigos de sair para almoçar fora.   Uma amizade gostosa e que eu nunca imaginei um dia ter.

Esse post era para comentar sobre a conversa do nosso ultimo almoço com ele, que foi interessantíssimo!  Mas não consegui não fazer a devida apresentação.  Outro dia falo sobre o almoço.

Ex corde.

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Aquelas moedinhas que a gente recebe de troco quando compra alguma coisa são enormemente desprezadas por aqui.  Eu morro de pena das pobres moedas!  Sim, porque eu sempre fui (e ainda sou) fã delas.  Eu sempre tive um porta níquel pesado e que me surpreendia com a quantidade de dinheiro que ele carregava às vezes.  Não era só para comprar chiclete na padaria da esquina não, eu conseguia juntar e compras coisinhas bacanas!  Os trocadores de ônibus é que gostavam de receber a passagem bem trocadinha.  E depois que eu recebi um upgrade na vida e passei a andar de carro, as minhas amigas moedas pagavam o pedágio da ponte todo santo dia.  Resumindo: uma mão na roda.

Chegando aqui percebi que ninguém paga nada com moedas.  Elas são descaradamente desprezadas, tanto que já vi até gente receber um troco pequenino e jogar as queridas no lixo.  Juro!  Quase enfiei meu braço no lixo para catá-las.  O curioso é que os trocos são dados direitinho, com direito a moedas de 1 centavo e tudo.  Mas quando se trata do caminho inverso, até cara feia já recebi.

Então o que a maioria dos americanos fazem?  Eles juntam as moedinhas por um certo tempo e depois trocam por dinheiro de papel.  Essa prática é tão comum que existem umas máquinas de contar moedas em supermercados onde qualquer um pode jogar seus trocos lá dentro e receber um voucher com o valor acumulado.  Aí é só levar esse recibozinho no caixa e receber seu dinheiro.  A agência do meu banco também tem uma máquina dessas e é assim que eu transformo o troco em algo mais consistente.

Eu passei a juntar as moedas daqui de casa num saquinho que morava na gaveta da cristaleira da cozinha.  O saquinho já estava tão indecente, velho e sujo que não pensei duas vezes quando vi esse potinho numa loja outro dia:

Mall Money

Como o dinheiro acumulado em moedas é basicamente usado para comprinhas extras, eu escolhi o potinho que diz algo equivalente a “dinheiro para gastar no shopping”.  A prática de não usar as moedas é tão comum que tinham potes para os mais diversos fins, como por exemplo, fundo para férias, fundo para o casamento, fundo para a faculdade, entre outros que não lembro agora.

mall money

Agora todos os trocos vão ser guardados no potinho, inclusive algumas verdinhas que estiverem dando sopa nos bolsos das calças.  Um dinheirinho extra não faz mal a ninguém principalmente neste paraíso capitalista!

Ex corde.

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Acordamos cedo no sábado para ir para um casamento.  Lavei e sequei o meu cabelo na noite anterior e fui dormir torcendo para não acordar com a cara inchada demais.  A cerimônia estava marcada para começar às 9 e meia da manhã e eu estava animada para assistir um casamento tipicamente americano com todas as suas particularidades.

capela militar

A cerimônia  aconteceu numa capela de uma base militar, o noivo é militar.  A noiva é de uma família de origem escocesa, o que deu todo o toque especial.  De cara eu percebi que aquele casamento não seria um casamento comum para os padrões americanos.  Quando estacionamos o carro, fui saindo dele e ouvindo uma música, um som bem particular que me lembrava filmes.  Percorri a área toda com os olhos até ver um homem vestido com roupas escocesas tocando uma gaita de fole no gramado em volta da capela.  A música ecoava longe e eu fiquei encantada com a atmosfera criada. 

casamento

casamento

O casamento foi super simples e para poucas pessoas, algo bem intimista.  A capela era uma construção antiga, com lustres bem antigos também.  A guarda militar estava à postos logo na entrada e ali mesmo fomos avisados que os convidados do noivo deveriam sentar no lado direito e os convidados da noiva no lado esquerdo.   Sentamos no lado direito.  As janelas da capela estavam todas abertas e a gente podia ouvir o canto dos pássaros lá de dentro.  A decoração da capela foi feita com penas de pavão, nunca tinha visto algo assim antes.  Achei bem simples, mas muito interessante.  

casamento

casamento

Nós recebemos o programa da cerimônia, algo bem comum em casamentos americanos.  O programa tinha uma pena de pavão graciosamente amarrado no lado de fora e um abridor de lata militar, chamado P-38.  Além das informações do que ia acontecer ali, ele também trazia informações sobre a origem do pavão e a origem P-38.  Marido se animou todo e já pendurou o pequenino abridor de lata junto com as chaves do carro.  Aí eu entendi o por quê da coisa, era uma lembrança para os meninos.  Os convidados praticamente chegaram todos as mesmo tempo, alguns minutos antes da hora marcada.  A noiva atrasou.  Tinha gente super simples, que nem parecia estar vestido para um casamento.  Mas tinha gente com figurinos bacanérrimos, como uma senhora com a maior pinta dos anos 20 e um rapaz de cartola e bengala.  Eu tava na maior dúvida do que vestir, mas acho que acertei.  Não foi nada demais, era um vestido simples e elegante que até recebeu elogios.  Eu adorei o vestido da mãe da noiva, adorei o tom de verde e o modelo também.  Ela e a mãe do noivo entraram na capela acompanhadas dos militares da guarda de honra.  O curioso é que o noivo não entra pelo mesmo lugar, ele simplesmente aparece no altar.  Acho que ele fica escondido na sacristia até a hora H. 

casamento

casamento

casamento

O noivo esperava a noiva no altar junto com o pastor.  A cerimônia foi numa capela, mas não foi uma cerimônia católica.  O noivo estava de fraque com direito a cartola.  Ele ainda colocou as medalhas militares no fraque, algo que tecnicamente não é permitido.  Nada ali era muito comum mesmo…  A noiva chegou num carro bem antigo e entrou acompanhada de seu pai.  O homem que tocava a gaita de fole lá fora entrou na capela e tocou para a entrada da noiva.  Nada de marcha nupcial ou Ave Maria ou música romântica, ela entrou ao som da gaita de fole.  Eu achei muito legal!

casamento

casamento

casamento

A noiva usava peças da família, como um chapeuzinho todo bordado.  E a originalidade maior foi o buquê de penas de pavão.  Ela o carregava junto com um livrinho que eu acho que era um testamento ou uma bíblia pequena.  Engraçado que achei tudo muito bonito, apesar de ser bem diferente dos padrões que estou acostumada.  Eu achei o casal uma graça, isso sem contar na felicidade dos dois.  A cerimônia foi rápida, menos de 30 minutos.  O pastor disse palavras lindas que iluminaram o rosto de muitos convidados.  Não tinha nenhuma madrinha ou padrinho, (ou maid of honor & best man) muito menos pajens e damas de honra.  Tudo muito simples e diferente.  Os recém-casados saíram ao som da gaita de fole e lá fora aconteceu a cerimônia militar que dá as boas vindas para a noiva. 

casamento

casamento

A recepção foi no clube da base militar, não muito longe da capela.  O salão de festas tinha umas janelas bem grandes de vidro que propocionavam uma vista linda para o Potomac River, um rio que corta essa região toda.  Adorei o visual.  O DJ tocava músicas românticas e os noivos deram um show na primeira dança.  Aqui os noivos fazem aulas de dança para apresentarem no dia do casamento.  Eles levam muito a sério, dava para ver a cara de nervoso do noivo.  Tudo foi muito descontraído.  O bolo foi decorado com penas de pavão e o brinde foi feito com champagne e sidra de maçã para as crianças.  

casamento casamento

casamento

casamento

 Saímos de lá quase 3 horas da tarde e ainda tinha gente dançando na pista.  Foi um casamento bem diferente e foi bem divertido também.  Os noivos economizaram muito fazendo tudo bem simples e depois nós descobrimos um dos motivos: eles embarcaram ontem para uma viagem de 3 semanas na Europa para uma lua-de-mel em grande estilo!

 

Ex corde.

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