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Posts Tagged ‘Filosofando’

Perdoem-me por já começar afirmando o óbvio, mas aprendi só depois de adulta que a qualidade de uma relação interpessoal está diretamente relacionada ao tempo que você dedica a ela.  Sempre tive uma percepção inconsciente de que o outro teria que se doar o bastante para valer o meu esforço de me doar em troca.  Obviamente que era uma idéia de jerico e mais cedo ou mais tarde o resultado era o fim daquela relação.  Pena que demorei para compreender a questão de doar o meu tempo nas relações humanas para estabelecer laços verdadeiros e duradouros.  Sorte a minha que o ser humano tem a capacidade de evoluir e melhorar como pessoa.  Então aos poucos fui percebendo que não queria passar batido nessa vida super preocupada com as minhas metas pessoais & profissionais.  Descobri que fazer uma diferença minúscula que seja na vida de alguém me traz uma satisfação pessoal enorme.  Não tenho como dizer isso sem soar cafona ou cair em frases feitas, mas fui sinceramente percebendo a verdadeira alegria de dar sem esperar nada em troca.  Isso sem contar com os momentos únicos vividos e as memórias deliciosas construídas que enriquecem uma vida.  Todo esse blá-blá-blá é parte de uma reflexão pessoal que venho fazendo há algum tempo.  Não sei dizer como, mas fui aprendendo a parar de me cobrar possibilitando dar um PAUSE em certos projetos para intercalar com coisas que realmente importam.  E o mais difícil: ficar muitíssimo bem comigo & com as minhas decisões.

Nesse contexto, digo que suspendi todo o resto nessas últimas semanas para dedicar o meu tempo para a minha tia.  Depois de uma longa luta contra um câncer, o seu marido descansou em outubro passado.  Aquele Tiozão queridíssimo por todos deixa uma saudade que me faz engasgar ao escrever aqui.  Ele fez questão de se fazer presente durante uma perda doída que sofri.  Ele fez uma diferença naquele momento com seus pequenos gestos de carinho.  Ele também marcou a vida de muitas outras pessoas conhecidas e desconhecidas com o seu ombro amigo e seus inúmeros projetos de caridade.  É muito inspirador vê-lo fazendo a diferença na vida de pessoas mesmo após a sua partida.  Entre essas & outras, é por isso que a saudade machuca tanto.  E se dói em mim, imagine como não deve doer na minha tia.  Construíram uma vida juntos e agora ela precisa aprender a continuar a viver sem ele.  Tarefa nada fácil.  E na ocasião da morte dele eu sabia que o aniversário de 60 anos dela estava chegando em alguns meses.  O meu pensamento não parou de buscar idéias de como oferecer uma alternativa diferente que a tirasse da sua rotina e trouxesse uma brisa de ar fresco nessa data significativa.  Além das seis décadas de vida, eles estariam comemorando 38 anos de casados naquele mesmo dia.  E foi também quando completou sete meses de sua partida.  Ela tinha motivos mais do que suficiente para se afundar na tristeza, mas eu encasquetei com a idéia de fazer uma diferença positiva de alguma maneira.  Com o apoio fundamental do meu querido marido, oferecemos a nossa casa e o nosso tempo para organizar uma festa de aniversário em homenagem a ela.  O mais delicioso disso tudo foi que minha tia embarcou nessa idéia louca.  Ela teve a oportunidade de viajar com seus filhos & netos, conhecer um lugar novo e comemorar mais um ano de vida de uma maneira muito diferente.  Rolaram lágrimas durante a festa.  Eram muitas lágrimas de saudades não só dela como de todos presentes, mas estava claro que a noite do dia quatro de maio foi essencialmente feliz!  Essa iniciativa não teria sido tão bem sucedida sem a ajuda de cada um envolvido de perto ou de longe.  Os olhos da aniversariante brilhando foram marcantes e definitivamente me mostraram o valor de doar o meu tempo para fazer uma mínima diferença na vida de quem a gente ama. 

Aos poucos volto com a minha rotina e vou retomando os meus projetos com o coração explodindo de alegria por ter tido essa oportunidade.  O registro público dessa iniciativa é apenas para não ser traída pela memória no futuro e acabar esquecendo de como a reação da minha tia me fez enxergar o que verdadeiramente importa nessa vida.  

E deu vontade de saber como você vem usando o seu tempo ultimamente.  Conta aí nos comentários, conta.

Ex corde.

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E se acontecesse comigo?

Esse negócio de que tragédia só acontece com os outros é um pensamento que nunca tive.  Talvez seja porque eu carrego comigo a minha própria cota de acontecimentos trágicos na minha bagagem pessoal.  Talvez seja pelo fato de sempre ser bem realista e com os pés no chão.  Talvez seja tudo junto e misturado, vai saber.  Só sei que eu não desafio o acaso.

Aquelas histórias meio bizarras que a gente lê em jornal, ouve alguém contar ou até viu acontecer com um estranho mexem profundamente comigo porque eu tenho a clareza de que poderia ter sido eu.  Um exemplo foi quando eu dirigia para o trabalho e ouvi no rádio a notícia de uma enorme roda de caminhão ter se soltado, quicado três ou quatros vezes no cinturão rodoviário de Washington DC, ter passado para a faixa do lado contrário e ter parado em cima do carro de uma mulher que morreu na hora.  Ela também estava indo trabalhar naquela manhã dirigindo no mesmo caminho que eu estava.  Outra história punk que me lembro agora aconteceu já aqui em San Antonio.  Uma mulher estava no ponto de ônibus um pouco antes das seis horas da manhã de uma segunda-feira pronta para ir trabalhar.  Uma pick-up fura o sinal vermelho no cruzamento próximo, bate em um carro que cruzava, perde a direção e é jogado na direção do ponto de ônibus matando a mulher na hora.  Se você ainda não desistiu de continuar lendo essas fatalidades que só acontecem com pessoas estranhas e jamais comigo, escuta olha só o que vem agora.

Marido sai para trabalhar muito cedo e normalmente fico dormindo.  Ontem, por acaso, eu levantei com ele quando ainda estava escuro e ainda consegui socializar em meio ao cheiro de café no ar e beijinhos de despedida.  Enquanto eu começava a estudar e tomava o meu café com os meus livros, o telefone toca.  Era ele e eu já senti arrepios na espinha antes mesmo de atender por reviver sensações passadas.  Mas ao contrário do que eu já antecipava, ele estava bem!  E fui ouvindo ele contar que havia algo no meio da rua, uma peça de metal talvez, que não deu tempo de desviar e agarrou debaixo do carro dele tirando algo do lugar.  Uma peça do seu carro ficou pendurada, mas como o acostamento não era muito seguro, ele resolveu dirigir um pouco mais mesmo arrancando faísca do asfalto.  Ele conseguiu remover a peça e continuar dirigindo até o trabalho.  Preocupado com o estrago no seu carro, ele marcou hora numa oficina para hoje de manhã.  Recebi o seu telefonema e sua voz estava meio incrédula.  A peça que ele achava ter sido arrancada de debaixo do próprio carro, era na verdade de outro veículo.  Nada faltava.  Mas ao levantar o carro, os mêcanicos descobriram que essa peça de metal perfurou com ferocidade a lataria do carro alcançando até o enchimento do assento do motorista.  Em uma fração de segundos ele poderia ter sido atingido gravamente.  Ouvi a história perplexa tentando simular na cabeça razões para aquela peça ter parado de avançar.  Marido também estava bastante mexido perguntando a cada instante “E se… ?”. 

Por muito pouco uma fatalidade não atingiu a minha família confirmando mais uma vez de que essas histórias bizarras podem sim acontecer comigo.  E é por essas e outras que eu tento encontrar a beleza nas mínimas coisas, motivos para sorrir mesmo quando aparentemente as coisas não vão bem, alegria para celebrar mais um dia vivido com saúde e lutar contra o eterno sentimento de insatisfação tão inerente da natureza humana. 

Você já parou para pensar como você anda levando a sua vida?  E se… ?  Você levaria consigo arrependimentos ou alegrias? 

Ex corde.

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Não faço e nem nunca fiz resoluções de Ano Novo porque elas não funcionam comigo.  Entendo que para muita gente o simbólico último dia do ano pode funcionar como motivação para colocar em prática uma idéia, uma atitude ou criar um novo hábito.  Mas tenho me dado conta, cada vez mais e mais, de que hoje é somente mais um dia como outro qualquer.  É igual ao Natal, ao meu aniversário e outra data comemorativa que eu tinha aprendido a super valorizar desde criança.  Continuo curtindo cada uma delas juntamente com os seus significados, mas eu não carrego mais o peso de um piano nas costas para que uma lista de coisas aconteçam para – somente então – aquele dia ser perfeito.  Gera ansiedade e expectativas.  Em algumas pessoas pode até gerar um certo sofrimento desnecessário quando a realidade não é exatamente igual ao que foi esperado.  Talvez por isso há tanta gente melancólica nessa época do ano.

As minhas resoluções de ano novo acontecem de acordo com as minhas motivações pessoais dentro do meu tempo.  Eu posso facilmente começar uma super dieta quinta-feira de tarde ou começar a malhar sábado de manhã.  Se eu estiver sentindo muita vontade de fazer algo acontecer, eu não espero o próximo ano chegar.  Eu poderia até estabelecer uma nova meta para 2012, mas eu não consigo garantir que vou conseguir cumprir e daí, pimba, me frustro.  Quando eu desejo muito algo e acabo colocando na minha lista de resoluções de ano novo sem estar pronta para fazer acontecer, eu estou me boicotando.  Vou me frustrar por não alcançar aquela meta, vou me sentir incapaz, culpada e mal.  Por isso acho mais importante estar bem comigo mesma do que viver correndo atrás de promessas.  As minhas necessidades vão falar mais alto e vão acabar acontecendo com o passar dos dias, semanas e meses.  Sem cobranças.

E é nesse contexto que eu desejo a você um 2012 mais leve.  Desejo que as suas metas sejam alcançadas respeitando o seu limite & o seu tempo, não porque alguém um dia estabeleceu que isso ou aquilo deve acontecer agora. Desejo que você consiga perdoar todos aqueles que pisaram na bola não porque perdoar é a coisa certa a ser feita, mas porque você não precisa carregar esse peso.  Deixe para lá por você.  Desejo que você tenha muitos jantares ao longo de 2012 dignos de uma ceia de Natal, porque cozinhar dedicadamente para quem se ama e dividir a refeição com amigos deveria ser uma prática mais comum.  Desejo que você encontre o prazer em fazer uma atividade física e que “o peso ideal” seja apenas uma consequência do novo hábito adquirido e não mais uma busca que escraviza.  Desejo que você realmente compreenda que comer saudavelmente garante uma vida longa e mais tempo de vida com saúde para viver mais intensamente.  Desejo que você encontre a alegria de celebrar as próximas 365 meia-noites com a mesma intensidade que você provavelmente vai celebrar hoje mais tarde.  Desejo que atos de gratidão e caridade seja algo corriqueiro ao longo do novo ano.  Desejo que você não deseje saúde e prosperidade aos amigos somente hoje, mas que expresse isso verbalmente sempre.  Desejo que você faça constantes restrospectivas, não apenas na virada do ano.  E que as retrospectivas gerem reflexões.  E que elas gerem atitudes melhores, se assim for necessário.  Desejo que você consiga viver cada dia da sua vida como se fosse o último dia do ano, porque no final das contas a gente nunca sabe quando o nosso último dia por aqui vai chegar, não é mesmo?  Desejo que cada manhã tenha a mesma energia e vontade de recomeçar que o dia primeiro de janeiro.  Feliz Ano Novo para você que me lê!  Feliz dia novo não somente hoje, mas todos os dias do nosso calendário que está prestes a recomeçar.

Ex corde.

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Café da Tarde

Cafe da tarde_Ex corde

Impressionante como essa vida louca distorce a visão das coisas.  A beleza do que é simples meio que se perde na correria dos dias e muita coisa acaba passando batido.  Ontem eu resolvi combater o cansaço de dirigir para cima & para baixo com uma parada para uma xícara de café e uma tortinha de frutas na companhia de uma pessoa querida.  O lugar era simples, mas confortável.  A conversa era honesta e sincera daquelas que vem do coração.  Curti aquele momento ordinário com uma alegria imensa quase indescritível.  É uma sensação de que mesmo com tantas coisas ainda pendentes ao longo do caminho, eu consigo ter paz de espírito para apreciar uma tarde simples assim.

Espero que você que me lê também consiga.

Ex corde.   

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Pensamento do dia

O mundo é muito grande para nascer e morrer no mesmo lugar.

Pablo Neruda

 

world map

 

Ex corde.

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(teclado sem acentos)

Tava fazendo as minhas leituras diarias enquanto tomo meu cafezinho com leite sagrado, quando dei de cara com a expressao, as esperas da vida.  Essas quatro palavrinhas estao ecoando na minha mente, martelando, correndo de um lado para o outro e me pertubando.  De uma maneira positiva!

Entao, por onde eu comeco?  Por causa da minha condicao de imigrante, de recomecar a vida, de refazer o caminho, de jogar tudo fora, de abrir a cabeca para receber o novo, de nao ter tido muitas opcoes a nao ser de praticar o desapego com coisas e pessoas, de estar sempre aprendendo querendo ou nao, eu achava que a palavra espera era algo que vinha junto com as minhas escolhas e com a minha vida em particular.  Antes mesmo de imigrar para ca, o fato de sair da minha cidade e comecar do zero em outra ja me deu experiencias e um gostinho das esperas da vida.  E por achar que fosse uma coisa so minha, muitas vezes a ansia de nao querer viver essa espera me matava.  Eu tinha a ilusao de que so a minha vida e que era recheada de esperas.

Percebo agora que a vida de todo mundo e cheia de esperas.  A maneira como cada um lida com essa espera e que diferencia um do outro, uma vida da outra vida.  E estou comecando a achar que aquelas pessoas que verdadeiramente compreendem o momento da espera sao as que menos sentem ela passar.  Algo mais ou menos assim: eu tenho a impressao de que muitas vezes coloco a minha vida no pause ate aquilo que eu quero muito acontecer.  Mas ai eu nao percebo (nao percebia!) de que muita coisa boa estava deixando de acontecer nas esperas da vida.  Sabe como e?  E o fato de mentalmente suspender as outras atividades tornava a espera mais chata.

Apesar das minhas andancas, das minhas escolhas e dos meus muitos recomecos (tres, para ser mais exata) as esperas da vida estao ai para qualquer um e estaria para mim mesmo que nada tivesse acontecido.

Fui relendo o que estou escrevendo e percebi uma piracao muito filosofica no ar.  Mas vai assim mesmo, mesmo parecendo um assunto OBVIO para muita gente, mesmo eu correndo o risco de parecer meio idiota, mesmo eu ja tendo a consciencia de que tem que esperar mesmo…  Mas so agora e que aconteceu um click, um estalo, um real entendimento da situacao.

Antes tarde do que nunca!  Na verdade, nem acho tao tarde assim.  Apenas acho bom demais poder aprender a lidar melhor com as coisas que tenho na vida agora enquanto as coisas que ainda quero viver na vida ainda nao vem.

Acho melhor eu parar por aqui, ta ficando profundo!  rs..

 

Ex corde.

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