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Posts Tagged ‘Inglês’

Aprendendo a Rezar

Agora não tenho mais a capelinha, tão pouco o querido Padre João encantando com sua simpatia e inteligência.  Não me importaria mais em acordar super cedo no domingo se soubesse que iria ouvir o sermão dele.  Infelizmente isso não faz mais parte da minha realidade.  Mas felizmente a nova igreja fica tão perto de casa que me permite dormir até quase na hora da missa.  E a missa também é mais tarde tornando o acordar menos sofrido.

Apesar dessas vantagens, acompanhar a missa na nova igrejona de pedras é algo difícil para mim.  Tudo isso porque a missa é inglês e eu não sei rezar nem um Pai Nosso na minha segunda língua.  Só consigo verbalizar o amém por que se diz igual em português.  Tô percebendo o quanto eu fui sortuda até então por ter assistido todas as missas em português mesmo estando em terras estrangeiras há anos.  É verdade que eu sei mais ou menos o que está acontecendo durante a missa, pois os rituais são iguais na igreja católica seja onde você for.  Mas ainda assim não curto essa sensação de estar perdida.  E apesar das frases em inglês terem o mesmo significado que em português, parece que elas não pesam o mesmo para mim.  Sabe o que eu tô querendo dizer?  E para diminuir ainda mais a minha já pouca capacidade compreensiva para assuntos religiosos, o padre é um estrangeiro que fala inglês com sotaque super forte.  A vontade que dá é de ir embora antes da missa acabar.

Aprender uma língua é algo curioso.  Mesmo morando anos nesse país, percebo que não sei falar nada em inglês sobre aquilo que não estou exposta.  E assim eu vou deixando a irritação + a sensação de estar perdida de lado para encarar (mais uma vez) algo novo.  Desta vez, estou aprendendo a rezar em uma outra língua e com a esperança de um dia conseguir até captar o peso das palavras.  Será que consigo? 

Ex corde.

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Marido, eu e um amigo alemão de longa data que mora em Londres, numa conversa em inglês pelo Skype:

–  Quanta saudade!  Tem muito tempo que a gente não se fala.

–  É você mesmo?  Você soa tão diferente.

–  Diferente como?

–  Uau, você perdeu seu sotaque brasileiro.

–  Perdi não.

Até Marido interromper:

–  É, ela perdeu o sotaque sexy e agora fala com o sotaque bobo de americano.

(…)

Ex corde.

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Brain Fart

Essa é uma expressão informal (em inglês, of course) que sempre me causa crises de risos.  É que eu sempre visualizo a sua tradução literal – um peido do cérebro – mais ou menos como a figura abaixo.

BrainFart Source jbillportfolio

Brain Fart é usado quando quando alguém perde o senso de lógica momentariamente e faz ou fala algo meio idiota.  Pode ser definido ainda como o momento em que o cérebro atinge um certo grau de estímulos laxativos mentais e deixa escapar bobeiras ou coisas bem estúpidas. 

Pois é, toda essa explicação para dizer que eu venho tendo brain farts diários e está quase impossível atualizar o blog com algo que preste.  Tem TANTA coisa acontecendo nesse momento que eu não estou conseguindo coordenar os pensamentos nem para estudar. 

O resultado são posts extremamente idiotas que eu acabo deletando.  Já deveria ter feito o mesmo com esse.

Ex corde.

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Confesso que nunca achei que fosse ‘esquecer’ como se escrevem certas palavras em português pelo simples fato de estar morando nos Estados Unidos.  Achava o ápice do exibicionismo quando algum brasileiro que morava fora dizia na minha cara que não lembrava de tal palavra.  Como assim criatura?  É a língua materna que aprendi desde quando nem me dava conta que eu era gente nesse mundo, a língua que eu conectava com meus pais e amigos, a língua que estudei a vida inteira incluindo faculdade e mestrado!  Euzinha não esqueceria nada, até porque eu forço a prática do português em casa com o Marido (mesmo que ele sempre me responda em inglês), leio livros em português e tenho o blog para me ajudar com a escrita!

Doce ilusão!

Confesso a minha derrota, pois a minha cabeça está fazendo uma confusão com as línguas.  Eu falo diariamente três línguas diferentes (às vezes quatro) em que eu quase sempre preciso alternar assim pá! pum! de uma para a outra.  Tá gerando um curto circuito nas sinapses nervosas da pessoa aqui, só pode ser!  Já me peguei falando frases inteiras em português com duas pessoas diferentes no trabalho, e uma das vezes eu repeti a pergunta em português e não entendi porque a pessoa estava com aquela cara de ponto de interrogação.  Eu ainda demorei para me dar conta que estava falando português.  Como assim eu não tive a consciência de que língua eu estava falando??  Já aconteceu da transição de uma língua para outra ser afetada, onde eu repito algumas palavras ou frases e percebo que não é na língua certa até mudar de vez para a apropriada.  Rola um ‘delayed response’, sabe? 

A mistura de línguas tem afetado o meu português.  Um dia enquanto passeava no shopping com minha mãe, eu me referi à vitrine de uma loja em algo como ‘demonstrador’.  Saiu com tanta naturalidade que ela nem acreditava que eu tava falando aquilo.  A minha pobre mente não se lembrou da palavra vitrine e automaticamente traduziu toscamente a palavra em inglês display.  E eu não me dei conta, que derrota!  A parte escrita também tá enfraquecida.  Eu fico cheia de dúvidas de ortografia (que nunca tive antes) ao escrever no blog.  Na verdade eu até acho um bom sinal enquanto eu tenho dúvida, pois posso checar o dicionário.  O pior é quando eu escrevo e nem percebo, pois acho que tá certo.  E o pior ainda é quando eu checo a palavra no dicionário e acho super estranho a maneira CORRETA de se escrever.  Tô pirando!  Também já percebi que tenho me atrapalhado com o uso de preposições e até de concordância.  Preciso ler e reler o que escrevi para ter certeza de que não cometi nenhuma barbaridade à língua portuguesa (coisa que eu sempre abominei!) e mesmo assim ainda cometo erros.  Derrota.

E para fechar, ainda preciso aguentar os meus mais loucos neologismos!  Mandei um email para minha mãe e ela me pergunta de volta toda espantada:  “Que palavra é essa?”  E aí eu me revoltei.  Não vem me dizer que  a palavra idealmente não existe, por que existe sim!  Ela convocou o meu pai para a uma chamada em conferência no telefone e acabamos os três no dicionário Aurélio.  Veredicto: idealmente não existe! 

Eu mordo a língua por ter dito que nada parecido aconteceria comigo.  Derrota absoluta. 

Ex corde. 

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