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Posts Tagged ‘Olimpíadas’

Minha mãe me ligou outro dia e me perguntou se eu estava acompanhando as Olimpíadas.  Eu respondi que só algumas modalidades como diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão, asma e DPOC.  Ela riu.  É que a minha rotina de estudos está pesada, mas tão pesada que eu ouso comparar com a preparação de um atletla olímpico.  Aí, no domingo à noite, com o Marido viajando a trabalho, eu pude espalhar minha pilha de exercícios na cama com a televisão ligada e sem hora para dormir.  A televisão era apenas para fazer companhia (quem mora sozinho sabe como aquele barulho dá uma sensação boa), mas não consegui deixar de assistir.  Estava transmitindo as Olimpíadas.  Acompanhei um pouco de ginástica olímpica e, como de praxe, fiquei embasbacada com a facilidade que elas giram no ar.  Talvez seja porque não sei dar nem estrelinha e a minha cambalhota nunca sai em linha reta.  Talvez seja porque elas são boas mesmo!  E lá estava eu arruinando a minha programação de estudos porque não consegui tirar o olho da televisão.

Me veio na cabeça a diferença das Olimpíadas vivenciada como uma expectadora no Brasil ou como uma expectadora nos EUA.  Tô acostumada com uma vibração maior e uma torcida mais fervorosa.  As medalhas olímpicas brasileiras parecem ter um sabor diferente.  Não estou dizendo que os americanos não torcem ou menosprezam as Olimpíadas.  Não é isso.  Mas com a quantidade de medalhas de ouro que eles ganham, não dá para comparar a alegria de quando a gente ganha uma medalha suada.  Será que os brasileiros também não teriam um comportamento mais de “eu sabia” se a gente ganhasse tantas medalhas olímpicas quanto os americanos?  E essa auto-estima americana elevada me chamou atenção nos comentários dos narradores da ginástica.  Uma atleta americana esperava a sua vez.  A emissora de televisão começou a fazer uma mini-retrospectiva da carreira dela e a danada é boa mesmo: muitas medalhas, muitos primeiros lugares, pontuações excelentes, desempenho invejável.  Passaram alguns vídeos (falo mais sobre isso abaixo) para envolver o telespectador e já estava lá eu torcendo por ela.  Mas as outras competidoras estavam indo bem também e pela pontuação acumulada até um certo momento, a briga seria feia.  Foi então que os comentários começaram.  “Ela é a melhor do mundo!”, “Ninguém salta melhor do que ela!”, “Indiscutivelmente o ouro é dela!” e mais outras frases que exemplificam aquele ar de já ganhei tão facilmente confundido com arrogância.  Fiquei me perguntando se os comentaristas estavam assistindo a mesma competição que eu, pois duas outras meninas (uma russa e outra romena) tinham conseguido pontuações excelentes.  Me chamem de chata, mas aquilo me incomodou.  Primeiro porque aquilo cria no atleta uma pressão maior do que a pressão natural que existe.  Desnecessário.  Segundo porque passa uma mensagem prepotente mesmo não sendo esse o caso.  Precisa?  Terceiro porque eles estavam ali ignorando completamente o fato da atleta ser sobretudo um ser humano que pode errar.  E adivinhem?  Ela caiu sentada depois do mortal duplo.  Fiquei com pena, pois tenho certeza de que muitos sonhos foram embora naquele segundo.  Mas achei que foi um acontecimento muitíssimo apropriado para comprovar que essa sensação de já ganhei pode não passar de uma sensação apenas.  Aí os comentários seguintes seguiram a linha do “Estou chocado!”, “Não, isso não aconteceu!”, “Inacreditável!”, “Mas ela é a melhor do mundo!”… Ela era, meu caro, até sentar no pudim.  Hoje ela leva para casa a medalha de prata, que por sinal eu cresci acreditando que era um negoção!  Mas na cultura americana, ela não ganhou o segundo lugar.  Ela perdeu o primeiro, sabe como é?

Apesar da negatividade do já ganhou e da ‘banalização’ das medalhas, eu curto muito assistir os vídeos de atletas olímpicos americanos veiculados minutos antes das competições.  Claro que existe a idéia do marketing por trás de cada vídeo para promover a marca patrocinadora, mas a mensagem pessoal do atleta é quase sempre muito positiva.  Os temas variam com as modalidades esportivas e os atletas falam sobre medos, dificuldades e superações.  É uma maneira de envolver aquele que assiste e fica quase impossível não torcer por ele ou por ela.  Abaixo tem um exemplo desses vídeos.  É uma menina do Texas que foi a primeira americana a se qualificar para as Olimpíadas na primeira vez que o boxe feminino passou a ser considerado um esporte olímpico.  Tem como não simpatizar com ela?   

Aí eu entro na parte que eu mais gosto nesse clima esportivo: superações.  A televisão continuava ligada no domingo à noite quando terminou de transmitir a ginástica para começar a mostrar o atletismo.  Adoro as diversas modalidades dentro do atletismo, a dinâmica das corridas, as expressões faciais dos atletas, a concentração antes da largada, os corpos definidos.  Até que um dos competidores me chamou atenção.  Ele tinha duas próteses de fibras de carbono ao invés de pernas.  Ué, será que estão passando as Paraolimpíadas?  Não, todos os outros atletas tinham duas pernas.  Aumentei o volume para ouvir atentamente o que estava sendo dito.  Oscar Pistorius nasceu com um problema congênito na fíbula e teve suas pernas amputadas do joelho para baixo quando ainda era um bebê.  Sempre usou próteses e sempre praticou esportes.  Tentou participar das Olimpíadas de 2008, mas precisou entrar com recursos para provar que suas próteses não lhe davam vantagens.  E ele conseguiu ser aceito para a Olimpíada de Londres.  Não consigo me referir a ele como deficiente.  O que é uma deficiência mesmo?  Só sei que voltei para os meus estudos carregando aquela lição de superação física e mental comigo.  Não poderia ter recebido um estímulo melhor.

E você, tá acompanhando as Olimpíadas? 

Ex corde.

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Acordei propositalmente antes das oito horas da manhã para assistir a final de vôlei do Brasil e Estados Unidos. Dias e horas articulados com o meu pai, espectador assíduo dos jogos das Olimpíadas e que me manteve atualizada dos acontecimentos esportivos. Liguei a televisão do quarto, ainda meio sonolenta e comecei a procurar nos canais. Nada. Ou melhor, achei um jogo de futebol da Nigéria contra Argentina e um jogo de baseball que nem quis saber quem jogava. O mesmo jogo de baseball apareceu em vários canais. Eu nem sabia que baseball era jogo olímpico. Humpft!! Já senti aquela irritação vindo… Desci e corri para a televisão da sala, pois ela tem os canais da tv à cabo. Literalmente uns trezentos canais e nenhum transmitindo a final do vôlei. Desci mais um pouco para ver se os canais digitais (high definition ou HD), que só têm na televisão grandona lá debaixo, estavam transmitindo algo além do baseball e do futebol. Achei um jogo de basquete, mas nada da final do vôlei. NADA. Como assim?

Liguei para o meu pai quase chorando. Ele prontamente e pacientemente providenciou uma transmissão rachimbauniana (putz, depois eu explico a origem dessa palavra) e voilá! eu estava assistindo o jogo através do skype. Tudo bem que a imagem tava meio borrada e os passes estavam meio que em câmera lenta por causa da conexão, mas foi ótimo! Acompanhei o último set inteirinho e vibrei com emoção nos últimos pontos. E o mais gostoso foi assistir “junto” com meus pais. Viva a tecnologia!

Agora não páro de me perguntar por que não existe uma cobertura eficiente nesse país de primeiro mundo. O marido diz que é por que ninguém assiste e por isso não tem audiência suficiente para eles faturarem uns dólares. Seria isso? Ou será que tem outros fatores históricos, culturais, filosóficos, epistemiológicos, or whatever por trás disso?

Só sei que fiquei muito frustrada. Mas depois muito feliz com a vitória!

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