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Posts Tagged ‘Saúde’

A Fisioterapia e o Joelho

Quase um mês depois da artroscopia e entrando na terceira semana de fisioterapia, eu posso dizer que a recuperação de uma patela deslocada é chata!!  Não me entenda mal, pois tenho evoluído literalmente a olhos vistos!  Estou andando menos empenada, mais ágil e sem dores/desconfortos.  Só que ainda assim o processo continua sendo chato e devagar. 

Na primeira sessão de fisioterapia eu mal consegui dobrar ou esticar o joelho.  Era um negócio meio travado bem no meio do caminho!  O ângulo máximo que eu conseguia alcançar era de 83 graus.  Com as sessões seguintes, gelo e exercícios, eu evoluí para 100 graus, 114 graus e hoje alcancei a marca dos 127 graus.  Ainda não é o ideal, mas tenho evoluído as poucos e isso por si só já é ótimo!

A clínica de fisioterapia é muito boa!  Há técnicos que me orientam nos exercícios iniciais de aquecimento como bicicleta, extensão e agachamentos; mas há também fisioterapeutas com nível de doutorado com a mão na massa!  A cada sessão, eu recebo estímulos manuais para que a minha rótula volte a ter mobilidade além de uma mini-aula de anatomonia e fisiologia.  Adoro!  As sessões duram em torno de 1h e meia e eu saio de lá cansada como se tivesse malhado!  O mais legal de tudo é que o meu plano de saúde cobre tudinho!

Minha meta agora é conseguir subir escadas de uma vez só (ao invés de um degrau a cada vez) e para isso eu preciso fazer com que o meu quadríceps volte a reagir aos meus estímulos.  Preciso de muito exercício de fortalecimento!  Ainda quero muito tirar todo o inchaço, pois os fluídos que ainda se acumulam no meu joelho dificultam a mobilidade.  Aos poucos eu volto com a rotina de exercícios em casa também para ver se acelero a recuperação.     

Certas coisas acontecem e me fazem pensar.  Jamais vou olhar uma pessoa com dificuldades de caminhar como olhava antes.  O mundo todo é tão mais difícil quando a gente não pode exercer funções banais como, por exemplo, subir e descer escadas.  Você já parou para pensar nisso antes?  Porque euzinha nunca tinha pensado até então…  E os mais idosos que tem uma mente afiada e pensamentos a mil com um corpo que não acompanha?  Sei lá, a vida já é difícil quando somos saudáveis, imagina quando há limitações?  E imagina como tudo piora quando em cima das limitações ainda existem os olhares e comentários alheios?  Sim, porque eu recebi muito olhar torto de pessoas estranhas nas ruas porque eu simplesmente estava mancando.  Falta sensibilidade para atos de gentileza nesse mundo!

Enfim, essa história toda do meu joelho me fez refletir em vários aspectos.  Uma deficiência física, uma limitação temporária ou permanente não mudam o que uma pessoa realmente é.  A lição para mim é olhar através do físico e enxergar aquilo que realmente tem valor.

Agora preciso ir para fazer uma compressa de gelo!

Ex corde.

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A cirurgia aconteceu hoje de manhã como parte da solução do problema do meu joelho.  O procedimento é considerado simples: basicamente 3 furinhos, uma mini câmera, um tubo de solução salina e um instrumento para cortar um pedaço do tendão e diminuir a pressão que ele vem causando na minha patela.

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É uma cirurgia, mas não precisa fazer cortes grandes e nem abrir nada.  E por isso, até outro dia eu achava que seria uma anestesia local.  Engano meu!  Não tive espaço para negociar e assim, acabei tomando uma  bomba que me apagou completamente.  Já percebi que americanos não toleram desconfortos ou dor e fazem de TUDO para não sentirem NADA.  Não é que eu goste de sentir dor, mas eu tenho uma certa tolerância e sempre tenho a tendência a aguentar ao máximo para evitar remédios pesados.  Parece que essa minha mentalidade não funciona por aqui.    

Entrei no centro cirúrgico andando e conversando com a enfermeira.  O papo continuou com o anestesista enquanto ele buscava a minha veia e preparava o meu soro.  Ele colocou uma dose de Diazepam em seguida para me relaxar.  “Peraê, eu não tô tensa, não quero o diazep…” Tarde demais, o troço já tava correndo no meu sangue!  “E é assim que a gente faz aqui”, ele me disseDepois recebi uma dose de Demerol, um opióde sintético com alto poder de analgesia.  Ele é comparável à morfina, diferindo basicamente no rápido início da ação e curta duração.  Ou seja, remédio brabo com enorme potencial de causar dependência!  Nessa hora eu já estava tontinha vendo o teto girar.  Não lembro mais de nada do que conversava, mas sei que outro remédio forte vinha à caminho: o Propofol.  Essa droga é um agente hipnótico usado na indução e manutenção da anestesia.  Ele foi o sedativo que me mandou passear fora do meu corpo.  (A overdose de propofol foi responsável pela morte do Michael Jackson, alguém lembra disso?)

Tive a sensação de que o tempo passou muito rápido, pois quando abri o olho tudo já tinha terminado.  O que eu preciso confessar que foi ÓTIMO! Mas em contrapartida, eu estava MUITO grogue!  Foi a primeira vez na vida que me senti tão doidona assim e descobri que o meu inconsciente fala inglês!!  Tentei falar com meu pai no telefone, mas eu não lembrava das palavras em português.  Loucura!  E o curioso é que eu tinha consciência de que tava literalmente drogada.  Eu sentia dificuldade de falar e lembro que eu não lembrava de absolutamente nada.  Amnésia!  Lembro da enfermeira rir de mim porque eu já tinha perguntado quatro vezes quais remédios eles tinham me dado.  Eu simplesmente esquecia.  Quando desliguei o telefone com meu pai, devolvi o telefone para o Marido, dei uma viradinha na cama e pedi para o Marido ligar para o meu pai porque eu queria contar para ele que a cirurgia tinha terminado.  Haha, muito doida!!

Agora estou em casa, me sentindo bem, com o pé para cima, com gelo no joelho, sem remédio e praticamente sem dor.  O efeito da bomba passou relativamente rápido e eu decidi não tomar o Tramadol, que o médico me receitou 3 vezes ao dia, caso eu não tenha dor.  Não preciso de mais um analgésico opióide.  Na verdade, ainda tô me perguntando se todos aqueles remédios eram realmente necessários.  Não sei ao certo como é feito no Brasil, mas tenho a impressão de que a gente (brasileiro) não acha que vai morrer caso sinta algum desconforto.  A sensação que tenho por aqui é que os americanos não querem ver nada, lembrar de nada, sentir nada.  Absolutamente nada.  O que tem um lado é bom, é verdade, mas se levado ao extremo não fica tão bom assim por causa da quantidade de medicamentos.  Sei lá, não gostei da sensação causada pelos remédios fortes.  Todo o meu conhecimento farmacológico se volta contra mim, pois não saber nada seria muito melhor nessas horas, não seria?

Ex corde.

A Fisioterapia e o Joelho

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O de graça vale quanto?

“Tudo aquilo que é dado de graça, não recebe de volta o devido valor.  Em outras palavras, as pessoas só valorizam mesmo aquilo que tem algum custo para elas.”  Será mesmo?  E o que esses dois estudos abaixos representam?

(1)  Um grupo desenvolveu uma campanha contra AIDS na África e distribuiu camisinhas de graça para a população.  Depois de algum tempo, o grupo percebeu que o uso da camisinha era praticamento inexistente.  O mesmo grupo passou a cobrar um centavo por cada camisinha e os estudos que vieram a seguir mostraram que o uso tinha sido significativamente mais efetivo.

(2)  Um estudo do MIT usou dois grupos para testar um suposto medicamento.  Um grupo recebeu o Placebo A que foi revelado custar $0.15 por cada comprimido.  O outro grupo recebeu o Placebo B que custava $2.50 por cada comprimido.  O resultado?  O grupo que mostrou maior eficácia no alívio da dor foi o grupo que tomou o Placebo B.

Esse é apenas um dos pontos levantados na discussão da reforma do sistema de saúde americano.  Eu fico bem dividida, pois tive a minha formação profissional em um sistema de saúde socializado onde pude ver muitos benefícios com a medicina humanizada.  Hoje eu trabalho em um sistema de saúde quase inteiramente privatizado onde eu vejo barbaridades acontecerem com aqueles que não podem pagar um tratamento médico.  E ao mesmo tempo, eu vejo pessoas tirando vantagens do sistema quase que diariamente na farmácia em que eu trabalho.  E olha que  o “de graça” só está disponível para uma parcela bem pequena da população.

Acho esse assunto bem complicado e confesso que ainda não consegui formular uma opinião.  O que você acha?  Será que a natureza humana de um modo geral não valoriza aquilo que é dado “de graça”?

Ex corde.

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