Feeds:
Posts
Comentários

Salada de Quinoa

Salada de Quinoa_Ex corde

Enquanto meia xícara de quinoa cozinhava na panela, eu cortava em pedacinhos o tomate, a cebola roxa e a salsinha.  Depois misturei as verdurinhas com a quinoa cozida e ainda acrescentei uma cenoura ralada bem fininha (não está na foto).  Temperei com azeite de oliva, um splash de suco de limão e sal.  E para terminar, joguei uns pedaços de queijo feta.  Servi com alface verde, alface roxa e rúcula para acompanhar o peito de frango grelhado.  Ficou divino!

E com a ajuda da quinoa eu começo a maratona para perder os quilos extras que ganhei nas longas sessões de estudos!  Porque estudar engorda!  Tenho misturado diferentes ingredientes com essa bichinha para fazer saladas com uma certa "sustância”, sabe?  E funciona!!  Aceito mais idéias de como usar a quinoa.  Se você tiver uma receita, divide aí nos comentários que eu vou testar ;)

Ex corde.      

Passar no MPJE: Check ✓

E se eu disser que estou tendo dificuldades de assimilar que eu cheguei ao final do processo?  Que acabou?  Que o resultado da prova de sábado significa que a próxima etapa é atualizar o currículo e correr atrás de emprego na minha profissão?  E que agora finalmente eu posso dizer que sou Farmacêutica?  E se eu disser que ao invés de ficar super alegre eu só conseguia chorar? Só conseguia pensar na dificuldade que foi chegar até aqui e chorar?  Você acredita?  O resultado saiu ontem no site no início da tarde e eu ainda estou processando a idéia. Fiquei sem saber muito bem como funcionar. Marido catou meu currículo antigo no computador dele e eu estou com o arquivo aberto aqui desde ontem esperando para ser atualizado. Esperando o quê exatamente eu não sei. Mas ao mesmo tempo já pesquisei por empregos e até achei uma vaga interessante. Cliquei no “APPLY NOW”, comecei a preencher os meus dados e paralisei. Porque eu não sei. Caramba, quis tanto chegar até aqui e agora tô amarelando?? Conversava sobre isso com o Marido e ele só sabia fazer sons com a boca mais ou menos assim: prrrráááááááá, pummmmm, trééééééééé. E se acabava de rir dizendo – em português perfeito – que eu estava peidando na farofa. Como não rir desse gringo que sabe mais português do que deveria? Como não rir de mim mesma nesse turbilhão de sentimentos?

MPJE_Ex corde

Sobre essa última prova.  Mesmo esquema adaptativo feito no computador.  Igual as outras três últimas.  Acho que nem sei mais fazer prova com papel, caneta, folha de respostas.  Um minuto e meio para cada questão.  Eram noventa no total, mas apenas 75 valiam pontos enquanto as outras eram questões de teste.  Só que a gente não tem como diferenciar qual vale ponto ou qual é teste.  Poucas questões foram diretas, apenas algumas que pediam prazos.  Quase todas as outras apresentavam cinco alternativas corretas e eu tinha que escolher a que melhor se encaixava na situação descrita.  Até as leis mais simples eram colocadas de um jeito que fazia eu coçar a cabeça.  É que a prova inteira força a interpretação da legislação dentro do julgamento profissional que é esperado de cada farmacêutico.  Ou seja, você pode até ter decorado todas as leis ao pé da letra que ainda assim vai precisar confiar nos seus instintos na hora de responder as questões da prova.  Com isso, é muito difícil sair com a sensação de que tudo estava sob controle, que fiz uma boa prova, que acertei uma quantidade boa de questões.  Até porque o nível de dificuldade da prova vai aumentando conforme o candidato vai acertando e vice versa.  Diz a lenda urbana que se você sai da prova sentindo que tomou noventa socos na cara e tem a cer-te-za de que se deu muito mal, é porque você passou!  Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo.

Estudando para o MPJE_Ex corde

* Uma das últimas fotos das milhares de sessões de estudo.

Todo o estudo e todas as horas dedicadas valeram a pena.  Não foi fácil em vários sentidos, não só apenas em ter que desenvolver uma capacidade autodidata para aprender o beabá da Farmácia Clínica na mesa da sala de casa.  Foi difícil aceitar que a minha vida iria estar quase suspensa nesse tempo.  Lidar com a frustração não é mole.  Cair, levantar e sacodir a poeira exige um certo talento.  Ou foco.  Ou os dois.  E um marido mais do que compreensível que sabe separar o seu verdadeiro “eu” daquele ser possuído nos momentos de fúria.  Thanks, baby!  E ainda olho para trás meio incrédula de que eu realmente cheguei até aqui.  Agora é só esperar o Conselho Estadual do Texas mandar a minha licença pelo correio!  Ah, mas como já vi que o pessoal do sul é mais devagar, acho que só deve chegar aqui no ano que vem!  Para quem ‘esperou’ tantos anos, agora vai ser fácil!  

E um muito obrigada para quem sempre torceu por mim silenciosamente ou com mensagens de encorajamento!  Thanks y’all :)

Ex corde.

FPGEE  Toefl  Estágio  Naplex

Uma vez, enquanto folheava um guia de turismo local, vi que existe um jardim japonês em San Antonio e desde então fiquei com vontade de visitar.  Mas sabe como é aquele negócio de morar numa cidade e nunca ter ido em certos lugares?  É aquela coisa de achar que vai estar sempre ali e por isso não é preciso dar um pulinho lá tão cedo?  Pois é, quase acontecia isso.

Entrada Japanese Tea Garden SA_Ex corde

Aí aproveitando que a minha amiga-madrinha queridíssima Carol estava passando uns dias por aqui e a gente (eu!) precisava de uma programação leve naquele domingo ressaqueado pós-sabado de balada, lembrei do jardim japonês.  Arrastei o Marido junto que não estava muito empolgado com o passeio a princípio, mas que acabou aproveitando para testar as funções da máquina fotográfica nova que tinha acabado de chegar pelo correio.

Eu no Japanese Tea Garden de San Antonio_EX corde

E que surpresa boa descobrir esse lugar tão agradável com um jeitão de entocado no meio do nada logo ali do lado da 281, uma mas maiores vias de acesso de San Antonio que corta a cidade de norte a sul.

Japanese Tea Garden_Ex corde

Duas coisas logo de cara já saltam aos olhos de quem está acostumado com a paisagem do Texas: a água e o verde das árvores.

Carol e eu_Ex corde

A vegetação é densa e com plantas exóticas.  Há flores.  E os caminhos de pedras e as pontes conduzem quem passeia a dar uma volta completa na lagoa.

Ex corde_Japanese Tea Garden (6)

O jardim passa uma sensação de tranquilidade bem gostosa.  E como os dias em San Antonio são quase sempre ensolarados, o jardim ganha uma iluminação maravilhosa.  É bem legal para tirar fotos ou simplesmente para renovar as energias.

Ex corde_Japanese Tea Garden (7)

O Japanese Tea Garden de San Antonio tem mais de 90 anos de história.  Em 1917, Ray Lambert era o administrador de parques da cidade e teve a idéia genial de transformar uma área abandonada que funcionava como uma antiga pedreira em jardim.  E tudo com o uso de doações.  

Ex corde_Japanese Tea Garden (10)

Por isso que a lagoa fica no meio do buraco que as escavações criaram no local.  Alguém já viu como uma pedreira destrói a paisagem?  Existem várias aqui em San Antonio, inclusive uma é bem visível para quem chega de avião na cidade.  Dói só de olhar!   

Japanese Garden_EX corde

As melhorias no local continuaram nos anos seguintes, como a construção de uma pequena vila para atrair turistas com a venda de artesanato mexicano.

Japanese Tea Garden SA_EX corde

Mas foi só em 1926 que Kimi Eizo Jingu, um japonês-americano morador de San Antonio e importador de chá, foi convidado pela cidade para se mudar para o jardim.  Ele abriu o Bamboo Room e passou a servir chá e lanches.

Ex corde_Japanese Tea Garden (8)

Em 1942, a família de Jingu foi mandada embora do local como uma reação aos resultados da Segunda Guerra Mundial.  Uma família chinesa operou o local pelos vinte anos que seguiram e o jardim ficou conhecido como Chinese Sunken Garden.

Ex corde_Japanese Tea Garden (11)

Na década de 80 houve uma cerimônia oficial para renomear o local homenageando a mémória então falecido Jingu e que contou com a presença de seus filhos e de autoridades do Governo Japonês.

Ex corde_Japanese Tea Garden (5)

Carpas no JApanese Tea Garden _EX corde

O jardim japonês abre todos os dias com o nascer do sol e fecha quando escurece.  Fica perto do zoológico e parece ser bem frequentado por casais, famílias com crianças, turistas e até gente que está atrás de um lugar gostoso para ler um livro.  Para ficar melhor ainda, a entrada é de graça!  

Eu, Marido e Carol_EX corde

Quando preparava esse post, descobri que eles alugam a imponente Pagoda que existe na entrada no jardim para eventos e eu fiquei imaginando um casamento acontecendo ali.  Descobri também que lá acontece um festival anual de Sushi & Sake no início de outubro.  Perdi por pouco esse ano.

Ex corde_Japanese Tea Garden (2) 

Bonito, né?  E isso tudo em San Antonio.  Nunca imaginei.

Japanese Tea Garden of San Antonio_EX corde

E para terminar, aí vai um beijinho nesse cenário bacana devidamente registrado pela madrinha desse casório!  ♥ ♥ ♥        

Ex corde_Japanese Tea Garden (3)

Ex corde.

Japanese Tea Garden
3853 N. St. Mary’s St. San Antonio, TX 78212
Phone: 210-212-4814

O lado B do Recomeço

Ando ausente e meio anti-social.  Mais uma prova pela frente tem me feito colocar todo o resto da minha vida no final da fila de prioridades.  Me sinto ausente de mim mesma vendo os dias e as semanas voarem numa rapidez absurda.  É como se o meu corpo acordasse todos os dias para estudar e só parasse na hora de dormir.  E como se a minha mente saísse de mim e observasse essa rotina diária.  Dá um nervoso quando penso que o que está passando é a vida e que diabos eu estou fazendo com ela?  Isso tudo vale mesmo a pena?  Depois de muito queimar os miolos, descobri que estou atrás daquilo que eu acho ser a única coisa de mim mesma que restou após tantas mudanças na vida.  Não tenho problemas com recomeços.  Nunca tive.  Se algo não está bom, não tenho medo de arriscar.  Encaro o novo de braços abertos, mergulho de cabeça, me permito experimentar, tentar mais uma vez.  E o lado bom disso tudo sempre foi muito claro para mim – é excitante, traz curiosidades e uma vontade de aprender mais e mais sobre ele.  É quando eu me transformo numa tela branca pronta para ser pintada seja lá do que for.  É um mecanismo de sobrevivência brilhante!  Na minha história pessoal, essa capacidade me permitiu experimentar coisas – e pessoas, lugares, jeitos – que eu jamais desconfiei gostar.  É quando a mudança interior passa a acontecer.  Não sou a pessoa que eu era antes.  Com certeza eu não permaneceria eu mesma ainda que continuasse morando na mesma rua que nasci fazendo exatamente as mesmas coisas que sempre fiz.  Mas a pessoa que eu poderia ter me transformado certamente não seria a pessoa que eu sou hoje por causa dos desafios específicos que eu aceitei enfrentar.  Perdoe-me por afirmar o óbvio.  E já me vi em muitas situações onde eu teria que absorver o novo, ou teria que desistir.  E como desistir não faz parte de mim, eu não tinha escolha.  Só que quando absorver o novo passa a ser uma constante, muitas confusões podem acontecer dentro da cabeça.  Aconteceu na minha.  É aí que o lado B dos recomeços pesa e exige um certo foco para não se perder nessa trajetória.

Há quase uma década que eu venho abraçando o novo com muita vontade.  Fui contabilizar: foram seis mudanças em dez anos.  Novos lugares, novos amigos, novos ares.  Não apenas uma nova casa, mas também uma nova cidade, um novo estado e até um novo país.  E mais mudanças dentro do novo país.  Novas atividades, novos ritmos de vida.  Tudo novo e diferente daquilo que eu fazia & tinha.  Muito mais coisas novas sendo absorvidas até chegar no ponto em que eu me vi tendo dificuldades de me reconhecer.  A idéia que eu tinha de mim mesma ficou presa no passado e não correspondia com o meu “eu” real.  Quem sou eu mesmo?  Um monte de coisas novas que não necessariamente refletem a minha personalidade?  O que eu gosto de fazer mesmo?  Faço isso e aquilo porque é o que tem disponível onde estou agora ou porque realmente eu gosto de fazê-los?  O que me diverte?  Ou estou fazendo apenas para me sentir parte da nova realidade?  As perguntas são respondidas com mais perguntas apontando claramente a confusão de idéias que tomaram conta de mim.  E os pensamentos turbulentos se manifestaram através de sentimentos não muito confortáveis.  E tudo isso porque eu estava receptiva aos acontecimentos ao meu redor.  Mas essa consequência não é um lugar legal para estar.

Marshmellow Heart_Ex corde

Depois de uma longa & honesta conversa comigo mesma que se transformou num falatório sem fim no ouvido do meu paciente Marido, acabei conseguindo responder às minhas próprias perguntas.  A minha disciplina quase obsessiva com os estudos para tirar a licença profissional é uma busca importantíssima de uma parte de mim mesma que sempre foi minha.  Percebi que preciso ter algo que sempre foi meu.  Algo que esteve presente em quem eu fui e que esteja presente em quem eu sou.  E no meu caso onde não existe nada mais, a minha profissão preenche essa lacuna.  Não, ela não me define, mas ela me traz um senso de pertencer a alguma coisa que equilibra todo o resto.  Afinal, tudo o que me cerca hoje é estrangeiro, é diferente, é de outra cultura, é de outra língua.  É algo que por mais que eu tente & queira, não vai conseguir voltar ao passado e fazer parte de mim como o todo.  Aquilo que foi integrado a mim a cada mudança faz parte do meu novo eu.  Faz sentido?  Talvez daqui há muitos anos isso faça parte do meu eu num contexto mais integral, caso eu não continue mudando, não sei dizer.  Mas por enquanto ainda existe uma sensação de não pertencimento e por isso a relevância de ter um referencial só meu.  Tive um A-HÁ moment onde as peças se encaixaram, tudo fez mais sentido e eu descobri o que falta para não perder completamente o meu senso de identidade pessoal após abraçar tantas mudanças.  E o melhor, sem odiar a idéia de ter que recomeçar mais uma vez se assim a vida se desenrolar frente aos meus olhos. 

Xiiii, trouxe o meu falatório até aqui… foi mal, e obrigada pelo “ouvido”.

Ex corde.

Wurstfest 2012

(Ai, tô tentando terminar esse post há mais de uma semana sem sucesso porque voltei para a rotina de estudos e não sobra tempo para nada.  O evento já passou, mas vou colocar as fotos no ar assim mesmo porque foi muito divertido!)

Ex corde_Wurstfest 2012

Por mais estranho que possa parecer, o estado do Texas carrega consigo um pouco da Alemanha.  Isso se dá por conta da população quase 40% de alemães que moravam aqui na década de 30.  Para ter uma idéia, San Antonio tem um bairro histórico que representa a imigração alemã com a sua arquitetura e tem também algumas cidadezinhas em voltam que celebram a cultura ao máximo, como o famoso Oktoberfest de Federicksburg.  E como eram os últimos dias do Wurstfest de New Braunfels, a gente foi lá conferir.

Ex_corde Wurstfest 2012 lotado

Hahaha, e acho que todo mundo teve a mesma idéia porque estava lotado!  Era sábado a noite do último fim de semana, não tinha como ser diferente principalmente com o clima agradável que fez – praticamente uma noite de verão! 

Ex corde_Wurstfest 2012 Tenda de Musica

É preciso comprar ingresso para entrar no festival e lá dentro as várias tendas com música ao vivo estão espalhadas em pontos estratégicos, além das barracas de bebidas vendendo cervejas americana, texana e, claro, alemã.  E naquela hora da noite, todo mundo já tinha bebido o suficiente para dançar e cantar sem inibição.  Muito engraçado! 

Ex corde_Carnival at Wurstfest 2012

O Wurstfest atrai gente de todas as idades, incluindo crianças.  O evento funciona durante o dia inteiro, não apenas a noite, e conta com um mini-parque de diversões para distrair a molecada enquanto os adultos se divertem com as cervejas.  Taí algo que eu gosto aqui no Texas: crianças e cerveja podem coexistir no mesmo espaço sem ser ilegal ou considerado um absurdo!

Ex corde_ Marktplatz Wurstfest 2012

Continuamos caminhando até chegar no Marktplazt, um galpão enorme com uma grande diversidade de comida alemã, ou melhor, linguiças servidas em espetinhos acompanhada de pão, chucrutes, e as invenções fritas texanas.

Wurstfest 2012_Ex corde

Ex corde_Linguica Wurstfest 2012

Ex corde_Sausage on a Stick Wurstfest 2012

Ex corde_ Wurstfest 2012 Lotado

Era tanta gente que às vezes dava desânimo de enfrentar a fila.  Mas a gente estava com um grupo divertido onde a conversa era boa e nada parecia estragar a animação.

Ex corde_ Wurstfest 2012 Food area

Algumas barracas do Marktplatz vendiam doces e decorações natalinas parecido com os mercados de Natal da Europa.  Você já viu o post que escrevi sobre eles?  Tem muitas fotos das viagens, clica aqui para ver.

Ex corde_ Christmas Souvenirs Wurstfest 2012

E lá atrás estava o Biergarten, uma área enorme com música ao vivo, muitas mesas, muita gente e, claro, muita cerveja.

EX corde_Biergarten Wurstfest 2012

Ex corde_Biergarten 2 Wurstfest 2012

Pegamos uma mesa perto do bar e o papo rolou solto noite a dentro.

Beer Wurstfest_Ex corde

A cerveja era vendida em jarras de dois litros, o que era bom porque não era preciso entrar na fila tantas vezes mas era ruim porque ficava quente rápido.  Ah, fica quente rápido não, ela já é servida mais para quente do que para gelada.  Saudade da cerveja gelada servida no Brasil…

Cerveja na jarra Wurstfest_Ex corde

Terminamos a noite no brilhinho alcóolico em meio às gargalhadas dos guardas pedindo para a gente ir embora.  A banda já tinha parado.  Era hora de ir.

Final da Noite Wursfest_Ex corde

Mas ano que vem tem mais, nos dez primeiros dias de novembro.  Já tá agendado!  O Wurstfest acontece anualmente desde 1961.  Se você estiver visitando San Antonio nessa época do ano, vale a pena dar um pulinho em New Braunfels.  É só meia horinha de carro.

Ex corde.

Site Oficial do Wurstfest

A eleição presidencial americana acontece hoje, dia 6 de novembro, mas nós já votamos na semana passada.  Isso mesmo, já votamos!  Eu estava pensando exatamente nas diferenças gritantes entre o sistema eleitoral americano e o sistema brasileiro quando tive a idéia de escrever sobre isso.  Quer saber como é?  É só continuar lendo.

I voted sticker_Photo by Carol_Ex corde

Pra começo de conversa o voto não é obrigatório.  Vota quem quer, quem tá a fim e ponto final.  Existe toda uma conversa do exercício de cidadania para incentivar a ida às urnas e aqueles que votam tem bastante orgulho do ato.  Existe até a distribuição de adesivos dizendo “Eu votei”! (Obrigada pela foto, Carol!).

Early Vote_Ex corde

Na semana que antecede o dia da eleição acontece o que eles chamam de Early Voting, que é basicamente uma votação antecipada.  Eu acompanhei o Marido até uma biblioteca pública para ver como isso funciona enquanto ele votava antecipadamente.  Voto antecipado, Brasil!  É tão civilizado que chega a ser bizarro!

Election_Ex corde

A votação antecipada tem basicamente dois propósitos: diminuir a quantidade de gente no dia da eleição e proporcionar maior comodidade para os eleitores como uma maneira de incentivar mais gente a votar.  Não se esqueça que o voto não é obrigatório.

Early Election_Ex corde

Achei todo o cenário muito parecido com um dia de eleição no Brasil, só que mais arrumadinho, mais organizado, mais limpo e com pessoas menos barulhentas respeitando as regras.  As placas de propaganda política só podiam ir até uma distância X marcada com um pedaço de madeira e um papel avisando (foto acima).  E a brasileira aqui ainda faz cara de bocó ao perceber que não havia nenhuma propaganda além do ponto determinado.  As pessoas respeitam!  Por falar em pessoas, tinha um número razoável de gente votando antecipadamente no sábado passado.  Voto antecipado, minha gente!

Early Voting Line_Ex corde

Achei tudo bem explicadinho e não muito burocratizado.  Marido não sabia onde estava o título de eleitor e votou usando apenas a carteira de identidade.  E ao contrário do que eu pensava, o voto é eletrônico.

Elections_Ex corde

Tive a chance de ver um exemplo da cédula de votação do condado em que moro aqui no Texas.  Além do presidente incluía senadores, juízes, xerife, e mais alguns outros cargos locais que eu nem sabia que eram eleitos juntos. 

Elections Ballot_Ex corde

As regras para a votação antecipada variam de estado para estado podendo ser feita pessoalmente ou até pelo correio.  Isso mesmo que você leu: antecipadamente pelo correio.  Como eu não transferi o meu título de eleitor para o Texas, eu ainda voto pela Virginia no sistema que eles chamam de Absentee Voting.

Absentee Voter Ballot_Ex corde

E como não estou lá, voto pelo correio daqui.  Recebi a cédula pelo correio, segui as instruções para votar DE LÁPIS (!), coloquei a cédula dentro de um envelope, assinei juntamente com uma testemunha, coloquei dentro de um outro envelope selado já preenchido por eles com os meus dados e joguei na caixa do correio. 

Ballot _Ex corde

E o festival de bizarrices não acaba por aqui.  No Brasil, você vai lá na urna no dia da eleição e vota no seu candidato.  Na final do dia, o candidato mais votado ganha porque o voto é contado diretamente.  Você tem certeza de que o seu voto contou para o candidato que você escolheu.  Contou, do verbo contar 1 + 1 = 2.  Ele/Ela pode até não ganhar, mas o seu voto foi contabilizado.  Você sabia que na eleição presidencial americana o voto não é direto?  Eu não sabia e só descobri isso nas eleições de 2008.  Apesar da eleição presidencial ser no âmbito federal, vamos raciocinar daqui pra frente em nível estadual porque é assim que o negócio funciona por aqui.  Cada estado dos EUA tem um Electoral College, que eu vou traduzir livremente de Colégio Eleitoral.  O Colégio Eleitoral de cada estado é formado por Electors, que eu vou chamar de Eleitores.  (Se alguém souber as denominações corretas em português, adiciona aí nos comentários please!).  Então cada estado tem um Colégio Eleitoral formado de Eleitores, certo?  Só que os Eleitores não são todos os cidadãos comuns que vão às urnas votar.  Os Eleitores dos Colégios Eleitorais são (1) pessoas afiliadas a um partido político que são nomeadas como recompensa por muitos anos de serviço no partido daquele estado ou são (2) eleitas pelo voto dentro das convenções do partido daquele estado.  Mais uma vez essas regrinhas variam de estado para estado, mas geralmente os Eleitores são pessoas politicamente ativas dentro dos seus partidos políticos ou conectados de alguma maneira com a arena política (ativistas políticos, líderes de partidos, políticos eleitos, etc).  E a quantidade de Eleitores de um Colégio Eleitoral é proporcional (1:1) ao número de Senadores e Deputados Federais de cada estado que por sua vez é proporcional à população de cada estado.  Ou seja, quanto mais populoso o estado, maior número de Eleitores o Colégio Eleitoral terá.  O mapa abaixo mostra o número de Eleitores de cada Colégio Eleitoral de cada estado.

Fonte: http://www.nationalpopularvote.com/pages/electoralcollege.php

Quando as eleições chegam, cada partido político dentro de cada estado americano já vai ter criado o seu Colégio Eleitoral com o número de Eleitores correspondentes.  Tanto os Democratas como os Republicanos terão seus Eleitores prontos representando o seu estado.  Aí acontece a votação que os cidadãos comuns vão às urnas – essa que eu e o Marido votamos.  Os votos são contados.  Continue pensando em nível estadual.  Cada estado tem um político eleito pelo voto popular.  Para ilustrar, vamos imaginar que o Obama tenha ganhado na Virginia.  O Obama é do partido Democrata e como ele venceu as eleições dentro do estado da Virginia, os 13 Eleitores do partido Democrata do Colégio Eleitoral da Virginia entram em ação votando para presidência.  O estado da Virginia tem direito então a 13 votos democratas (teoricamente).  Os Eleitores dos Colégios Eleitorais dos outros partidos dentro da Virginia vão para casa.  E isso acontece dentro de cada estado de acordo com quem venceu a eleição no voto popular.  Os Eleitores de cada estado votam para presidência na segunda quarta-feira de dezembro e enviam os votos selados para o Congresso em Washington DC.  O resultado oficial só sai no dia 6 de janeiro, dois meses depois da eleição popular.  É aí que está a pegadinha: eu não voto diretamente para o candidato que eu escolher, se o meu candidato ganhar o meu voto terá sido na verdade para os Eleitores do Colégio Eleitoral do partido do meu candidato.  E quem garante que ele vai votar no mesmo candidato que eu votei?  Isso não deveria acontecer, mas acontece.  Em 2000, Al Gore ganhou no voto popular, mas não levou a eleição porque Bush tinha mais votos de Eleitores dos Colégios Eleitorais de todos os estados.  Atualmente existem 538 Eleitores nos Colégios Eleitorais de todo o país, ou seja, são 538 votos Eleitorais que realmente contam nas eleições presidenciais americanas.  Um candidato precisa ganhar um mínimo de 270 votos Eleitorais para vencer a eleição.  E dentro desse sistema de Colégio Eleitoral, o meu voto pode valer absolutamente nada dependendo de quem ganhar no meu estado. 

E por que diabos as eleições funcionam assim?  Porque está escrito no Artigo II Seção 1 da Constituição Americana.  Os seus criadores não acreditavam que um cidadão comum teria condições de escolher um candidato adequadamente e por isso deram um jeito de usar o sistema político na escolha do presidente.  Isso aconteceu lá em 1787 e para alterar o sistema eleitoral seria necessário alterar a Constituição.  Dá trabalho só de pensar. 

E obviamente que existe muita crítica, umas positivas defendendo que só assim existe uma votação justa e proporcional; outras reinvidincando o voto direto.  E o que você acha desse sistema?

Ex corde.

Essencia de baunilha_Ex corde

Baunilha_Ex corde

Vodka_Ex corde

Baunilha e Vodka_Ex corde

Essencia de baunilha _Ex corde

Daqui alguns meses eu volto para dizer se deu certo ou não! =)

Ex corde.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.